Vinte anos depois do desmoronar do "sistema socialista" mundial, partidos e movimentos comunistas continuam a manter um considerável peso político em vários continentes. Na China, Coreia do Norte, Vietname, Laos, e Cuba os comunistas mantêm ainda o monopólio do poder, mas reviram parte dos seus pressupostos políticos e ideológicos. Na África do Sul ou Índia, conquistaram por via eleitoral uma fatia do poder.
Dos partidos comunistas afastados do poder, uns adaptaram-se e integraram-se em novas realidades políticas, como a maioria dos partidos comunistas do Leste e da Europa Ocidental, outros mantêm-se fiéis às suas referências e aos velhos ícones, como partido o comunista da Boémia-Morávia e outros ainda mantiveram o nome e os símbolos mas mudaram radicalmente a sua linha política.
Na Europa, os comunistas continuam a ter um peso político considerável em vários países. O presidente cipriota Dimitris Christofias é membro do Partido Progressista do Povo Trabalhador.
Em Itália, onde os comunistas mantiveram um papel particularmente importante, três partidos com raízes comunistas fizeram parte do governo de centro-esquerda de Romano Prodi. Entre eles, os Democratas de Esquerda, herdeiros da linha euro-comunista, mas também a Refundação Comunista, de linha mais "dura". O presidente italiani Giorgio Napolitano e o ex-ministro dos Estrangeiros Massimo D'Alema eram ambos dirigentes do velho PC italiano.
Os comunistas marcam igualmente forte presença na vaga de esquerda dos últimos anos na América Latina. O Partido Comunista da Venezuela é muito próximo de Hugo Chavez, que se auto-intitulou "socialista do século. XXI" e tenta inspirar uma frente de esquerda através do apoio a outros regimes de esquerda como Cuba ou a Nicarágua. O Partido Comunista do Brasil integra a coligação de esquerda liderada por Lula da Silva.
Cuba recupera pouco a pouco, com apoio venezuelano e chinês, do choque sofrido com o colapso da URSS e enceta uma fase transição depois dos anos marcados pela figura referencial de Fidel Castro.
Grupos revolucionários de inspiração marxista mantêm insurreições armadas em vários países do Mundo, do Irão à Turquia ou à Índia, do Perú à Colômbia e às Filipinas.
Os mais optimistas dizem mesmo que a crise económica, a situação de centenas de milhões de deserdados da globalização e o próprio fracasso das "guerras imperialistas" no Iraque ou no Afeganistão oferecem de novo, vinte anos depois do colapso do sistema soviético, uma nova oportunidade aos comunistas.
E a inspiração marxista conhece mesmo um certo renascimento quer como instrumento de análise de um capitalismo mergulhado em profunda crise, quer como fonte de inspiração de novas utopias.