Desviando a discussão do negócio da Portugal Telecom (PT) na TVI e sobre as pressões de José Sócrates sobre a Comunicação Social, Henrique Granadeiro veio à comissão de ética dizer que sofreu "fortíssimas pressões políticas" durante os governos do PSD.
"Acho que as pressões sobre gestores da Comunicação Social e sobre jornalistas são muitas e sempre existiram", disse aos deputados. Para Granadeiro, "a forma como se gerem essas pressões" é que "distingue" os administradores e os profissionais da Imprensa. "A experiência diz-me que qualquer poder só faz mão baixa a quem se agacha", disse recorrendo à sua lista de provérbios populares.
Granadeiro trouxe para a mesa dois casos de pressões sobre a Comunicação Social. Uma, da época em que era administrador da Impresa e foi lançada a revista 'Caras'. "Tive as maiores pressões das pessoas mais conhecidas para saírem na revista. A princípio era divertido, depois foi desassossegado e, finalmente, foi um tormento".
Menos light foi o caso relatado sobre a altura em dirigia a Lusomundo. "Houve fortíssima pressão política" da parte de Morais Sarmento - ministro que tutelou os media nos Governos Barroso e Santana - sobre os conteúdos do Diário de Notícias (DN) e do Jornal de Notícias (JN).
"Iam desde a forma como os políticos eram fotografados, até a matérias informativas e de comentários", explicou o presidente da PT. Granadeiro alega que foi "gerindo estas pressões" até ao momento foi exigido que os directores do JN, Leite Pereira, do '24 Horas', Pedro Tadeu e da 'Grande Reportagem', Joaquim Vieira "fossem sacrificados". "Perante esta imposição, demiti-me", afirmou aos deputados.
Os deputados do PS reagiram de imediato à declaração, requerendo à mesa da comissão parlamentar a audição do ex-ministro Morais Sarmento. O assunto será analisado amanhã, na reunião da comissão, que decidirá ainda quem mais será ouvido, da lista de mais de 30 audições ainda por agendar.