Embora ainda sem data marcada, já se sabia que as casas da Ilha da Fuseta seriam para ir abaixo, mas o Inverno rigoroso tem estado a contribuir para demolir algumas das habitações mais junto ao mar, devido à força das ondas.
Só na última madrugada, desapareceram cinco casas, elevando para 10 o total, segundo fonte da Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH). O número de habitações destruídas pelo mar, desde 2008, eleva-se agora para 28, restando menos de 60.
Segundo um recenseamento efectuado em 2009 por esta entidade, foram identificadas 77 habitações na ilha, mas nenhuma delas servia como residência permanente. É por essa razão, diz a ARH, que todas estas habitações estão na 'lista negra' das demolições.
De acordo com o Ministério do Ambiente (e da Sociedade Polis Ria Formosa, que fez este levantamento) toda a Ilha da Fuseta, está incluída no plano de renaturalização do Polis Ria Formosa, sociedade criada especificamente para tratar a questão da ocupação das ilhas.
Segundas habitações são para ir abaixo
O projecto, que se baseia no Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Stº António, efectuado em 2005, abrangerá ainda outros núcleos, como a Culatra (parcial), Hângares e Praia de Faro, na zona não desafectada.
Ainda segundo o Ministério, o plano destina-se à demolição prioritária das edificações implantadas na duna primária e em áreas de risco e a remoção de todas as edificações que impeçam o livre acesso à praia. No núcleo da Culatra prevê-se a demolição das construções que correspondam a segunda habitação, enquanto no núcleo da Armona se prevê a demolição das edificações que se encontrem sem condições de habitabilidade, em zona de risco ou em situação de ilegalidade.
Mas onde fica a Fuseta?
A Ilha da Fuseta, que é na realidade um prolongamento da Ilha da Armona (assim como a Ilha do Farol é a mesma da Culatra e dos Hangares) pertence ao concelho de Olhão e terá começado a ser ocupada pelos pescadores. Ainda hoje, não tem habitação permanente, está desocupada no Inverno e as casas, algumas de madeira, outras de tijolo, são ocupadas para férias no Verão.
Ao contrário do núcleo da Armona, que está concessionado à Câmara Municipal de Olhão, e em que a maioria das casas estão legalizadas, esta ponta da ilha (que vai até à Barra da Fuseta, já junto à Ilha de Tavira) pertence ao domínio público marítimo.
A Ria Formosa em números
De acordo com o levantamento do Polis, nas ilhas-barreira e ilhotes existem 2 366 construções.
Só na Armona, são 809, na Culatra 377, na Ilha do Farol 439, nos Hangares 162, na Ilha de Faro 248, na Fuseta 77 e na Ilha de Tavira 46. Dispersas pelos ilhotes existem 208. Entre os sete ilhotes, o do Ramalhete é o que apresenta maior número de construções, 64, seguido do Coco com 47 e Ratas com 38.