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A bicicleta olissipográfica

É um erro absoluto pensar ou sequer insinuar que a bicicleta constitui mais do que um paliativo para o problema da mobilidade em Lisboa.

Ruben de Carvalho (www.expresso.pt)
8:00 Terça-feira, 20 de Out de 2009
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De forma algo inopinada, os lisboetas viram-se confrontados nos últimos meses, por um lado, com acesa polémica e, por outro, frenética actividade construtiva em torno de um até então improvável tema: bicicletas!

O transporte por bicicleta nunca foi especialmente utilizado na nossa capital, ao contrário do que sucedeu noutros pontos do país. Aliás, é simples verificar como, antes de o desporto se transformar em puro negócio, o ciclismo teve expressões de prática popular em zonas onde exactamente a utilização da bicicleta era comum. Recordem-se casos tão distantes como Águeda, Tavira ou Alpiarça.

É evidente que os problemas então discutidos sobre as condições de Lisboa para uso deste veículo se colocavam de forma diversa há meio século: o recorte das colinas lisboetas; uma rede de transportes ao tempo razoável, embora com preços elevados para as classes trabalhadoras; e, em terceiro lugar, a bicicleta era uma máquina com deficiências tecnológicas e cara.

Estas condições sofreram, todas elas, modificações. Os biciclos foram melhorados profundamente, desde o peso e materiais aos dispositivos de mudanças e travões; a cidade alargou-se para zonas de planalto onde a tecnologia igualmente gerou extensas terraplenagens niveladoras; pese o determinante metropolitano, a rede de transportes urbanos colectivos degradou-se (e não só pelo conflito com o automóvel como por erradas opções de gestão).

A divulgação do cicloturismo, nascido das preocupações ecológicas, de novos relacionamentos com a natureza e da preocupação com o exercício físico, somou-se ao anterior para criar entre nós um quadro que se desenvolvera mais noutros países da Europa, onde as condições anteriores sempre foram mais favoráveis ao uso urbano da bicicleta.

Deixemos para outras núpcias a manifesta inconsciência quanto ao lançar no trânsito citadino um movimento mal estudado do ponto de vista de segurança e responsabilidades, a discussão das ciclovias, as suas mimosas implicações eleitoralistas, as suas tortuosas relações com o Corredor Verde de Lisboa, os erros de planificação e consulta pública na sua implantação (ouça-se os comerciantes, olhe-se, por exemplo, o absurdo da Av. do Colégio Militar). Deixe-se em suspenso (sublinhe-se, em suspenso, que aqui a questão é mais melindrosa) as nada inocentes confusões dos concursos públicos das bicicletas partilhadas de aluguer.

Há, contudo, uma questão de fundo imediata. É um erro absoluto pensar ou sequer insinuar que a bicicleta constitui mais do que um paliativo - positivo, mas paliativo - para o problema da mobilidade em Lisboa: a solução reside, continua a residir, na valorização, melhoria e embaratecimento do transporte colectivo. O resto é demagogia.

Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Outubro de 2009

Palavras-chave  mobilidade  Lisboa   bicicletas
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Vou fugir do texto. De bicicleta
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:58 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
Tem razão. Quem gosta de "biciclar", "biciclou", "bicicla" e "biciclará" com ou sem ciclovias. A ciclovia, é a modernidade, em confronto com coisas antigas, como limpar a cidade todos os dias. Que os responsáveis da Câmara não "biciclam" (excepção durante a campanha eleitoral), sabemos nós. Basta dar uma mirada nas barrigas...

Ps. Sem ofensa, não podia tornar os seus textos menos densos? Mais simples. Eu sei que há sempre um intelectual dentro de nós, porém, pense nisso...
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Público-privado; colectivo-individual
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
Não creio que o transporte público possa resolver todos os problemas só por ser público nem o transporte colectivo só por ser colectivo.
O transporte público (colectivo ou individual) deve servir para satisfazer as necessidades da população naquilo em que o transporte privado não o consiga.
O transporte colectivo (público ou privado) deve ser promovido em detrimento do transporte individual, embora isso possa não ser viável para trajectos de pouca procura.
O transporte individual (público ou privado) em bicicleta ou outro é um complemento indispensável ao transporte colectivo no sentido de optimizar a sua exploração e facilitar a deslocação dos utentes entre a paragem do transporte colectivo e os locais de destino. Também, evidentemente, para deslocações curtas que não requeiram transporte público.
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CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 14:36 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
A pedalar ao ritmo eleitoral
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 15:40 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
As bicicletas são um meio de transporte que não resolve o problema de trânsito de Lisboa, nem de lado nenhum no país, apenas pode ajudar um pouquinho mas não são solução. Mas a ideia que fica do debate sobre o tema é que se tornaram num veículo para ser pedalado pelos mestres da demagogia e há por aí, por Lisboa. Muitos desses rapazes, não tem pejo em montar as "biclas" mesmo sem selim, o importante é conseguirem enganar alguém, no caso os eleitores. O Ruben de Carvalho tem de abandonar os discursos de verdade, onde é que eu já ouvi isto, e começar a usar dos mesmos argumentos da outra "maralha", caso contrário a CDU desaparece do mapa autárquico alfacinha. Repare que até o seu camarada Carvalho da Silva conseguiu dar ao pedal esquecendo a bicicleta ao apoiar subtilmente o camarda António Costa. Ninguém esperava uma coisa destas, ou seja, que o C. da Silva, fosse capaz de montar em osso e de pedalar em seco. Quanto ao recurso às pasteleiras como meio de transporte, é mais ecológico, mas não pega, tem limitações, não só as colinas de Lisboa, que não são fáceis de ultrapassar. A promoção que se tem feito pelo país na sua utilização, não passa disso, veja-se que cidades, onde tradicionalmente a bicicleta era utilizada, deixaram praticamente de ser ver, como é o caso da Marinha Grande.
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Palhaçada a pedal.
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 16:14 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
Palhaçada a pedal.
Irresponsabilidade e esbanjamento a turbo.
A palhaçada das ciclovias são um fenómeno e um case study.
Um reflexo do 3º mundismo que queremos iludir mas do qual não conseguimos fugir.
Um exercício de poder de um qualquer ... demagogo e deslumbrado no exercício das suas funções públicas e com dinheiros públicos.
Parcelas do território de uma cidade à mercê dos caprichos de um qualquer ... demagogo e deslumbrado.
Que quantidade de dinheiro esbanjado por capricho de um qualquer... demagogo e deslumbrado.
Um ... que se soube pôr à boleia de um candidato forte e que está para continuar.
Com que novas pérolas de sua iniciativa e nosso dinheiro nos irá brindar?
E Lisboa aguentará?
E os nossos impostos chegarão para tudo?
Portugal deixou de ser um país pobre, atrasado e provinciano e converteu-se num país vilipendiado, atrasado e anedótico.
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Barraca, Ruben!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 17:51 | Terça-feira, 20 de Out de 2009
Ca ganda barraca, Ruben!

Com aquela treta da transferência de votos para o António Coata, perdeste um vereador e ías perdendo o lugar.

Lisboa ficou melhor com os apelos que vocês fizeram ao voto no Costa? Acho que não, antes pelo contrário.

Pra próxima ficas sem o lugar. Vê se te começas a portar como um homenzinho!
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Acha?
paulonuvem (seguir utilizador), 1 ponto , 23:05 | Quarta-feira, 21 de Out de 2009
Faço minhas as palavras de outra pessoa:

«Este artigo é surpreendente!
 
Isto seria como dizer que para uma vida saudável, fazer desporto ou ter uma alimentação saudável é apenas "um paliativo" - nada resolve.
 
A bicicleta em Lisboa, à escala de toda a cidade, não resolve nada, sózinha. Mas nas curtas-distâncias e desde que o declive o permita, o que acontece na maioria da área de cidade, resolve até sózinha. E quando articulada com o transporte público, aí resolve em Lisboa e na Área Metropolitana.
 
O que é que move Ruben de Carvalho a dedicar um artigo a denegrir a bicicleta em Lisboa? Será que a bicicleta está bem para todos mas só até começar mesmo a ser implementada?
Que dirá a Mairie de Paris deste artigo? Ou de Copenhaga?
Ou Londres? Ou Munique? Ou Barcelona? Ou Sevilha?
Ou todas as cidades onde a bicicleta recentemente entrou e ganhou direitos de cidadania nos transportes e resolveu problemas globais de mobilidade?
 
Deixo uma sugestão de outro artigo para Ruben de Carvalho, na mesma lógica:
 
"O peão olissiponense - É um erro absoluto pensar ou sequer insinuar que andar a pé constitui mais do que um paliativo para o problema da mobilidade em Lisboa"» ;)
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