Um golo fabuloso de Cristiano Ronaldo impediu hoje o FC Porto de marcar presença entre as quatro melhores equipas da Europa e permitiu o triunfo do Manchester United por 1-0, na segunda "mão" dos quartos-de-final da Liga dos Campeões em futebol.
Depois do 2-2 registado em Old Trafford, o FC Porto partiu para o encontro bem posicionado para atingir as meias-finais da competição, mas foi o Manchester United a aparecer melhor e a marcar o golo solitário aos seis minutos, por intermédio do internacional português.
Sem Jesualdo Ferreira, castigado pela UEFA na terça-feira com um jogo de suspensão, o FC Porto permitiu a primeira derrota em casa ante equipas inglesas e ofereceu ao United, que vai no 23 jogo sem perder na Champions, a possibilidade defender o título europeu conquistado a temporada passada.
A primeira contrariedade, logo a seguir ao golo de Cristiano, foi a lesão de Lucho, aos 30 minutos, num ingrato sinal que a noite europeia podia correr mal aos tricampeões portugueses.
O médio do FC Porto sofreu uma entorse no joelho esquerdo e vai ser reavaliado quinta-feira.
Arsenal na luta pelo acesso à final
Na 78 vitória dos "red devils" na Liga dos Campeões, a equipa inglesa vingou também as duas vezes que foi afastado pelo FC Porto em provas europeias: em 1977/78 perdeu 4-0 nas Antas e foi eliminado da Taça das Taças e, em 2003/04, sucumbiu a um 2-1 no Dragão e empatou em Old Trafford, na caminhada "azul-e-branca" para o segundo título europeu da história.
Ainda assim, o FC Porto deixou mostras de enorme qualidade nesta eliminatória - já o tinha feito nos "oitavos" ante o Atlético Madrid -- e, hoje, apenas não foi feliz na eficácia, embora o United tenha, aparentemente, controlado bem o jogo, sobretudo o posicionamento a meio-campo.
Com o triunfo, o Manchester United joga com o Arsenal o acesso à final, que venceu em Londres os espanhóis do Villarreal, por 3-0, depois do empate a um golo na primeira mão, enquanto o Barcelona disputa com o Chelsea a presença no jogo decisivo de Roma.
Sempre fiel ao seu esquema, o FC Porto apresentou-se da mesma forma que em Manchester, com Helton, na baliza, uma defesa com Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Cissokho, ficando Fernando, Raul Meireles e Lucho Gonzalez no meio-campo e logo atrás de Hulk, Lisandro Lopez e Cristian Rodriguez, os jogadores mais ofensivos.
Ronaldo a ponta-de-lança
O Manchester United, por outro lado, surgiu muito mais ofensivo, como lhe competia, com Carrick, Anderson, Cristiano Ronaldo e Ryan Giggs no apoio aos avançados Dimitar Berbatov e Wayne Rooney. Com o regresso do central Rio Ferdinand, a defesa apareceu composta também por John O'Shea, Nemanja Vidic e Patrice Evra, mantendo-se Van der Sar na baliza.
Curiosamente com Ronaldo como ponta-de-lança nos momentos iniciais, o Manchester socorreu-se do jogo de Rooney e Giggs, nas alas, mais Berbatov, pelo centro, para iniciar a partida dominante, mas foi um remate de Hulk, aos quatro minutos e na sequência de um livre directo da direita, a por à prova os reflexos dos guarda-redes.
Dado este sinal, o Manchester United colocou-se em vantagem no encontro e na eliminatória: Ronaldo recuperou uma bola perdida e com um remate fortíssimo e sem hipóteses para Helton, ligeiramente adiantado, fez o seu segundo golo nesta edição da Champions.
O FC Porto, no entanto, e apoiado pelo estádio do Dragão completamente lotado, voltou a ameaçar aos 20 e 25 minutos, num livre de Bruno Alves, ligeiramente ao lado, e um remate à meia-volta de Lisandro, para defesa do gigante holandês.
Giggs atirou para sacudidela de Helton (30 minutos), Bruno Alves respondeu com um cabeceamento ao lado (41) e Vidic, completamente sozinho e já na pequena área, praticamente fechava a eliminatória (44), não fosse a ausência de pontaria.
Rolando falha vantagem
No segundo tempo, Berbatov voltou a testar Van der Sar, Raul Meireles enviou por cima e Hulk, aos 57 minutos, na sequência de um livre, rematou forte, mas à figura do guarda-redes da formação inglesa.
Já com Ernesto Farias no lugar de Rodriguez (64 minutos), o FC Porto tornou-se mais ofensivo, mas o Manchester United, a espreitar as correrias de Rooney ou Ronaldo -- e também Nani que substituiu Berbatov -- ia controlando o ímpeto portista, com maior ou menor dificuldade.
Rolando, aos 79 minutos, ainda tentou igualar o jogo e colocar o FC Porto em vantagem na eliminatória, com um remate de cabeça e após canto de Meireles, e Lisandro, aos 86, desviou para defesa apertada de Van der Sar.
Cristiano Ronaldo, aos 91 minutos, ainda ia estragando mais a recepção portista ao campeão europeu e do Mundo, mas Helton afastou bem para a linha de fundo.
FC Porto arrecada €18 milhões
O FC Porto arrecadou aproximadamente 18 milhões de euros pela participação na Liga dos Campeões em futebol e apenas não foi mais longe nas receitas por causa do poderio do Manchester United.
A derrota de hoje impediu a equipa de Jesualdo Ferreira de repetir o feito de 2003/04, ano de título europeu e última presença entre as quatro melhores equipas da Europa.
Ainda assim, o FC Porto conseguiu uma verba fabulosa, sobretudo em tempo de crise, com perto de €18 milhões de receitas.
Pela entrada directa na Liga dos Campeões, o FC Porto arrecadou, de imediato, 5,4 milhões de euros, somando depois mais 2,4 milhões pelas quatro vitórias na fase de grupos (duas ao Fenerbahçe e uma ao Arsenal e Dínamo de Kiev). A isto, deve acrescentar-se os 1,5 milhões alcançados nas receitas de bilheteira dos três jogos em casa.
Pelo acesso aos oitavos-de-final, tal como o Sporting - humilhado pelo Bayern Munique por 12-1 na totalidade das "mãos" -, os "dragões" arrecadaram mais 2,2 milhões, somando praticamente um milhão na receita de bilheteira do jogo com o Atlético Madrid.
Depois, os empates 2-2 em Madrid e 0-0 no Dragão com a formação da capital espanhola colocaram o FC Porto nos quartos-de-final, fase que permitiu um prémio de 2,5 milhões.
Ora, com a receita do jogo de hoje, o FC Porto somou mais de um milhão de euros, registando ainda um valor próximo dos dois milhões em "market pool" (receitas televisivas), o suficiente para atingir então os 18 milhões.
Desta forma, o tricampeão português chegará a valores aproximados dos 18 milhões, praticamente o que o Inter de Milão pagou pelo concurso do internacional Ricardo Quaresma (18,6 milhões, mais Pelé, avaliado em seis milhões).
A importância de marcar presença na Champions e sobretudo entre as oito melhores equipas da Europa, além da vertente desportiva, vê-se também na valorização dos atletas, factor que poderá aumentar, indirectamente, a receita portista.
Além disso, convém também contar com as receitas de merchandising, assim como o aumento dos interesses dos patrocinadores, venda de lugares anuais, quotização e novos sócios, tudo vectores que aumentam as receitas dos clubes participantes nas Champions.