Intrigas e paixões no "esquisito" ano de 2044 é o tema central do mais recente livro de Mário Zambujal, a ser lançado hoje, pelas 18h30, no Maxime, em Lisboa. A novela 'Uma Noite Não São Dias', cheia de humor e ironia, é uma publicação da editora Planeta.
A obra conta a história"escaldante" de Grace e Antony numa Lisboa futurista, dominada pelas mulheres e pelas máquinas.
Na Lisboa de 2044, há falta de privacidade, toda a gente sabe tudo de toda a gente, portas e elevadores obedecem à instrução de vozes, a Polícia de Protecção Interna tem o seu posto na Praça da Ordem e Serenidade, a Avenida Vertical dispõe do seu próprio canal de televisão que emite aconselhamento cívico, e há um Parque das Tentações.
O autor adverte: "Não se trata de antecipação científica". Mas sim de uma "caricatura da sociedade lisboeta daqui a 35 anos", com os seus problemas, dificuldades, engarrafamentos e todas as vicissitudes do avanço das novas tecnologias e da mudança nas comunicações.
Mário Zambujal, escritor e actual presidente do Clube de Jornalistas, diz que qualquer semelhança com o livro '1984', obra de ficção científica do conhecido autor britânico Eric Arthur Blair conhecido como George Orwell, é mera coincidência. Curiosamente, entre 1949 - ano da publicação da primeira edição do mais famoso de George Orwell - e 1984, passaram-se 35 anos.
'Uma Noite Não São Dias' não tem qualquer cariz político, diz Mário Zambujal, e foi escrito para divertir o leitor.
O escritor que escreve à mão
Com seis livros publicados, somente agora Mário Zambujal passou a vestir a 'pele' de escritor, designação que demorou a aceitar por achar que era um título que não lhe pertencia, e por ser avesso à rotulações.
O autor de 'Histórias do Fim da Rua', 'À Noite Logo Se Vê', 'Fora de Mão', 'Primeiro As Senhoras' e 'Já Não Se Escrevem Cartas de Amor' ainda escreve os seus textos à mão, transcrevendo-os depois para o computador.
Mário Zambujal diz que é capaz de acordar e escrever às escuras. "A mão obedece à mente, instintivamente. Não preciso andar à procura dos 'pês', dos 'bês' nem dos 'agás'", afirma. O escritor entende-se pouco com o telemóvel e confessa uma incompatibilidade com as máquinas, as quais - cito -"implicam muito mais comigo".
Antigo chefe de redacção de "O Século" e do "Diário de Notícias", director-adjunto do "Record", do "Mundo Desportivo" e dos semanários "Se7e" e "Tal & Qual", Mário Zambujal foi também subdirector do canal 2 da RTP.
Destacou-se também como redactor de "A Bola" e "O Jornal" e, ainda, como apresentador de programas televisivos. Produziu também textos para teatro e rádio.