Lisboa, 28 Mai (Lusa) - A maioria dos portugueses não bebe a quantidade de líquidos recomendada, sendo a excepção as jovens entre os 14 e os 18 anos, revela hoje um estudo que faz a caracterização do aporte hídrico da população.
O estudo realizado pelo comité científico do Instituto Hidratação e Saúde envolveu uma amostra de 2.000 pessoas de ambos os sexos com idade entre os 14 e os 70 anos.
As recomendações diárias de água em adultos são de 3,7 litros nos homens e 2,7 litros nas mulheres, valores que podem ter de ser alterados em virtude de factores como o exercício físico e a temperatura, entre outros.
Tendo em consideração as recomendações do consumo de bebidas em relação ao sexo e idade, o estudo revela que, na população portuguesa, apenas as jovens de 14-18 anos parecem ter um aporte hídrico adequado (1,7 l/dia).
O estudo ressalva que apenas entrevistou 85 jovens raparigas neste grupo etário.
Os grupos etários superiores, dos 19 aos 70 anos, não ingerem líquidos suficientes, sendo a situação ainda mais grave nos homens: todos os grupos etários, dos 14-18 anos aos 51-70 anos, apresentam um défice estatisticamente significativo entre o aporte hídrico encontrado e o recomendado.
A situação é particularmente grave no grupo etário dos 51-70 anos em que são ingeridos 51 por cento dos líquidos recomendados para a idade e o sexo.
Os restantes grupos apresentam proporções de ingestão, relativamente aos valores de referência, de 72 por cento (14-18 anos), 61 por cento (19-30 anos) e 58 por cento (31-50 anos).
O maior aporte hídrico dos mais jovens poderá estar relacionado com um maior envolvimento em actividades desportivas que requerem um maior consumo de líquidos, refere o estudo, que tem uma margem de erro de 2,1 por cento.
Os autores do estudo referem que estes dados requerem uma "atenção especial" pelas consequências que o défice de líquidos pode ter na saúde, nomeadamente na "função cognitiva, na performance física e no desenvolvimento de várias doenças".
Salientam ainda a necessidade de se alertarem os grupos mais idosos para a importância de uma adequada hidratação, explicando que a menor sensação de sede que sentem pode ser "enganadora" relativamente às necessidades do seu organismo.
O estudo refere ainda que os mais jovens (14-18 anos e 19-30 anos) consomem menos água do que os restantes grupos etários, incluindo no seu aporte de líquidos uma maior ingestão de leite, iogurtes, batido e refrigerantes relativamente aos grupos etários mais velhos.
O estudo efectuou 7.731 abordagens a domicílios, com uma taxa de impossibilidade de aplicação do questionário de 55 por cento.
A taxa de resposta dos indivíduos que abriram a porta e a quem foi possível convidar para participação no estudo foi de 58 por cento, tendo sido analisados dados relativos a 2.049 indivíduos, 52 por cento eram mulheres.
O questionário visou a caracterização sócio-demográfica e clínica dos inquiridos, a determinação do aporte hídrico, a caracterização do grau de preocupação com a saúde, com a imagem corporal e com o estado de hidratação, a caracterização das atitudes e comportamentos face à alimentação e, por último, a caracterização do grau de prazer e saúde atribuídos a diferentes bebidas.
HN.
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