Faro, 19 Mai (Lusa) - O advogado de Leonor Cipriano no caso das alegadas agressões pediu hoje a abertura de novo inquérito no Caso Joana e a absolvição da mãe da menina, depois de João Cipriano ter confessado por escrito que tentou vendê-la.
A poucos dias da leitura da sentença do caso das alegadas agressões por inspectores da PJ, marcada para sexta-feira, Marcos Aragão Correia pede a abertura de novo inquérito e a revisão da sentença aplicada a Leonor, condenada a 16 anos de prisão.
Com o novo inquérito, o advogado quer que sejam identificados os alegados compradores de Joana e também que Leonor seja absolvida do crime de homicídio da filha, já que cabe "apenas" a João revelar o destino que deu à menina.
Ao documento, enviado hoje ao Procurador-Geral da República e à Imprensa, Aragão Correia anexa uma cópia de uma declaração de João Cipriano, em que o mesmo confessa ter tentado vender a menina, sem mais pormenores.
Segundo o advogado de Leonor, a confissão - escrita pelo "próprio punho" de João Cipriano -, vem corroborar a versão da mãe de Joana, que em Janeiro confessou por escrito ter consentido que o irmão vendesse a criança.
No documento, lê-se que a confissão do tio de Joana - embora não adiante pormenores sobre a localização do corpo -, e a de Leonor constituem os elementos probatórios "suficientes" para a abertura de novo inquérito.
Aragão Correia diz que João Cipriano apenas confessou a verdade devido ao "temor" que manifestou de poder ser morto dentro da prisão por reclusos "a mando dos criminosos que tentaram comprar Joana".
Assim, acrescenta o advogado, a confissão tem como objectivo que João venha a usufruir de protecção do Estado, já que é o "mesmo temor" que o impede de identificar os "outros criminosos" e indicar a localização do cadáver.
O novo inquérito teria como objectivo identificar os compradores de Joana e recuperar o corpo, diz Aragão Correia, sublinhando que como a venda não foi bem sucedida, apenas João Cipriano pode revelar que destino deu à menina.
Aragão Correia sublinha ainda que João Cipriano, que cumpre pena de 16 anos na Prisão da Carregueira, já tinha cumprido uma pena de prisão de sete anos por tentativa de homicídio.
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