Activistas da organização ambientalista Greenpeace
tentaram hoje bloquear parcialmente a entrada da sede do grupo Jerónimo Martins, em Lisboa, para protestar contra a "ausência de uma política sustentável de compra de peixe" pelos supermercados da empresa.
Reagindo ao protesto, fonte da Jerónimo Martins garantiu hoje que têm adoptado comportamentos pró-activos na área ambiental e que contribui para um futuro sustentável.
Cerca das 6h45, nove elementos da Greenpeace colocaram uma estrutura metálica à frente da entrada da sede do grupo, na zona do Campo Grande, e colocaram um cartaz de grandes dimensões na fachada do edifício com a frase "Jerónimo Martins destrói os oceanos".
Incialmente, o plano da Greenpeace, segundo a organização, era a colocação de "dois tripés de mais de nove metros de altura a bloquear parcialmente a entrada na sede do grupo".
A responsável pela campanha dos oceanos da Greenpeace, a espanhola Paloma Colmenarejo, explicou à Lusa que o plano inicial não se concretizou porque o segurança do edifício "não deixou", tentando "cortar as cordas" que sustentam as estruturas.
"Estava em causa a segurança dos activistas", disse Lara Teunissen, uma porta-voz da organização ambientalista.
Posteriormente, a estrutura metálica foi ligeiramente desviada da entrada da empresa e os activistas começaram a distribuir panfletos aos funcionários que iam entrando.
Greenpeace exige "uma postura responsável"
A organização ambientalista exige que o grupo adopte "uma postura responsável em relação ao peixe que vende" nos supermercados Pingo Doce e Feira Nova.
"Não estamos contra o consumo de espécies ameaçadas, como o atum, a pescada ou os camarões, desde que os supermercados garantam que a pesca é sustentável", disse Paloma Colmenarejo.
Segundo a Greenpeace, "há mais de um ano que se está a tentar entrar em diálogo com o grupo Jerónimo Martins e até hoje sem sucesso".
Cerca das 8h45, um representante da Jerónio Martins contactou os elementos da Greenpeace para os informar que a empresa estava a ponderar a possibilidade de se reunir com os activistas.
Em Maio, a Greenpeace divulgou um "ranking" de avaliação de supermercados, que avalia aspectos como a venda de espécies ameaçadas.
Esse "ranking" mostrava que os supermercados Lidl e da Sonae tinham progredido na avaliação, feita pela segunda vez este ano pela Greenpeace, enquanto a Jerónimo Martins tinha descido para último lugar.
O Lidl, do grupo alemão Schwarz, surgia na primeira posição da lista, mas com uma classificação muito aquém da considerada ideal pela Greepeace, sendo seguido pelo grupo Sonae (Modelo e Continente), por 'Os Mosqueteiros (Intermarché e Écomarché), grupo Auchan (Jumbo e Pão de Açúcar) e Jerónimo Martins (Pingo Doce e Feira Nova).
Para a elaboração da tabela, a associação ambientalista avaliou as políticas e os produtos de peixe à venda nestes supermercados, nomeadamente se possuem uma política de peixe sustentável escrita e se vendem espécies ameaçadas que constem da sua "lista vermelha".
A Greenpeace defende que os supermercados devem retirar das prateleiras espécies cuja captura (no caso do peixe selvagem) ou cultivo (no caso do peixe de viveiro) tenha um impacto negativo no ecossistema marinho e avaliar se as espécies que vendem são provenientes de stocks que estão gravemente ameaçados.
Entre estas contam-se algumas das mais vendidas em Portugal, como o bacalhau do Atlântico, o atum, o linguado, o peixe espada branco, o salmão, o tamboril e várias espécies de pescada e camarões.
Para a associação, Portugal, enquanto um dos maiores consumidores mundiais de peixe 'per capita', pode desempenhar um importante papel na defesa da sustentabilidade da pesca e dos oceanos.