O Parlamento grego aprovou hoje por maioria o novo plano de austeridade apresentado pelo Governo socialista, necessário para que Atenas possa continuar a receber ajuda internacional e evitar a bancarrota, noticiaram as agências AFP e AP.
Dos 298 deputados presentes, 154, incluindo uma deputada da oposição de direita, votaram a favor e 138 contra.
Na última cimeira europeia, realizada a 23 e 24 de junho, os líderes da UE prometeram evitar que a Grécia entre em incumprimento, mas condicionaram a ajuda financeira a Atenas a um novo pacote de austeridade de €78 mil milhões, que inclui, entre outros aspetos, aumentos de impostos e uma nova vaga de privatizações.
O novo plano prevê cortes avaliados em €28,4 mil milhões até 2015, e privatizações para angariar €50 mil milhões.
Que alívio
De acordo com Fabian Zuleeg, responsável pela pasta económica no Centro de Política Europeia, um dos mais prestigiados "think tanks" (grupos de reflexão) com sede em Bruxelas sobre assuntos europeus, "o cenário de crise imediata foi afastado" com este voto do parlamento grego, que "dá algum espaço para respirar nas próximas semanas e meses", principalmente a Portugal e Irlanda, os outros dois países com resgates em curso.
"O risco de contágio (de um voto negativo) era muito elevado, e penso que teria sido injusto para Portugal e Irlanda se tivessem sido atingidos por uma caos a que são alheios, para mais quando as últimas avaliações feitas pela Comissão Europeia e Fundo Monetário Europeia aos seus planos foram bastante positivas", comentou.
Para este analista, o voto do parlamento grego é pois "o melhor desfecho possível", pois evita o que considera que seria um inevitável "caos imediato".
"Não penso que houvesse muitas opções. A Grécia precisava do apoio da UE e, por razões políticas, os restantes Estados-membros precisavam deste voto", assinalou.
Economistas alemães a uma só voz
Já para Peter Bofinger, atual coordenador do grupo de conselheiros económicos do governo alemão, e um dos poucos que defende uma política económica baseada na expansão monetária e no aumento da procura, "uma falência descontrolada teria posto em risco a essência não apenas da Grécia, mas de toda a União Europeia".
No entanto, para o chefe do gabinete de estudos do Instituto de Pesquisa Económica de Essen, Roland Döhrn, a decisão do hemiciclo em Atenas "não resolveu os problemas essenciais" da economia grega, chamando a atenção para a necessidade de "reduzir o insuflado aparelho de Estado", e montar um sistema fiscal eficiente.
Idêntica opinião tem Jörg Kramer, chefe do gabinete de estudos do Commerzbank, segundo maior banco privado alemão. "É preciso esperar para ver se as medidas de austeridade vão ser realmente implementadas, porque o número de funcionários públicos leais não é grande, e a Grécia precisa de uma profunda mudança de mentalidades", disse