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Governação falhada

Daniel Oliveira
8:00 Segunda feira, 29 de junho de 2009

Em 2005 José Sócrates disse, em voz grave, que 7,1% de desemprego eram "a marca de uma governação falhada". Tinha razão. Acontece que desde então até à crise internacional começar, o desemprego subiu e nunca mais se aproximou daquele valor. Olhando para o défice, Sócrates explica-nos que o que se fez antes de vir a crise permitiu ter folga para agora a poder combater. Não teve o mesmo raciocínio em relação ao emprego. E quando a crise rebentou havia muito mais desempregados do que no início do mandato. Assim, e não apenas através da crise internacional, se explicam as previsões de 11% para o ano que vem. A obsessão do défice e a falta de estratégia económica deixaram o país desprotegido.

Sempre que pensamos em desemprego pensamos na sua dimensão financeira: dificuldades nas famílias e despesas acrescidas para o Estado. Mas há uma dimensão mais profunda: o emprego é a forma mais poderosa de inclusão social. Hoje, mais do que a família. As pessoas definem-se, quer gostemos quer não, por o que são enquanto profissionais. É assim que sentem fazer parte de qualquer coisa, ter um propósito na sua vida em sociedade. Deixar uma em cada dez pessoas activas sem esse propósito é, além de todos os problemas financeiros, muito mais perigoso do que parece. O desemprego não é apenas um problema económico e social. É um grave risco para a democracia.

A manta de Sócrates


Na entrevista à SIC e no último debate mensal José Sócrates tentou seduzir a esquerda do PS, os professores e os jovens, concentrando-se nas questões sociais, nos 'costumes' e na educação. Quer, nesta fase de pré-campanha, recuperar parte do voto que perdeu para o Bloco de Esquerda. Faz sentido. Já não estamos a falar, como no passado, de um ou dois por cento. Se antes as eleições se ganhavam apenas ao centro, agora ganham-se ou perdem-se também à esquerda.

Mas a preocupação com o Bloco não se fica pelo curto prazo. O BE roubou ao PS o seu eleitorado 'natural'. Sem ele, não bastará aos socialistas baterem-se pelo voto eternamente indeciso do centro. Têm que captar os eleitores de centro-direita, afastando-se ainda mais do seu ponto de partida. E, mesmo vencendo as eleições, terão na pressão do Bloco um elemento de permanente instabilidade.

Apesar de perceber a táctica, parece-me que Sócrates não está a ver o retrato completo de todos os seus problemas. Não se chega aos 10 por cento com voto jovem urbano e de professores. Basta analisar com atenção os resultados das últimas europeias para o perceber. O BE entrou no voto popular do PS. E, para esse, os números de última hora terão pouco efeito. É gente que está muito zangada.

O primeiro-ministro está num beco sem saída: se se vira para o voto do centro perde à esquerda sem ter a certeza de ganhar qualquer coisa; se se vira para a esquerda não ganha à direita e provavelmente não consegue recuperar o suficiente para vencer. Se puxa a manta para os ombros destapa os pés. Basicamente, resta a Sócrates fazer figas para que Ferreira Leite se espalhe ou para que, pelo menos, não mobilize. Isto, partindo do princípio que na abstenção das europeias está escondido muito voto PS. As coisas não estão fáceis e Sócrates pouco pode fazer. Não se mudam quatro anos em dois meses.

Palavras-chave  opinião
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Punição Eleitoral
Manuel Almeida (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 19:08 | Segunda feira, 29 de junho de 2009
O sistema rotativista (ora o PS ora o PSD) serve exactamente para evitar as responsabilidades. Socrates queixou-se da herança anterior e deixa uma pior. Antes Durão queixou-se de Guterres e deixou um país pior do que o seu antecessor.

Para punir eleitoralmente os responsáveis pelo declínio nacional é preciso punir simultaneamente os dois partidos do regime, o PS e o PSD. Mudar do PS para o PSD é uma inutilidade. As políticas são exactamente as mesmas.

O desemprego vai alastrando e trazendo consigo o prenuncio de mais desemprego (porque, se mão combatido, o desemprego actual gera mais desemprego futuro por via da redução do consumo) e de reduções de salários e benefícios, porque as entidades empregadoras nesta situação de crise colocam os seus colaboradores entre o desemprego e a redução de rendimentos. Isto é entre duas reduções de rendimento, uma com trabalho e outra sem trabalho.

E pouco a pouco Portugal vai-se despegando da Europa (em termos de nível de vida) e aproximando do Norte de África. E os portugueses contentes a votar nos partidos que nos têm governado nos últimos 30 anos de rotativismo (ora PS ora o PSD).
 
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    Digamos que as suas parvoíces    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Terça feira, 30 de junho de 2009
    Re: Digamos que as suas parvoíces    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 20:57 | Terça feira, 30 de junho de 2009
    Re: Digamos que as suas parvoíces    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Este gajo é ainda pior...
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 11:31 | Segunda feira, 29 de junho de 2009
Não tem medo de dizer directamente aquilo que muita gente não tem coragem, mas quer dizer... Sócrates é responsável pela Grande Depressão do neo-fascismo.

Como muitos como ele, esquece-se que, quando este governo tomou posse, o desemprego estava a 8,1%. Até 2006, houve um crescimento do desemprego, até 8,3%. Mas começou a baixar. Baixou até 7,5% em 2007. Mas esquecemo-nos disto agora, porque tem de ser, não é?

O Sócrates é responsável pelos 10% de desemprego... Se calhar o Obama é responsável pelos 15% de desemprego nos EUA.

Media da Treta e os seus Comentadores da Treta... A vomitar sempre a mesma porcaria, vezes sem conta.
 
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qualquer um brinca…
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:51 | Segunda feira, 29 de junho de 2009
Na verdade uma problemática dos diabos!
E se falássemos de ideias?
Será que as temos! Porque assim, dessa maneira, qualquer um brinca…
 
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Alternativa versus Alternância
MMoniz (seguir utilizador), 1 ponto , 22:07 | Segunda feira, 29 de junho de 2009
Perfeitamente de acordo com o comentário de Manuel Almeida.
Estamos fartos da alternância na continuidade, de mais do mesmo, ou cada vez pior que o anterior.
É necessária uma alternativa, descomprometida com o poder instituído que ponha fim a toda esta promiscuidade e corrupção.
Está nas nossas mãos dizer BASTA!
 
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Cala-te ou está calado!Comentador da treta
userEX30860 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:05 | Terça feira, 30 de junho de 2009
Parecem uma cambada de pintos calçudos a dizer barbaridades à volta da m.... da mesa. Quem verá esta aberração de programa, sem falar nos babados familiares e acólitos? Mas quem é este gajo? Deve ser amigo dos outros que o convidaram para fazer parte dos Illuminattti.
Antes, na pré-história, andavam com uma mão á frente e outra atrás. Agora, pois são superlativos, senadores polichinelos da treta, da conversa e do whisky fiado.

 
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