O presidente da
TAP
considerou hoje que as greves "são algo do século passado" e recomendou aos pilotos, que hoje se reúnem em assembleia-geral para discutir os aumentos propostos pela companhia, "o bom-senso" próprio da sua profissão.
"Eu considero que greves é algo do século passado, ou do século anterior. Não é inteligente, porque retira completamente a capacidade da empresa de melhoria não só do salário como de competitividade. Esta é uma empresa em dificuldades, cujo capital próprio é negativo. É uma empresa em recuperação", disse Fernando Pinto em entrevista à Lusa.
De acordo com o mesmo responsável, os pilotos são o único grupo profissional que ainda não chegou a acordo com a empresa.
A TAP fechou acordo com os restantes sete sindicatos, com uma proposta de aumento salarial de 1,8%, ainda sujeita a aprovação do ministério das Finanças.
Já com os pilotos a empresa ofereceu uma percentagem adicional indexada a ganhos de produtividade e jogando com o acordo de empresa.
Impasse negocial
"Em novembro os pilotos apresentaram um valor muito mais alto, que não se podia de forma nenhuma pensar em considerar. A nossa proposta foi dizer que os valores eram impossíveis sequer de conversar, mas que existia a possibilidade de discutir o acordo de empresa de forma a ter ganhos de eficiência sem serem prejudiciais para os pilotos", referiu Fernando Pinto.
Essas alterações "poderiam ajustar e melhorar a eficiência da empresa e até a vida do próprio tripulante".
"Em contrapartida, os ganhos que tivéssemos com isso, reais e mensuráveis, a TAP iria dividir: parte seria incorporada no salário e outra ficaria para a empresa. Essa foi a nossa proposta em novembro", explicou.
O sindicato recusou esta proposta e entrou em greve pouco tempo depois.
"Nós dissémos que, responsavelmente, não poderíamos fazer de outra forma num momento com este [ou seja, com uma crise mundial a afetar todo o sector da aviação]", afirmou o presidente da TAP, lembrando que o sindicato acabou por aceitar esta proposta.
Impactos em termos de ganhos
Depois de chegarem a acordo sobre os pontos do acordo da empresa a modificar, chegou-se a um novo impasse: "Quais seriam os impactos na operação da empresa em termos de ganhos".
É este o ponto que ainda divide as duas partes.
"Orientei o meu pessoal para que o cálculo desse o máximo no beneficio
às duas partes: ganhos reais que depois dividiríamos pelos dois. O cálculo a que chegámos foi metade ou memos do apresentado pelos sindicatos", disse Fernando Pinto.
Foi então que surgiu uma nova proposta de acrescentar a estes ganhos um aumento salarial de 1,8%.
"Todo o restante grupo de trabalhadores entendeu, aceitou o limite da empresa e vai ficar extremamente desgostoso se um grupo [dos pilotos] iniciar um processo que acaba por ser uma destruição para a empresa", alertou.
Pilotos admitem nova greve
Os pilotos discutem hoje em assembleia-geral os aumentos propostos pela empresa e admitem avançar para uma greve.
Para Fernando Pinto, "os pilotos, pela sua profissão, têm de ter bom-senso. Sabemos como se processa uma assembleia-geral e muitas vezes perde-se o controlo. Eu alerto que é extremamente perigoso para a empresa. O momento não é para esse tipo de movimentação".
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
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