Lisboa, 16 Ago (Lusa) - Os partidos admitem alterar os formatos da campanha por causa da gripe A apenas se houver recomendações oficiais nesse sentido, mantendo por ora os planos iniciais com comícios, e iniciativas em espaços abertos e fechados.
Contactados pela Agência Lusa, os partidos políticos duvidam que a epidemia chegue ao ponto de justificar a suspensão de comícios ou outro tipo de iniciativas que impliquem grandes ajuntamentos de pessoas em espaços fechados, admitindo alterar os formatos de campanha se houver recomendações oficiais.
Questionado pela Lusa, o ministério da Saúde frisou que as orientações de "protecção de saúde individual e colectiva" que têm estado a ser emitidas dirigem-se a todos os indivíduos e entidades sociais.
Orientações que "irão sendo adaptadas face a cada cenário de evolução da infecção", acrescentou o ministério da Saúde.
Em comunicado recente, o ministério da Saúde sublinhou que "a disseminação da infecção é facilitada pela existência de grandes aglomerados populacionais e pela mobilidade das populações".
Para já, nenhum partido acredita em cenários de epidemia que justifiquem alterações de planos ou adaptações por antecipação, e defendem que não se deve alimentar alarmismos.
"Estaríamos num cenário em que já não funcionariam os cinemas, os teatros e outros recintos fechados. Se houver esse cenário, adaptaremos, será preferível organizar comícios ao ar livre", exemplificou o deputado do Bloco de Esquerda e médico João Semedo, em declarações à Agência Lusa.
"Se houver oficialmente recomendações gerais, além daquelas que já existem, para evitar a propagação do vírus nós adaptaremos as nossas iniciativas", acrescentou.
O coordenador da campanha eleitoral do PS, Vieira da Silva, disse que seguirá "as orientações que o ministério da Saúde emanar" e que a organização da campanha "fará tudo para que as acções decorram com normalidade, reforçando os princípios básicos" de higiene e protecção.
Vieira da Silva deu como exemplo dessa preocupação o facto de o jornal de campanha do PS, lançado quinta-feira, incluir uma página com as recomendações do ministério da Saúde sobre a forma correcta de lavar as mãos.
"Não creio que dada a natureza da campanha, ela acarrete um grande risco acrescido. A campanha não vai ser marcada por muitas concentrações em espaços fechados", disse Vieira da Silva.
A campanha do CDS-PP "mantém o rumo com muitos contactos públicos e deslocações a feiras", que só mudará se "as autoridades competentes aconselharem a redução desse tipo de contactos", afirmou o director de campanha do CDS-PP, João Rebelo.
Mais conferências de imprensa e a utilização da Internet para divulgar a mensagem política podem ser alternativas no caso de ser necessário evitar as iniciativas habituais para reduzir o risco de contágio, acrescentou João Rebelo, afirmando acreditar que não será necessário.
Do lado do PSD, o director de campanha, Agostinho Branquinho, defendeu que "não se deve dramatizar" a questão e considerou que o principal é "que não tenha enormes impactos" e que "os serviços de saúde estejam a postos e preparados para a realidade dos factos".
O PCP defendeu igualmente que "neste momento é preciso dar uma maior atenção às medidas por parte do ministério da Saúde necessárias à prevenção e combate à gripe A".
Recusando "linhas de especulação e empolamento", Vasco Cardoso, da comissão política do PCP, assegurou que o partido "tomará as medidas adequadas que em cada momento se verifiquem necessárias".
O novo vírus H1N1 da gripe A foi detectado pela primeira vez no México em finais de Março e a OMS declarou o estado de pandemia no passado dia 11 de Junho.
Portugal já ultrapassou a barreira dos 1000 casos de pessoas com gripe A (H1N1) desde que a doença foi registada pela primeira vez em Portugal, em Maio deste ano.
O aumento do número de casos de transmissão secundária e terciária já era esperado pelas autoridades de saúde.
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