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Governo sem rumo

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)
0:01 Sexta feira, 25 de dezembro de 2009

Na semana passada, ocorreu no Parlamento uma das cenas mais penosas e caricatas da política portuguesa recente: aquela em que o ministro das Finanças bradava contra o 'regabofe' e 'os devaneios financeiros' do Governo Regional da Madeira, ao mesmo tempo que a bancada do PS viabilizava um empréstimo de 79 milhões a contrair pelo mesmo Governo Regional. A cena é especialmente penosa por ter resultado na humilhação pública de alguém que, à parte o 'esconde-esconde' do défice, merecia ser tratado com mais consideração pelo PS. E que, pelo seu lado, também tinha a obrigação de fazer respeitar o cargo que ocupa, não se prestando àquele papel.

Estivesse ou não informado sobre o que se passava nos bastidores, Teixeira dos Santos saiu do Parlamento desautorizado pela bancada do próprio partido que apoia o Governo. Ou que é suposto apoiá-lo, pois, a partir deste desacerto chocante entre o que pensa o ministro sobre as finanças da Madeira e o que decidiu a bancada do PS, levantam-se legítimas dúvidas sobre a coerência, para não dizer já a coesão, entre maioria e Executivo.

Num momento em que o primeiro-ministro tanto se queixa de entraves e embaraços das oposições, a maioria socialista assume, afinal, o mesmo tipo de comportamento. É verdade que quando o Estado central se endivida mais todos os dias perde autoridade moral para impedir a Madeira de o fazer também. Mas o que está em causa é o modo e o contexto em que a decisão de viabilizar o empréstimo acaba por ser tomada. Permitindo a desautorização pública do seu ministro de Estado e das Finanças, o próprio chefe do Governo e líder do PS fica em xeque, pois transmite uma imagem de fraqueza perante o partido, ou de duplicidade perante o país. Num caso ou no outro, a confiança esboroa-se porque entre o discurso e os actos convém que haja alguma conformidade.

Este caso é apenas mais um indício da insegurança e do desnorte de que o PS e o Executivo vão dando mostras e que se manifestam noutras atitudes. Quando deviam estar concentrados na busca de soluções políticas mobilizadoras para o combate à crise, os socialistas parecem mais interessados em dividir as águas do que em congregar esforços e energias. As pressões para que o Presidente da República tome partido a favor ou contra o Governo são outro sinal de que, em vez da cooperação necessária, o PS busca a confrontação, sem que se perceba qual o objectivo útil dessa manobra táctica, visto que forçar eleições seria absurdo e irresponsável. E ao trazer a regionalização para debate neste momento reforça ainda mais a ideia de que, entre a sua agenda política e as prioridades do país, há um fosso que está a alargar-se. Neste quadro, o novo Governo aparece-nos como se já fosse um Governo velho e esgotado, à procura do rumo que lhe falta.

Desavenças estéreis

Agora é um festival aéreo a provocar ondas de choque entre os autarcas de Lisboa e Porto. E até na "Quadratura do Círculo", programa da SIC-Notícias onde, para gáudio geral, António Costa e Pacheco Pereira quase chegavam a vias de facto.

A improvável dupla Rio/Menezes (PSD) acusa Costa e o Governo (PS) de terem roubado para o Tejo a Red Bull Air Race que há três anos decorria no Douro. Costa diz que foi a empresa promotora do festival a propor-lhe a mudança, jurando ela que, em qualquer caso, não o faria no Porto. Rio e Menezes, cada um no seu estilo, sugerem que Costa lhes disputou o Red Bull e queixam-se de uma capital centralista que não suporta os êxitos do Porto. Pinto da Costa saiu a terreiro para declarar Rio incapaz de fazer valer os interesses da cidade. E é nisto que estamos, com os deputados a tentarem meter também a sua colherada.

Há cidades que sabem aproveitar rivalidades herdadas da tradição ou da história e usar, a seu benefício, as energias que delas resultam. Com Lisboa e o Porto, passa-se o contrário: nada se faz para as aproximar e todos os pretextos servem para desavenças estéreis.

'Titulares pagam factura'

Na edição da semana passada errei ao escrever que os ex-titulares vão pagar a factura do recuo do Governo na avaliação dos professores. De facto, não são só os ex-titulares que podem voltar para escalões abaixo daquele em que antes se encontravam; isso acontece também com os não titulares. Aos leitores de boa fé, apresento as minhas desculpas, como costumo fazer quando cometo erros factuais.

Entretanto, um leitor atento e vigilante, que se apresenta como professor, escreveu ao director do Expresso a denunciar os meus "interesses" nesta matéria. Explicava ele que a minha mulher (referia-se a uma "familiar" para fingir um certo pudor), era professora titular, encontrando-se na situação descrita no artigo. O queixoso entende que, perante este terrível conflito de interesses - e embora sejam talvez milhares os professores em situação idêntica à da minha "familiar" - é "deontologicamente incorrecto" eu não ter feito uma declaração prévia a explicar com quem sou casado. Informo, pois, os zeladores da opinião e da deontologia alheias de que, além de a minha mulher ser professora e ex-titular, também tenho dois filhos estudantes. Assim, poupo-lhes a maçada de fazerem investigações sumárias e de as comunicarem à direcção do Expresso quando eu voltar a escrever sobre qualquer assunto relacionado com o ensino. Ficam a saber: sou parte interessada.

Fernando Madrinha

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009


 

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Governo sem rumo
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:13 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
A maior parte das pessoas não podem agora sacudir a água do capote, no mínimo todos os que contribuiram para tal situação. Nunca percebi até hoje qual a razão porque uma grande parte da Comunicação Social se empenhou tanto ou mais que os partidos para retirar a Maioria absoluta ao PS. Eu quando vi o que ía acontecer tentei na medida das minhas forças evitar a desgraça que actualmente estamos a viver. Tomei o partido do Governo não que me mova qualquer interesse particular, mas sómente porque era e é o único que está em condições de conseguir e assumir tamanha tarefa. Disse-o e repeti-o que um Rei fraco faz fraca a forte gente. Da mesma maneira que estavamos a caminhar alegremente para o abísmo e os partidos a empurrar, hoje devo acrescentar certa Comunicação Social, mas também o Presidente. Ainda acrescentei que o País ía ficar ingovernavel caso nenhum partido conseguisse a maioria absoluta. Que o País não se podia dar a esse luxo. Que o regabofe, a chincana politica, as cantigas de mal dizer e os juros da dívida pública íam disparar e a credibilidade ía baixar. Enfim resta-me a consolação e a tranquilidade da consciência. Em relação à guerra intestina entre Porto e Lisboa, já não tenho pachorra. No que se refere aos professores vou deixar noutro comentário o que já disse e que é intemporal.
 
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Governo sem rumo
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:25 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Numa aldeia de macacos começou a reinar a indignação, pelo facto de não se encontrarem satisfeitos com a alimentação. O seu domesticador percebendo que a revolta estava iminente resolveu fazer uma reunião para informar que iriam ter mais uma refeição ou seja o lanche. Ficaram os macacos todos contentes e felizes com tal noticia. Recebia cada macaco por dia 7 bananas, ou seja duas ao pequeno almoço, três ao almoço e duas ao jantar. Como foi determinado a existência do lanche, as bananas passaram a ser distribuidas da seguinte maneira:- Uma ao pequeno almoço, três ao almoço, uma ao lanche e duas ao jantar. Consta que os macacos ainda hoje continuam felizes. Peço desculpa pela repetição a todos os que já leram este comentário, mas além de ser intemporal parece-me adequado à polémica em questão. Pelo andar da carruagem não me surprenderia nada que não consigam mais refeições, mas que as bananas passem a ser menos, como aconteceu já nalguns Países como a Irlanda e não só.
 
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Teixeira dos Santos
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:08 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Teixeira dos Santos não merecia uma "traição" destas !
Foi humilhado de uma forma descarada!
Outro teria, imediatamente, batido com a porta.
Garanto, que o seu antecessor, era o que fazia!
Ao manter-se no lugar, mostrou que estava "agarrado" ao cargo.
Perdeu muitos pontos, se tivermos em conta ainda o caso do défice!
De momento, já não é aquele Teixeira dos Santos dos primeiros anos. Desceu bastante na tabela !
Recordam-se do que sucedeu a Pina Moura ?
Estava a discursar na Assembleia, e já estava demitido, sem lhe darem conhecimento !
E o que José Sócrates fêz a Francisco Assis, ao elogiar Sousa Pinto, só para segurar este no cargo?
Hipòcritamente, incluíu nos elogios o próprio Francisco Assis!
É preciso muita desfaçatez !

 
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    Re: Teixeira dos Santos    Ver comentário
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:15 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
    Re: Teixeira dos Santos    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:31 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
    Re: Teixeira dos Santos    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:33 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
    Re: Teixeira dos Santos    Ver comentário
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:46 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
Teixeira dos Santos
ANO1933 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:15 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Passe a imodéstia, tudo aquilo que Fernando Madrinha escreve sobre o caso "Teixeira dos Santos", foi expresso por mim, neste espaço e no mesmo dia.
Até me valeu algumas críticas !
Insisto, Teixeira dos Santos, é imerecedor de um tratamento destes, ele que até há poucos meses, era quem "suportava" o anterior governo.
A própria Oposição reconhecia o seu mérito !
Não merecia ser um novo "Pina Moura" !
 
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Omissões
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:14 | Sexta feira, 25 de dezembro de 2009
Fernando Madrinha omite três factos importantes na sua crónica:

1) A não aceitação do aumento do limite de endividamento da Madeira, no montante de 79 milhões de Euros, teria levado à aprovação de alterações à Lei das Finanças Regionais, resultando em encargos adicionais de centenas de milhões de Euros para as finanças públicas.

2) Se não houvesse algum recuo por parte do governo nas negociações com os professores, a oposição coligada faria tábua rasa de qualquer avaliação séria, como ficou bem patente no último debate parlamentar sobre o assunto.

3) Os sindicatos dos professores estão tão contentes com o recuo do governo que ameaçam não assinar qualquer acordo e voltar às manifestações.
 
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Hino Nacional
Caldeiradas (seguir utilizador), 1 ponto , 12:45 | Domingo, 27 de dezembro de 2009
O País Sem Rumo podia ser o título do Hino Nacional ou a letra de um fado. Dizer q o país está sem rumo é como falar do tempo com um parceiro de elevador. Diz-se sem pensar. Só por falar.
O país está sem rumo, muito bem. Vamos "esmiuçar":
Qual o rumo que tinha antes de deixar de ter rumo?
Está sem rumo desde quando? Quando é que o país teve rumo e deixou de ter?

Qual era o rumo que tínhamos? País que tinha deixado de ser agrícola (de pobre e inviável agricultura) passara a ser industrial (indústria pesada ou ligeira)? - Reposta, não tomáramos o rumo nem de uma coisa nem outra. País de serviços? Também não, dada a nossa mão de obra pouco qualificada e a nossa localização marginal. Procurámos o rumo com dezenas de iluminados que falaram em clusters. Não o temos há muito, aí há 500anos.
O rumo só se encontra na qualificação dos portugueses, na organização do Estado (mais eficaz: melhor e mais barato) e mais justa distribuição da riqueza e em viver à medida das nossas possibilidades. O rumo é uma questão de cada um de nós. Os governos democráticos seguem as maiorias, não as vencem nem as dirigem. POdemos fazer do "país sem rumo" um fado ao qual nos resigamos, ou um hino para lutarmos em conjunto. Mas somos nós, os cidadãos que temos de decidir.
   
 
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Desnorte governativo!!!
costinha79 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:26 | Terça feira, 29 de dezembro de 2009
Tem sido patente nos últimos tempos um desnorte evidente do Governo do Eng. Sócrates!!!!

O Eng. Sócrates nos últimos debates parlamentares tem apresentado um elevado grau de rispidez, de agressividade e de ausência de discussão ideológica serena e aberta!!! As propostas válidas de alguma oposição são pura e simplesmente recusadas sem qualquer discussão e concertação!!!

A sua inflexibilidade e falta de abertura à negociação, à concertação e ao diálogo tornam este Governo precário!!!!

A guerra aberta ao Presidente da República é um claro exemplo disso!!!! A tentativa de descredibilização do Chefe de Estado é evidente!!!! É ridícula mas maquiavélica a tentativa de desgaste do Presidente com intenções
claramente políticas esquecendo por completo os interesses nacionais e exacerbando a politiquice e a "clubite" partidária!!!!
 
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Governo sem rumo ...
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 20:17 | Quarta feira, 30 de dezembro de 2009

ASSIM SE FINAM AS DEMOCRACIAS...

" ... Quando deviam estar concentrados na busca de soluções políticas mobilizadoras para o combate à crise, os socialistas parecem mais interessados em dividir as águas do que em congregar esforços e energias."

"
As pressões para que o Presidente da República tome partido a favor ou contra o Governo são outro sinal de que, em vez da cooperação necessária, o PS busca a confrontação, sem que se perceba qual o objectivo útil dessa manobra táctica,
"
 
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