Rui, ‘ciclista militante’, 1.º classificado;
Pedro Couceiro, piloto profissional, 5.º;
António Costa, utente do Metro, 2.º;
Sr. Pedro, taxista, 3.º;
José Sá Fernandes, ‘ciclista de ocasião’, 4.º
André Kosters/Lusa
Foi uma espécie de empate técnico: António Costa demorou 15 minutos de Metro entre as estações do Campo Grande e do Rossio; Rui Sousa, funcionário de um banco na Baixa lisboeta, uniu de bicicleta os mesmos dois pontos, levando 16 minutos.
O ciclista foi, no entanto, proclamado vencedor. Quando o presidente da Câmara chegou à esplanada do Café Nicola, já ele lá se encontrava. Estacionara calmamente o velocípede sem motor no passeio, enquanto o candidato, acompanhado por um grupo de jornalistas, calcorreava as galerias do Metro antes de subir ao Rossio.
A iniciativa de campanha da candidatura Unir Lisboa, liderada por António Costa, pretendia ser uma "acção de sensibilização, através da comparação de vários modos de transportes públicos". A data foi escolhida por uma razão óbvia; hoje é o Dia Europeu Sem Carros.
O objectivo foi conseguido. Os veículos de quatro rodas que competiram com António Costa foram derrotados sem apelo nem agravo. Um táxi, conduzido pelo Sr. Pedro, um militante socialista da Ajuda, demorou cerca de 27 minutos a descer do Campo Grande até ao Rossio.
Será um dia inesquecível para o Sr. Pedro: derrotou o piloto Pedro Couceiro, que conduziu um Porsche Carrera 4. A possibilidade de usar o corredor Bus explicam os três minutos de avanço dados ao automobilista.
Para atenuar a derrota de António Costa para o ciclista, há o facto de Rui Sousa ser uma espécie de profissional dos circuitos citadinos. Morador na Alta de Lisboa, desce todos os dias a cidade em direcção à Baixa, onde trabalha no sector informático de um banco. Sim, duas vezes, porque Sousa dá-se ao luxo de ir almoçar a casa. Outros ciclistas que entraram no teste, como o vereador José Sá Fernandes, demoraram cerca do dobro do tempo de Rui Sousa.
Costa: "Carro é a forma menos eficiente"
À mesa do Nicola, António Costa fez o balanço da jornada: "Ficou demonstrado que a forma menos eficiente de circular na cidade é o carro, por muita potência que ele tenha e muito experiente que seja o condutor, como é o caso do super-piloto Pedro Couceiro".
O candidato do PS salientou que o "grande desafio das cidades é o das alterações climáticas; e esse desafio ganha-se ou perde-se na mobilidade". De seguida, deu a palavra a Fernando Nunes da Silva - especialista em urbanismo e transportes -, um dos membros da sua lista. Se António Costa vencer, Nunes da Silva ficará com o pelouro da Mobilidade.
Há 16 anos, o líder da principal autarquia do país tornou-se conhecido do grande público quando, candidato à Câmara de Loures, organizou uma corrida entre um burro e um Ferrari. A prova consistia em subir a Calçada de Carriche na hora de ponta da manhã. No final, o jegue foi mais rápido do que a bomba do cavalinho. O objectivo era mostrar a necessidade de levar o Metro até Odivelas, algo que entretanto se tornou uma realidade.
Com o exercício desta manhã, António Costa pretendeu desmontar aquela que é, talvez, a mais sonante promessa eleitoral de Pedro Santana Lopes: um túnel que prolongue o do Marquês de Pombal, ligando a Avenida Fontes Pereira de Melo ao Campo Pequeno. "Hoje demonstrámos um bom slogan: se quer o túnel vá de metro", concluiu António Costa.