Lisboa, 17 Jul (Lusa) - Alunos dos politécnicos admitem manifestar-se frente ao Ministério do Ensino Superior exigindo a realização dos exames que têm sido adiados devido à greve dos docentes, com quem estão "solidários".
"Se for preciso fechar o Ministério, fechamos o ministério, mesmo que isso signifique sermos presos pela polícia. Não temos medo", disse à Lusa Frederico Leitão, presidente da Associação de Estudantes (AE) do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL).
Este é um dos cenários que se coloca caso os alunos não consigam realizar os exames devido à greve dos docentes, que começou no passado dia 7 e poderá terminar apenas no final de Julho.
A eventual realização de uma manifestação só será decidida na próxima semana em reunião geral de alunos (RGA). Também no Porto, a AE do Instituto Superior de Engenharia vai realizar uma RGA na próxima terça-feira para decidir o que fazer.
"Já houve algumas manifestações pontuais de alunos que queriam fazer uma manifestação externa", disse à Lusa o presidente da AE, Thiago Oliveira.
Os docentes dos institutos politécnicos decidiram fazer greve durante a época de exames para contestar o processo de transição de carreiras.
Os alunos de Lisboa, Porto e Coimbra sentem-se "vítimas" deste protesto, já que não lhes é permitida a realização de exames.
Nos últimos dias, os responsáveis das associações de estudantes não têm poupado esforços para encontrar uma solução: reuniões de emergência com os conselhos executivos e pedagógicos, Assembleias-Gerais de Alunos que se prolongam até de madrugada, vigílias à porta das instituições, contactos com o sindicato e encontros com responsáveis governamentais.
Até agora solidários com os professores, sentem que o prolongamento da greve até ao final do mês poderá "tornar a situação insustentável", alerta Thiago Oliveira.
Mas os alunos ainda têm esperança de que a greve seja levantada até sexta-feira, permitindo a remarcação dos exames para as duas últimas semanas de Julho.
Já em Coimbra, o presidente da AE do Instituto Politécnico de Engenharia (IPEC), Filipe Gaspar, esteve quinta-feira à tarde reunido com o conselho executivo, tendo sido decidida a "calendarização dos exames até ao final de Julho".
"Não há garantias de que todos os exames se realizem", reconheceu Filipe Gaspar, lembrando a ameaça do pré-aviso de greve até dia 27 de Julho.
Quarta-feira à noite, alunos do IPEC fecharam as instalações a cadeado durante quatro horas, manifestando o seu apoio à luta dos professores, mas exigindo a resolução da situação. Quinta-feira, cerca de 40 alunos do Instituto Superior de Contabilidade de Coimbra (ISCAC) manifestaram-se contra a greve dos docentes às avaliações, reclamando a marcação de datas concretas para a realização dos exames.
SIM.
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