Um homem esfaqueado nas escadas da estação do Metro do Marquês de Pombal, para promover a série "Dexter", ou roupa pendurada nos estendais de bairros lisboetas, para a "Donas de Casa Desesperadas". Foi desta forma que a Torke se apresentou ao mercado há cinco anos e que cativou o interesse da agência de comunicação Youngnetwork, que acaba de adquirir 15% da agência de marketing de guerrilha.
"Conhecemo-nos há ano e meio e começámos por ser parceiros em trabalhos para clientes que precisavam de activação de marca", explica João Duarte, CEO da Youngnetwork. Com a entrada no capital da Torke, o objectivo passa a ser a criação de conteúdos para serem mediatizados e susceptíveis de serem notícia nos meios de comunicação. "Queremos passar da comunicação vertical para a horizontal, porque o consumidor confia mais num jornalista do que na publicidade", sustenta André Rabanéa, fundador da Torke.
Ao estar integrado num grupo ligado à comunicação tradicional, André Rabanéa quer adoptar uma postura de maior consistência, trabalhando menos clientes mas com mais peso, e apostar num trabalho de prospecção de mercado. "Temos cerca de 600 briefings por ano e respondemos a dois briefings por dia, mas são para clientes que fazem uma coisa e depois não fazem mais", refere André Rabanéa. A ambição é ter como clientes as grandes empresas nos principais sectores. "Não há sector que não faça sentido fazer marketing de guerrilha, até já estamos em conversações com um banco, que é uma área que sempre me disseram que não iria ter interesse", sustenta.
Canais por cabo dão impulso
A actividade da Torke começou ligada a canais por cabo. Há cinco anos, André Rabanéa trabalhava na agência Salem Guerrilha, em São Paulo, quando decidiu vir a Portugal perceber as oportunidades de trabalho nesta área. "No Brasil já trabalhava os canais Fox e Foxlife e vim fazer o lançamento destes canais cá", recorda André Rabanéa. O lançamento da nova série do "Prison Break" foi o pontapé de saída e levou prisioneiros acorrentados até às ruas de Lisboa.
De lá para cá, a agência esteve por trás de algumas das acções de comunicação mais inovadoras, desde o homem esfaqueado nas escadas do Metro - que levou à cobertura jornalística do britânico The Guardian - para promover a série "Dexter", até invadir eventos de determinadas marcas com marcas concorrentes. Vale tudo quando o objectivo é ganhar notoriedade e ficar na cabeça do consumidor, nos lugares e situações menos esperados.
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