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Toma conta disto, António!

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
8:00 Segunda-feira, 9 de Nov de 2009
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Para um professor universitário de Economia não deve ser difícil entender todos os estudos económicos do novo plano rodoviário que o Ministério das Obras Públicas mandou fazer, com destaque para as sete concessões que as Estradas de Portugal já adjudicaram, as duas que estão a concurso e as quatro que ainda vão ser lançadas. Mas se António Mendonça, o novo ministro das Obras Públicas, não quiser dar-se a esse trabalho, ou não quiser que o seu secretário de Estado, Paulo Campos, lhe explique, aqui ficam algumas dicas.

1 Portugal já é um dos países da Europa que mais quilómetros de auto-estradas por habitante tem. No total existem 2613 quilómetros e já foram adjudicadas mais 419, o que nos vai colocar no segundo lugar neste ranking.

2 Estamos na cauda da Europa em termos de taxa de motorização (temos 405 carros por 1000 habitantes, valor inferior à media da UE a 27, a 25 e a 15).

3 Um número considerável das actuais auto-estradas e quase todas as projectadas não têm tráfego suficiente para justificar a sua existência (15 mil carros por dia). O investimento público é uma ferramenta importante da política económica, mas as infra-estruturas têm de servir para alguma coisa (acho eu).

4 Os consórcios estão a repartir entre eles o famoso pacote do plano rodoviário num negócio que é um Euromilhões para as empresas e um buraco para os contribuintes. O Estado assume quase todo o risco da operação. Mais de 70% do dinheiro que serão pagos é a título da disponibilidade de infra-estrutura. O resto é de acordo com o tráfego. De todos os quilómetros que vão ser construídos só 11% irão ter portagens, ou seja, mais uma vez são os contribuintes que vão pagar para que exista uma auto-estrada, por exemplo, entre Celorico da Beira e Macedo de Cavaleiros. Sem desprimor para as pessoas que moram naquela região, era necessário construir mesmo uma auto-estrada ou podia optar-se por outra solução menos cara?

5 Os privados vão começar a construir já, mas o Estado só vai começar a pagar daqui a cinco anos. Este hiato de tempo implica um custo financeiro enorme. Se imaginarmos uma taxa de juro de 5% ao ano estamos a falar de um aumento nos custos de 30%.

6 Não se sabe ao certo quanto tudo isto irá custar (Tribunal de Contas, por favor, esclareça-nos), mas contas feitas com os dados disponíveis apontam para um custo total de €20 mil milhões, o que implica um pagamento de €1000 milhões por ano às concessionárias.

7 Do custo inicial que os estudos apontavam as obras adjudicadas até agora já custam mais €1100 milhões.

8 Por tudo isto e mais, o Tribunal de Contas chumbou as duas primeiras concessões (ver página 8).

Caro ministro, olhe bem para aqueles projectos e depois explique-nos, como economista, se estas obras fazem sentido.

João Vieira Pereira

Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Novembro de 2009

 

10 comentários
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Esta visão ....
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 0:06 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
.... de que tudo quanto se constrói deve ser apreciado apenas do ponto de vista da "rentabilidade económica" é uma visão muito redutora.

Os benefícios induzidos pela construção das infra-estruturas, imediatos e a obter futuramente, vão muito para além dos simples cálculos apresentados.

Assim, se algum resultado pode ser obtido pela reanálise dos números já conhecidos, afectados a cada um dos projectos, de per si e não globalmente, o investimento não pode ser posto em causa, sob pena de os custos de não realização superarem muito os custos da realização.

Por acaso já alguém se deu ao trabalho de avaliar o decréscimo dos acidentes de viação, com todos os custos associados - humanos, sociais e económicos - em resultado dos sucessivos melhoramentos introduzidos na infra-estrutura rodoviária, nomeadamente AE e IP?

Por acaso já alguém se deu ao trabalho de avaliar os custos de reparações resultantes de degradação prematura dos órgãos mecânicos das viaturas que circulam por estradas do século passado? do sobrecusto de combustível, de lubrificantes, de travões e pneus, em função do excesso de curvas e contracurvas e do factos de a maioria das estradas atravessarem aldeias, vilas e cidades, como se de verdadeiros arruamentos urbanos fossem?

Por acaso já alguém se dispôs avaliar o sobrecusto resultante do sobretempo utilizado pelas viaturas, especialmente afectadas às empresas e profissões liberais, com manifesto peso na perda de competitividade?

Enfim ...

Cump
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João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 10:26 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
Ingenuidade
ESeixas (seguir utilizador), 1 ponto , 22:19 | Segunda-feira, 9 de Nov de 2009
Meu Caro João, Tanta ingenuidade a sua! As grandes obras que já nos empeharam e as que nos vão aumentar o endividamento destinam-se a engordar a canalha que tomou conta d'Isto. Esta é a sua intenção e assim sendo estão correctos. Os contribuintes que vão pagando até um dia... se indignarem.
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se todos seguissem a sua mentalidade
acaa (seguir utilizador), 1 ponto , 23:17 | Segunda-feira, 9 de Nov de 2009
Caro João. É com bastante desagrado que li esta sua opinião, onde mostrou uma mentalidade despegada da realidade, ignorante desta diria mesmo. Para começar entre Celorico e Macedo nao será construida uma auto-estrada, como afirma, mas sim um IP. Segundo, antes mesmo de pensar se esse itinerario irá ou nao ser rentavel(a seu ver só assim se poderá construir) temos que ver que infrastuturas existem no momento. Estradas onde em muitos lugares nao se consegue andar, com segurança, a mais de 50km/h num veiculo ligeiro(nem vou falar dos pesados) e que servem de ligaçao principais entre capitais de conselho(macedo-vila flor-alfandega da fe-torre de moncorvo-foz coa). aconselho-lhe a alguma vez tentar fazer esta viagem... verá o quao perigosa é e o quao necessario é uma(varias) estrada(s) com melhores condiçoes. pense bem, Como poderá uma região evoluir quando nao tem sequer condições de transporte? estamos aqui encravados e qualquer iniciativa que possamos ter é sempre travada por mentes pseudo-sabedoras e donas de toda a verdade como a sua. antes de criticar verifique a realidade . estas estradas sao mais que necessarias. sao um BEM a esta e outras regioes e sao uma justiça que á muito deveria ter sido feita e que poderá vir a salvar esta regiao do seu abandono.
Esperemos que a ajuda nao venha tarde demais
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    Re: se todos seguissem a sua mentalidade    Ver comentário
João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 10:30 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
    Re: se todos seguissem a sua mentalidade    Ver comentário
acaa (seguir utilizador), 1 ponto , 10:41 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
    Re: se todos seguissem a sua mentalidade    Ver comentário
João Vieira Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:16 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
    Re: se todos seguissem a sua mentalidade    Ver comentário
acaa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:46 | Terça-feira, 10 de Nov de 2009
Toma António. É bom senso.
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 20:32 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Bom senso, é o que evita a construção de estádios de futebol, sem se verificar clubes e espectadores.

Bom senso faz, à beira do precipício, não dar o passo.

Não tenho conhecimentos, sobre os investimentos em questão, para refutar os argumentos dos comentadores. Porém, já ouvi semelhantes para:

- Pontes (necessárias)

- Aeroporto (imprescindível)

- Alta Velocidade (indispensável)

- Barragens (vitais)

- Auto-estradas (inevitáveis)

- Submarinos (essenciais)

E depois? Seremos como os proprietários de prédios desocupados, recém-construídos. Sentados na loja/imobiliária, olham-nos com expressão interrogativa: Então??

Os adeptos do p'ró investimento, tornaram-se o equivalente ao médico que nos tenta convencer que a operação plástica ao rosto, cura o cancro do pâncreas.

JVP, apresenta dados e factos apelando ao bom senso. Trabalho meritório no alerta, mas infrutífero no combate.

Se cada um se convencer que obtém tudo o que pretende, não há bom senso que o convença a não aproveitar. Se não for ele, é outro.

Entendo que JVP considera seu mais forte argumento, o país real. Espero que continue, resistindo às inevitáveis pressões e que não "desapareça" como muitos outros.

  Apesar do meu anterior "gracejo" que a ordem, "altere o texto", não surja.

Realmente um País sem dramas sociais, é muito mais agradável. O êxito da "second life", não é por acaso.

cumprimentos

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Toma conta disto, António!
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 23:12 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
João Vieira Pereira (www.expresso.pt)

Ah, se as minhas simples palavras o pudessem encorajar a continuar a ser claro e não "yes" ou HMVoice !
Obrigado pelo seu claro aviso e dados concretos.

Se assim não fosse, com tanto betão, estádios desocupados, vias com traçado que mais são direito de passagem do que desenvolvimento para o país (nosso), às moscas, mal contruídas com defeitos e inseguras, sempre em obras, ...
Se assim fosse e daí decorresse uma carrada de outros benefícios de outra ordem, ... já seríamos, há muito, um país rico, desenvolviodo , etc, etc!

Ninguém pára os consórcios. Se vier o embargo, continuam a contruir e discutem depois !!!
É um faz de conta , um "logo se vê". Algém há-de pagar!

Basta de promessas, miragens .... basta-nos a realidade do nosso inssucesso, pobreza e o que é mais grave, pouca gente e gente mal preparada para inverter a rota que seguimos.

Corações ao alto, clubes à parte e vamos "à pega de caras", quanto mais cedo melhor.
 
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