Os depoimentos prestados na comissão parlamentar de ética por Henrique Granadeiro, presidente do conselho de administração da PT e Nuno Vasconcelos, responsável da Ongoing não batem certo sobre a data em que foi tomada a decisão de acabar com o negócio da compra da TVI. Razões suficientes para os deputados do PP e do PSD terem já decidido esclarecer melhor o assunto na comissão de inquérito, cuja tomada de posse está marcada apenas para quinta-feira, dia em que serão discutidos os moldes de funcionamento da comissão parlamentar, assim como as individualidades a chamar.
A contradição é pequena, mas os deputados agarram-se agora a pormenores para investigar os contornos do negócio e, mais ainda, para tentar apurar se o Governo nele interferiu e dele teve conhecimento prévio.
Henrique Granadeiro, na semana passada, disse aos deputados que a decisão de acabar com o negócio surgiu, na manhã de 25 de Junho, em conversa mantida com o presidente da comissão executiva da PT, Zeinal Bava. O assunto surgiu na reunião de conselho de administração da PT, realizada na tarde desse mesmo dia, mas apenas para mandatar Zeinal Bava para ir à RTP, explicar o negócio ao programa de entrevistas semanais de Judite de Sousa.
Hoje mesmo, no final da audição, Nuno Vasconcelos confirmou aos deputados ter participado nessa mesma reunião do conselho de administração da PT - onde tem lugar não executivo na qualidade de maior accionista individual da empresa. No entanto, para o presidente da Ongoing, o "negócio da TVI" foi ali discutido, dando assim a entender que a intenção de compra da estação de televisão ainda se mantinha, ao contrário do que anunciara anteriormente Henrique Granadeiro.