O novo sistema foi criado pela empresa portuguesa MDUSpace no Centro de Incubação de Empresas da Agência Espacial Europeia
A Autoeuropa, em Palmela, está a recorrer à tecnologia espacial para controlar a sua linha de produção e montar os painéis de instrumentos dos automóveis que fabrica.
Com efeito, a velocidade e a posição de cada carro são controladas com a mesma tecnologia que permite a acoplagem de uma nave à Estação Espacial Internacional.
O novo sistema foi criado pela empresa portuguesa MDUSpace no Centro de Incubação de Empresas da Agência Espacial Europeia (ESA), na Holanda, organização de que Portugal é estado-membro.
O funcionamento desta tecnologia baseia-se nos conceitos de reconhecimento e seguimento de objectos usados na acoplagem do Veículo de Transferência Automatizado (ATV) europeu à Estação Espacial Internacional (ISS). O equipamento foi instalado na unidade de Palmela da Volkswagen em 2009 e está neste momento a ser avaliado.
"As linhas de produção da indústria automóvel baseiam-se num tapete rolante que transporta os carros para serem montados por trabalhadores ou robôs, a uma velocidade controlada, mas não constante", explica Miguel Brito, do departamento de Desenvolvimento de Negócios da MDUSpace.
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| O ATV usa uma câmara para detectar impulsos de luz reflectidos por pontos específicos da estação espacial |
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Quando se trata de encaixar o painel de instrumentos, a montagem é feita habitualmente por um manipulador, um posicionador de peças robótico controlado manualmente.
Velocidade espacial
"À medida que os carros se vão deslocando no tapete, o manipulador desloca-se também, exactamente à mesma velocidade. Mas se for mais depressa ou mais devagar que o carro pode riscá-lo ou provocar outro tipo de danos", adianta Miguel Brito. O método tradicional de resolver este problema envolve a colocação do manipulador no carro, durante a montagem, o que pode esforçar a sua estrutura. Ou então sincronizam-se as velocidades do carro e do manipulador, o que exige sistemas de controlo complexos e caros.
O novo sistema da MDUSpace combina uma câmara com software de reconhecimento de objectos, de modo a garantir que o manipulador e o carro seguem exactamente à mesma velocidade e mantêm as posições relativas.
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| A nova tecnologia serve para montar painéis de instrumentos nos automóveis |
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Na actividade espacial, para a aproximação final e acoplagem, o ATV usa uma câmara para detectar impulsos de luz reflectidos por pontos específicos da estação espacial. Analisando os padrões reflectidos, o software de controlo determina com precisão a distância e o ângulo até ao porto de acoplagem.
No processo de fabrico e montagem de automóveis, o operador escolhe os pontos de referência no carro como um alvo do sistema de reconhecimento de objectos. A partir daí é calculada a distância do manipulador até ao carro, retendo automaticamente as posições relativas.
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sobre a tecnologia
COMO SE FAZ A ACOPLAGEM À ESTAÇÃO ESPACIAL
1. De 17 em 17 meses, o Veículo de Transferência Automatizado (ATV) da Agência Espacial Europeia abastece a Estação Espacial Internacional (ISS) com 7,7 toneladas de equipamento, comida, ar e água.
2. O ATV tem um sistema de acoplagem automático com a ISS. Uma ligação de laser directa à estação permite ao ATV navegar com precisão em direcção à doca da ISS, usando tecnologia GPS.
3. A uma distância de 249 metros, os computadores do ATV usam instrumentos laser para calcular a distância e a orientação da ISS para a aproximação final e acoplagem.
4. A aproximação abranda à velocidade de sete centímetros por segundo, e a acoplagem é completada de forma autónoma com uma precisão de 1,5 centímetros, enquanto as duas naves giram à volta da Terra a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora.