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Luís Mira Amaral (www.expresso.pt)
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0:00 Sábado, 6 de Fev de 2010
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Noticiava o Expresso que estávamos a dar a preço zero electricidade a Espanha. A culpa seria do mau tempo e do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL). A história está mal contada.
Existe uma elevada correlação entre vento (que produz electricidade eólica) e chuva (que enche as albufeiras), tal como entre secas e ausência de vento. No fundo, água e vento têm o mesmo combustível: as depressões atmosféricas... Tudo isto tem explicado o prof. Pinto de Sá do IST no seu magnífico blogue http://a-ciência-nao-e-neutra.blogspot.com.
Tivemos, numa convergência normal, muito vento e também muita chuva, a qual, enchendo as albufeiras, não permitiu que estas fossem utilizadas para armazenar a água que seria puxada para elas por bombagem alimentada por essa electricidade eólica em excesso. É essa água que é normalmente descarregada produzindo electricidade nas horas de maior consumo. A água é assim a forma de acumular habitualmente a electricidade em excesso.
Nós portugueses pagamos a electricidade eólica aos produtores, em contratos leoninos a preços entre 60 e 93Mwh, precisemos ou não dela, através dos custos gerais do sistema, suportados pelos consumidores. Como não precisámos da energia e não a conseguimos armazenar, tivemos que a passar para Espanha durante treze dias de Dezembro a preço zero durante as horas de menor consumo e a 30-40€/Mwh nas outras horas! Como o 'camarada' Zapatero professa a mesma ideologia eco-utópica, também teve o mesmo tipo de problemas e por isso não precisava muito dela. Por outro lado, a França que tem no nuclear a sua energia 'verde' também não necessitava da nossa electricidade. Assim sendo, a culpa não é do MIBEL. Se bem que ele esteja longe de ser um verdadeiro mercado, aqui até funcionou bem no jogo da oferta e procura que ditou o preço da nossa exportação!
Tudo isto resulta do excesso da eólica que já temos cá. Nos países que têm eólicas e que fazem planeamento a sério (caso da Dinamarca que só tem 20% de eólica) tal teria sido acautelado. Por cá, o resultado está à vista! Tal, além de nos levar quer a preços elevados contribuindo para o défice tarifário, que é uma bola de neve crescente, quer à instabilidade da rede que nos conduzirá a apagões, não se resolve só com o reforço das barragens existentes ou com as novas albufeiras em construção. Precisaríamos para acumular toda essa água nesses períodos críticos de albufeiras de grande dimensão, o que é inviável num país pequeno.
A propósito ainda do mau tempo, um grande especialista de ventania mediática desapareceu durante os temporais no Oeste, deixando os engenheiros da EDP a tentar explicar a falta de investimento nas redes de distribuição e a resposta muito lenta da empresa ao temporal, mas reapareceu como treinador de futebol num jogo a favor do Haiti. Realmente isto de haver redes físicas nas utilities (em vez de apenas realidade virtual) é uma grande maçada...
Luís Mira Amaral
Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010
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Luís Todo Bom* (www.expresso.pt)
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0:00 Sábado, 23 de Jan de 2010
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A bibliografia sobre as PME - Pequenas e Médias Empresas é unânime em referir como ponto forte mais relevante destas organizações a flexibilidade em termos de produtos, serviços, tecnologias, mercados e clientes; e como ponto fraco, os constrangimentos em recursos humanos, tecnológicos, financeiros e nos "recursos do conhecimento".
Assim, nas fases de crescimento económico, as PME criam emprego, com rapidez e menores níveis de investimento, mas nas fases de estagnação e de decrescimento, destroem emprego, com igual rapidez.
Em países com sistemas de justiça eficientes, a mortalidade das PME tem taxas equivalentes às da sua natalidade, mesmo em períodos de baixo crescimento.
As economias sólidas apoiam-se em grandes empresas (GE) e não em PME. As PME são organizações complementares no preenchimento da malha industrial, ou transitórias no seu processo de crescimento para GE, onde ganham capacidades e recursos para poderem ser competitivas no mercado global.
Ninguém de bom senso acredita que é possível vencer um campeonato de futebol com jogadores de 10 anos de idade, pequenos, flexíveis e habilidosos, que por vezes fintam os adultos, mas sem a estatura necessária para garantirem a vitória.
Este deslumbramento e obsessão nacional pelas PME é pouco saudável, assim como as declarações superficiais de que é necessário apoiar genericamente as PME.
Infelizmente, os estudos que têm sido produzidos e divulgados, incluindo os oriundos das associações empresarias, são de uma pobreza intelectual confrangedora em termos do seu suporte teórico.
Uma das suas fragilidades reside na ausência de análise matricial destas organizações em termos de tecnologias/mercados, de que resultariam recomendações de acções estruturantes diferenciadas.
Com o agravamento de a maioria das PME desenvolver a sua actividade com tecnologias maduras e produtos de reduzida incorporação de conhecimento, o que torna mais difícil um programa de intervenção dirigido aos diferentes mercados.
Acreditar que, na fase actual dos mercados, as PME portuguesas têm recursos suficientes, mesmo com apoios públicos, para desenvolverem com sucesso processos de investimento internacionais é pura ficção. Quando muito, poderão incrementar, marginalmente, as suas exportações.
Em contrapartida, não se conhece nenhum programa, com a intervenção obrigatória das sociedades de capital de risco com fundos públicos, desenhado para o apoio às acções de fusão, concentração e reorganização sectorial de PME no sentido do seu crescimento e incremento de competitividade.
Os programas que se conhece não fomentam a selecção e crescimento das melhores PME e limitam-se a lançar mais dinheiro sobre os problemas.
Estes manter-se-ão, ficaremos, unicamente, com menos dinheiro, ou seja, mais pobres.
*Professor associado convidado do ISCTE
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Luís Todo Bom* (www.expresso.pt)
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0:01 Sábado, 26 de Dez de 2009
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O PS, com uma base de conhecimento explícito inferior à do PSD, tem promovido a sua criação, o que lhe tem permitido a manutenção do poder.
De acordo com a aproximação baseada na teoria dos recursos, o objectivo último das organizações competitivas é obter resultados sustentáveis, acima da média, quando comparados com os seus competidores.
A pré-condição para resultados sustentáveis superiores reside num conjunto de recursos, não disponíveis do mesmo modo para todas as organizações e na sua combinação em competências e capacidades.
Estas competências e capacidades devem ser específicas da organização, valiosas para os clientes, insubstituíveis e difíceis de imitar.
Estes "activos não replicáveis" na terminologia de Teece, são, essencialmente, activos de conhecimento e, dentro destes, em especial, o conhecimento tácito das organizações.
O conhecimento tácito das organizações que resulta, fundamentalmente, da combinação e socialização do conhecimento explícito dos seus membros constituindo-se num conhecimento da experiência e da acção colectiva, tem uma importância crucial em todas as organizações, com destaque para as que actuam no âmbito sociológico e comportamental.
Não é, pois, de estranhar a relevância do conhecimento tácito nos partidos políticos e a indispensabilidade da sua conversão em competências e capacidades, para o combate político, que lhes permita atingir o seu objectivo último, ou seja, a conquista do poder.
O conhecimento tácito do meu partido, o PSD, tem diminuído consistentemente nos últimos tempos, o que constitui uma das explicações para o seu afastamento da liderança política do país.
E esse facto não se deve à inexistência de uma base de conhecimento explícito considerável dos seus membros que, felizmente, continua a prevalecer, mas à incapacidade de garantir a sua combinação e a ineficiência da sua socialização.
As duas unidades organizativas que tradicionalmente garantiam esses movimentos - o Gabinete de Estudos e o Instituto Sá Carneiro, estão praticamente inactivos. Com a agravante, no caso deste, de se ter criado a convicção de que este processo de interacção das várias valências do conhecimento podia ser garantido através de uma plataforma digital aberta onde se escrevem alguns artigos de opinião.
A teoria das redes estipula que as redes digitais promovem, quando muito e quando têm qualidade, exclusivamente, o incremento do conhecimento explícito, porque são abertas e porque a interactividade para complementar conhecimentos diferenciados é limitada.
Curiosamente, o PS, com uma base de conhecimento explícito claramente inferior à do PSD, tem promovido de um modo sustentado e com eficiência a criação do conhecimento tácito que lhe tem permitido a conquista e manutenção do poder.
Com a previsível alteração, a curto prazo, da liderança do meu partido, vai ser interessante acompanhar estes movimentos, no futuro próximo, e a sua repercussão na ocupação do poder no nosso país.
*Professor Associado Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009
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Luís Mira Amaral (www.expresso.pt)
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0:01 Sábado, 12 de Dez de 2009
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Os 1º e 2º choques petrolíferos (retracção da oferta feita pela OPEP e portanto não sustentável a prazo) acabaram com a utilização do petróleo na geração da electricidade. Convirá que o 3º choque petrolífero (aumento da procura induzida pelas potências emergentes e portanto sustentável a prazo) reduza substancialmente a utilização de petróleo nos transportes, reservando-o para utilizações industriais mais nobres.
Assim, o carro eléctrico aparece como a solução de futuro, lá para 2020, depois de uma transição em que os motores de combustão ainda vão evoluir muito (com maior potencial de desenvolvimento no diesel) com baixas emissões de CO2 e com reduções espectaculares do consumo, podendo chegar nos diesel aos três litros/100km. A duração desta tecnologia poderá ser ainda ampliada pelo uso dos biocombustíveis, biodiesel e etanol (biogasolina), devido à consequente redução do consumo do petróleo.
Nos carros eléctricos teremos basicamente a via do electrão, com baterias de lítio alimentando os motores eléctricos, e a via do hidrogénio, o qual alimenta as pilhas de combustível que produzem a electricidade para os motores eléctricos. Se bem que a via do hidrogénio permita aos carros um maior raio de acção que as actuais baterias de lítio, não acreditamos que vingue pois o hidrogénio não é uma energia primária (curiosamente a única fonte para o produzir em grande escala seria o nuclear através da electrólise da água) e vai ser difícil ter uma economia do hidrogénio, como já explicado nestas colunas.
Os principais estrangulamentos no carro eléctrico serão ainda as baterias devido ao peso ainda elevado, ao curto tempo de vida, ao custo e à quantidade de energia armazenada. Todos os outros componentes estarão mais dominados e acessíveis à indústria, portuguesa inclusive.
O carro eléctrico irá ser um híbrido diferente dos actuais, pois que o motor eléctrico será o principal, com um pequeno motor de combustão para se ligar apenas nos casos em que a carga da bateria se esgote, assegurando assim uma segurança adicional em trajectos mais longos.
O avanço para o carro eléctrico vai obviamente puxar pela energia nuclear, aquela que consegue nos países industrializados a produção de electricidade não poluente em grande escala, e ainda pelas energias renováveis, designadamente pelas eólicas, na medida em que se poderão utilizar as horas nocturnas, em que, como no caso português, haverá mais vento para carregar as baterias. O carro eléctrico poderá dar assim uma contribuição para a melhor gestão da rede, fornecendo uma procura nas horas de vazio do diagrama de cargas.
Em Portugal, além da óbvia oportunidade para a indústria portuguesa de componentes, também a Galp, sentindo a ameaça para o mercado dos combustíveis, quererá assegurar o fornecimento de electricidade aos veículos, concorrendo com a EDP neste negócio. A eléctrica nacional diz então que vai entrar no negócio da mobilidade, conceito muito caro ao seu mediático presidente, o qual tem sido o gestor público com mais mobilidade (e consequente velocidade de circulação) entre o PSD e o PS...
Luís Mira Amaral
Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Dezembro de 2009
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Luís Todo Bom* (www.expresso.pt)
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8:00 Quarta-feira, 25 de Nov de 2009
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As redes de cooperação podem ser definidas como um sistema ou um grupo complexo de unidades interligadas, organizado de modo a poder atingir um determinado objectivo (segundo Tidd & Bessant em 'Innovation and Entrepreneurship').
As redes de cooperação no âmbito da inovação e numa óptica internacional têm uma importância crescente.
Dos vários tipos de redes que se podem desenvolver, com estas características, assumem especial relevância as redes suportadas em 'clusters regionais', em que o fluxo de conhecimento se processa preferencialmente entre unidades com uma grande proximidade geográfica e as 'redes sectoriais' em que as organizações pertencentes ao sector em causa partilham processos de inovação de modo a aumentar a sua competitividade global.
Com uma aproximação horizontal existem ainda as 'redes de aprendizagem', ou seja, redes constituídas com o objectivo primário (e não instrumental) de aumentar o conhecimento específico dos elementos que constituem a rede (normalmente pertencentes ao mesmo cluster tecnológico).
As redes de cooperação internacional suportadas na inovação e no conhecimento são essenciais para o aumento da competitividade global das empresas portuguesas.
A AITECOEIRAS, Agência para o Desenvolvimento Empresarial de Oeiras, tem vindo a desenvolver a sua actividade, com base neste paradigma, através das seguintes ferramentas teóricas de intervenção:
- Consolidação do conceito de Oeiras Valley' como região integrada de desenvolvimento sustentável suportada em unidades de conhecimento intensivo;
- Aprofundamento dos três clusters sectoriais que suportam este conceito, atraindo para Oeiras mais unidades produtoras de conhecimento primário;
- Universidades e Institutos de Investigação, e mais Empresas de alta incorporação tecnológica nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologias e Tecnologias da Saúde e Tecnologias Tropicais;
- Desenvolvendo e consolidando três redes de cooperação internacional, no âmbito da partilha do conhecimento, da formação e investigação aplicada, do desenvolvimento empresarial e da criação de emprego - Rede África, Rede Europa e Rede América.
A Rede AITECOEIRAS/África encontra-se já em fase de operacionalização, a Rede Europeia em construção e a Rede América, com ligações privilegiadas à Região de Cambridge/Massachusetts, em projecto.
Este processo que está agora a dar os primeiros passos terá um caminho longo e difícil a percorrer, exigindo o empenho e perseverança de todos os stakeholders.
Mas não há alternativa. E a nossa esperança reside na crença de que após as dificuldades iniciais, este projecto se consolidará podendo vir a ser replicado noutras regiões do nosso país. Cumprirá, assim, a sua função de aumento sustentável da competitividade nacional.
*Professor Associado Convidado do ISCTE, presidente da Direcção da AITECOEIRAS
Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Novembro de 2009
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Luís Mira Amaral (www.expresso.pt)
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8:00 Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
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Tem-se afirmado que a componente das energias renováveis no consumo de electricidade no país ronda os 43%.
Outros, ainda mais entusiasmados e confundindo a electricidade com todo o sistema energético, dizem que as renováveis já respondem por 43% da energia consumida em Portugal.
Apresento então aos leitores o contributo das renováveis para o consumo bruto de electricidade no país (produção bruta + saldo importador de energia). A primeira percentagem é a real, efectivamente verificada, a segunda é a oficial 'cozinhada' na secretaria.
2001 - 35.5% / 36.2%;
2002 - 21.8% / 32.3%
2003 - 37.3% / 34.6%;
2004 - 25.2% / 35.3%
2005 - 16.8% / 35.9%;
2006 -30.6% / 36%;
2007 - 31.1% / 42.7%;
2008 - 27.8% / 43.3%
Esta discrepância resulta então da aplicação de um critério bizarro, para não lhe chamar de puro ludíbrio. A Direcção-Geral de Energia e Geologia explica que o número oficial é calculado em função da Directiva europeia 2001/77/CE, ao abrigo da qual a produção hidroeléctrica pode ser corrigida mediante indexação a um Índice de Produtividade Hidroeléctrica (IPH) dum ano de referência. Esse índice depende obviamente da pluviosidade e permite quantificar o desvio entre o valor da produção hidroeléctrica verificada em dado ano e a produção que haveria em ano de regime hidroeléctrico médio. A 'marosca' está em que foram buscar para ano de referência o ano de 1977, de excepcional pluviosidade, com difícil repetição e com um IPH = 1.22, e não um ano médio.
Então, em 2008, que foi um ano de fraca pluviosidade com um IPH = 0.562, a sua produção hidroeléctrica real de 7102GWh foi corrigida, tendo-se obtido uma produção 'cozinhada' de 7102 x 1.22 / 0.562 = 15 406GWh que somada às restantes renováveis permitiu passar da percentagem de 27% para 43.3%!
Assim sendo, todos os valores oficiais estão empolados por se ter como referência um ano extremamente húmido, em vez dum ano médio! Havendo um ciclo hidroeléctrico, é evidente que se devem corrigir os valores anuais, calculando a componente estrutural de produção hidroeléctrica, ajustada do ciclo.
Para os economistas dir-lhes-ei apenas que o método usado é semelhante ao de calcular o défice estrutural das finanças públicas a partir do melhor ano do ciclo económico (aquele em que as receitas foram as maiores e as despesas as menores)... Como bem sabemos, o défice estrutural é ajustado em função do ciclo económico.
Tudo isto mostra aliás a ligeireza e a demagogia com que nos andam a vender as renováveis.
Acontece até que para empolarem a componente das renováveis, tiveram que se "encostar" à componente hídrica, justamente aquela que foi esquecida depois do demagógico episódio de Foz Côa e a partir daí só apostaram na energia eólica. Se tivéssemos, como eu tinha feito no governo, continuado a apostar na componente hídrica, a percentagem das renováveis seria hoje bem maior, sem necessitarmos da 'marosca' em apreço.
Face a um recente concerto do Tony Carreira para apoiar as renováveis, percebi o 'filme': da maneira que nos estão a vender as renováveis, não nos estão a dar energia, estão a dar-nos música!...
Luís Mira Amaral
Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Novembro de 2009
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Luís Todo Bom* (www.expresso.pt)
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8:00 Quarta-feira, 28 de Out de 2009
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Clayton Christensen, o pai da inovação disruptiva, depois de escrever "O Dilema do Inovador" e a "Solução do Inovador", publicou o seu último livro "Seeing What's Next", em que desenvolve um novo modelo para a mudança nas organizações.
As bases conceptuais da obra de Christensen suportam-se em três teorias sobre o processo de inovação.
- A Teoria da Inovação Disruptiva, que refere as situações em que novas organizações usando inovações relativamente simples, convenientes e de baixo custo podem criar crescimento e vencer incumbentes mais poderosos;
- A Teoria dos Recursos, Processos e Valores, que estipula que os recursos, sobretudo do conhecimento, os processos ligados à actividade da organização e os valores que tornam a organização um corpo coeso, colectivamente, definem os seus pontos fracos e fortes no ambiente competitivo;
- A Teoria da Evolução da Cadeia de Valor, que estabelece os princípios de avaliação das opções do desenho organizacional, de modo a garantir um modelo competitivo de sucesso.
Christensen considera que a aplicação destas teorias ao passado das organizações permite, se convenientemente usadas, prever o seu futuro e que as teorias da inovação podem ajudar a prever alterações globais na indústria.
A partir deste pressuposto, o livro propõe um modelo de evolução das organizações, com três passos. Detecção, análise e avaliação dos "sinais de mudança"; definição da arena onde se verificarão as "batalhas competitivas"; e as "escolhas estratégicas" que coloquem a organização no caminho competitivo adequado.
Quanto mais leio Christensen, mais o associo ao meu partido, o PSD.
O que é que aprendeu com o passado? Como utiliza os seus recursos, organiza os seus processos e define os seus valores? Como tem evoluído a sua cadeia de valor? Que preparação para as batalhas competitivas? Como avalia os sinais de mudança? Que opções estratégicas estabeleceu? Com que coragem enfrenta a necessidade da disrupção?
Se as elites do meu partido estudassem um bocadinho mais, reflectindo com profundidade e rigor, para os líderes actuarem com eficiência!
*Professor Associado Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 24 de Outubro de 2009
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Luís Mira Amaral* (www.expresso.pt)
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8:00 Quinta-feira, 15 de Out de 2009
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De acordo com uma directiva europeia, temos na Alta Velocidade duas categorias: Categoria I - Velocidades iguais ou superiores a 250 km/h (TGV em francês e AVE em castelhano); Categoria II - Até 200 km/h. Chamei-lhe nestas colunas Velocidade Alta (VA).
Para distâncias até 350 km, chegaria perfeitamente a Cat. II. Para as grandes distâncias, impõe-se obviamente a Cat. I. Assim sendo, entre Lisboa e Porto haverá passageiros mas não há distância para o TGV. Entre Lisboa e Madrid haverá distância mas duvida-se que haja tráfego para o TGV.
Os espanhóis aprenderam a lição de Madrid-Sevilha e vão aplicá-la nos troços Madrid-Barcelona e Madrid-Badajoz. As linhas só são viabilizadas através de paragens em cidades intermédias e, ao fazê-lo, puxam pela economia dessas regiões, colocando-as mais perto de Madrid. Assim, na estratégia espanhola (que aceitámos nos governos PSD/PP), ao fazermos o troço Badajoz-Lisboa, a capital portuguesa será equiparada a Sevilha e a Barcelona no beija-mão a Madrid...
Mas a grande questão para a nossa competitividade não é a velocidade dos passageiros mas a bitola europeia das nossas linhas para o transporte de mercadorias, por forma a que possamos, por via ferroviária, exportar e importar da Europa. Isso é que diminuirá os nossos custos de transacção.
Temos então que fazer linhas mistas em bitola europeia de passageiros e de mercadorias, com estas a circularem entre 100 e 150 km/h. Como é fácil perceber, a gestão das linhas mistas é tanto mais fácil quanto menor for a diferença de velocidade entre os comboios de passageiros e de mercadorias, o que nos levaria a privilegiar a Cat. II.
Acontece ainda que a ligação Lisboa-Madrid não é a mais adequada para colocar as nossas mercadorias na Europa. Para nós, seria mais directo Aveiro-Vilar Formoso-Irun.
Também crucial para a competitividade do porto de Sines será a ligação por ferrovia em bitola europeia ao interland espanhol e à Europa desse porto de águas profundas vocacionado para o transhipment.
*Professor de Economia e Gestão - IST
Texto publicado na edição do Expresso de 9 de Outubro de 2009
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Luís Todo Bom* (www.expresso.pt)
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8:00 Quinta-feira, 1 de Out de 2009
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Reli recentemente o excelente livro de J. Pfeffer e R. Sutton, "The Knowing - Doing Gap".
O livro é orientado para a investigação sobre os inibidores da acção nas empresas, mesmo as que possuem conhecimento, e está organizado em cinco capítulos fundamentais: 'Quando a conversa substitui a acção'; 'Quando a memória é um substituto do pensamento'; 'Quando o medo nos impede de actuar com conhecimento'; 'Quando as medidas obstruem o bom julgamento': 'Quando a competição transforma amigos em inimigos'.
Todos os capítulos são interessantes e reconhecemos neles um conjunto alargado de características não só das empresas portuguesas como da nossa sociedade em geral.
Mas olhemos mais de perto para o primeiro - 'Quando a conversa substitui a acção' -, que é desenvolvido em torno de quatro alíneas:
"Estar permanentemente a tomar decisões (que obviamente não se implementam), como um substituto para a acção. A adopção de uma organização baseada em projectos que nunca acontecem. A utilização sistemática dos media para anunciar as decisões.
"Realizar frequentemente apresentações como um substituto para a acção. A síndrome das apresentações em power-point. O equívoco de que a apresentação, por si só, acrescenta valor e é suficiente.
"Preparar documentos como substituto para a acção. A obsessão pela proliferação de normas, regulamentos, relatórios, estudos, projectos, que se esgotam em si próprios e não constituem a base para a decisão e a acção.
"Utilizar afirmações de missão como substituto para a acção. A insistência nas visões e missões grandiosas que se proclamam mas que não se concretizam.
Os leitores já identificaram, certamente, a maioria destes comportamentos na sociedade portuguesa, para os quais os autores do livro apresentam duas explicações:
"A conversa esperta acontece agora, as acções inteligentes só ocorrem mais tarde.
"Atribui-se às pessoas que falam muito mais status e influência.
Convinha que alterássemos, com urgência, este paradigma.
Construindo uma sociedade baseada no conhecimento e orientada para a acção.
E, no próximo domingo, temos possibilidades de o fazer.
*Professor Associado Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Setembro de 2009
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Luís Mira Amaral* (www.expresso.pt)
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8:00 Quarta-feira, 16 de Set de 2009
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Dez anos no governo e vinte anos no PSD levaram-me a perceber que o estado-maior do PSD assumia como assuntos importantes apenas as finanças públicas, o sistema financeiro e as funções de soberania.
Pontualmente, por reacção à esquerda intelectual, os temas da cultura e da ciência (que não da tecnologia) eram aflorados. As questões da economia real, da energia, do desenvolvimento tecnológico não eram temas nobres para o estado-maior. Serviam apenas para manter entretida a infantaria...
Havia e há, como se viu agora, uma excepção: as PME. Aqui, porque elas são muitas e por mais que um governo apoie, ficam sempre muitas de fora, a abordagem do tema tem um grande upside eleitoral. Por isso, o actual PSD desceu à economia real num voo rasante sobre as PME. Mas na energia e no famoso choque tecnológico o PSD é totalmente omisso. O eng. José Sócrates percebeu muito inteligentemente que nestes temas se poderia passear à vontade. O PSD critica o actual Governo pelo défice público que vai deixar, esquecendo o que deixou ao actual Governo, mas deixa passar em claro que o actual Governo nos deixa um défice tarifário na energia preocupante de cerca de 2 mil milhões de euros.
Não posso também deixar de sorrir quando vejo o actual PSD propor que a CGD se preocupe com as PME. Ao chegar à CGD em 2002 num governo PSD/PP, constatei com espanto que a CGD não integrava o Sistema de Garantia Mútua (SGM) que montei no PEDIP II em 1991 e vocacionado para apoiar as PME, sistema que o actual Governo veio e bem aproveitar para as linhas de crédito às PME.
Os bancos privados estavam no sistema e a CGD não! O homem de confiança do PSD na CGD (que já tinha sido aliás de confiança do governo PS Guterres) não se preocupava com tal. Bem tentei então recentrar a CGD nas PME e metê-la no SGM mas a então ministra das Finanças do PSD deixou-me a falar sozinho...
Vem agora o PSD preocupar-se com o papel da CGD no apoio às PME.
Como diz o povo, mais vale tarde que nunca...
*Professor de Economia e Gestão - IST
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Ver 10, 20, 50 resultados por pág.
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