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"Os bancos roubaram os sonhos e o dinheiro de muitas pessoas"

O Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, usa expressões duras como "depravação moral" ou "corrupção ao estilo americano" para classificar o comportamento dos bancos que esteve na origem da crise. Para Portugal, acha preferível que o Governo ajude mais às PME.

João Silvestre
18:11 Sexta-feira, 8 de Mai de 2009
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Perante uma audiência repleta de empresários, académicos, alguns políticos e estudantes, Joseph Stiglitz traçou um retrato cru da crise financeira. Sem meias palavras, o Nobel da Economia de 2001 - que partilhou com George Akerlof e Michael Spence - , um dos oradores convidados  da conferência Desafios Globais, Respostas Locais que decorre até amanhã no Centro de Congressos do Estoril, apontou o dedo a todos aqueles que considera responsáveis pela actual situação.

Começou pelo sector financeiro e pela forma como este se relaciona com o poder político. É aquilo a que chama "corrupção ao estilo americano", ou seja, um lobby contínuo da indústria financeira, através de contribuições para os partidos, junto das esferas do poder em Washington. "O sector não foi muito bom a escolher os investimentos financeiros mas foi muito bom a fazer investimentos políticos", lançou com ironia.  

Na sua opinião, foram estas relações de proximidade que permitiram aos EUA, o epicentro da crise, manter legislação demasiado laxista que ajudou a alimentar o problema. Mas os reguladores e os legisladores não foram os únicos culpados.

Stiglitz, aliás, fez questão de o frisar ao brincar com a ideia que, o facto de alguém cometer um crime por não ter um polícia por perto, não faz dele menos criminoso. Uma mensagem dirigida aos bancos americanos que aproveitaram para cavalgar a onda. "Esqueceram-se de fazer o que o sistema financeiro deve fazer", sublinha o economista. E lembra os processos de concentração e o forte aumento dos lucros, sublinhando que cerca de um terço de todos os lucros das empresas nos EUA virem deste sector. 

Um dos mitos que o Nobel fez questão de desmontar foi a enorme capacidade de inovação das instituições financeiras. "Os bancos não foram muito inovadores e até resistiram à inovação". Inovaram, isso sim, segundo o economista, na capacidade de contornar a regulação e na contabilidade.   

E usa mesmo expressões duras como "depravação moral das instituições financeiras" para classificar o comportamento dos bancos que, na sua opinião, "roubaram os sonhos e o dinheiro de muitas pessoas".

Sobre o papel dos bancos centrais, não tem dúvidas que a ideia de controlar apenas a inflação com recurso a taxas de juro de curto prazo falhou e apresenta um cenário negro sobre o futuro da economia mundial. Há duas hipóteses possíveis: "entrar num problema ao estilo japonês" ou uma "nova série de colapsos no sector financeiro".   

Em relação a Portugal, o Nobel reconhece que a participação na moeda única retirou instrumentos, mas lembra que há outras alternativas. Em declarações aos jornalistas, referiu que "uma deles é melhorar a disponibilidade de crédito" e tomar medidas para reduzir os spreads (diferenciais) cobrados pelos bancos. Stiglitz chama ainda a atenção para as pequenas e médias empresas (PME): "Numa altura destas, é preferível emprestar às PME que aos grandes bancos".

 

 

Palavras-chave  Crise  Stiglitz  Portugal  Banca  PME  Portugal  EUA
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As sereias
Rio Grande (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 3:48 | Sábado, 9 de Mai de 2009
O sistema financeiro, principalmente os bancos, são como sereias, que controlam a sociedade ocidental de agora, sem dúvida. Encantam, montam esquemas, esparramam gordos dividendos, mas não costumam arcar com o prejuízo, morrendo o amor na primeira onda. O levar vantagem através de um lucro muito acima do sustentável, é a atração que une uns e outros, no que se costuma chamar de torpeza bilateral, pois ambos sabem de antemão da sordidez do negócio, embora legal. Os bancos, em todo o mundo, resistem à clareza de seus negócios, das nuances políticas e da mistura fedorenta do crime organizado, que flui por sua veias. É o retrato da sociedade ocidental, neste momento, que é individualista, sectária, corrompida e narcisista. É sabido que o que não se consegue pela conversa, se compra ou se toma, por ato de guerra. É como nós ocidentais vivemos. É o modelo americano de administrar o mundo sob seu controle. O Império vê seus comparsas (leia-se Europa), ainda sob ocupação e, portanto, à sombra de Washington, para o bem ou para o mal. A Alemanha ainda está ocupada, com muitas bases e militares por lá. O Iraque foi pacientemente dividido com outras nações sob a influência americana e, a qualquer momento, terão de encarar o desastre do negócio, que não será apenas do Tio Sam. Wall Street, neste momento, não é tão só americana, mas um modelo ocidental de viver. O Prêmio Nobel tem razão, sim. E nada mudará profundamente, somente o suficiente. E é provável que piore, mesmo com gripes.
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Tempo verbal...
Malekas (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 9:04 | Sábado, 9 de Mai de 2009
O tempo verbal utilizado, devia ser roubam. Os bancos continuam a espoliar desgraçados com ordenados de 400 e 500 euros, enchendo-os de despesas de manutenção, anuidades de cartões, comissões por tudo e por nada. E a malta como reage ? Cantando e rindo e exibindo pacoviamente a carteira cheia de cartões. Ao fim do ano, se muitos fizerem as continhas, concluem que andaram a dar de comer a quem não precisa. Se a racionalidade primasse, outro galo cantaria. Mas a malta gosta mesmo é de visas e de muitos cartões na carteira. Podem não ter para liquidar a conta de pão na padaria. Mas para pagarem 20 e mais euros pela anuidade de um cartão que se encontra mais que pago, já têm dinheiro. Mesmo que seja debitado a descoberto, depois ainda pagam juros devedores. Eu sei que é difícil romper com esta espiral. Mas pensem no que vos custa ganhar o dinheiro e ponderam sobre a inutilidade de imensas despesas desnecessárias. Caso vos sobre algum, partilhem-no com os pobres. Não o dêm aos agiotas e batoteiros do sistema.
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Mias que tempo verbal, é sobre economia:
Márcio da Rosa (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 19:52 | Sábado, 9 de Mai de 2009
Pois eu concordo com os comentários dos colegas. Admiro o sistema Japonês e creio que se os países ocidentais tivessem os seus valores de respeito, isto não teria acontecido. E dito isto, é de chegar á conclusão que é na educação que está o futuro. Se as pessoas não sabem usar cartões de credito, ensina-se. se não sabem acerca de investimento, riscos e recompensas, ensina-se. Se não sabem sobre micro e macro, ensina-se. O pecado aqui é pensar que dinheiro e tudo o que ele envolve, é mau e nos leva ao inferno, mas a verdade é que a igreja não ia a lado algum sem ele. Está na hora de fazer o ensino de economia compulsivo nas escolas. Já acontecesse nos estados unidos e outros países nórdicos. Mais Há escolas no EUA que compensam os alunos com boas notas monetariamente. Se assim foce neste país, tinha-me dedicado mais ao estudo! e, engraçado, é essa a conclusão que chegaram na experiência. Acho isto melhor acção do que a fundação Gulbenkian fazer orquestras para jovens. Eu sou músico e sei aquilo que passo para comer. Quando mais iludir as crianças. Ensinem sobre a vida e não sobre sonhos. E boas leis, rápidas e para cumprir.
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É FÁCIL CULPAR DEMAGOGICAMENTE OS BANCOS...
afonso aguiar (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 20:37 | Sexta-feira, 8 de Mai de 2009
É fácil atirar as culpas para as instituições bancárias,mas elas também fazem parte do mercado e gerem-se pelos impulsos do mercado.
Logo,se os bancos erraram foi porque os impulsos do mercado estavam desregulados.
O que influencia os impulsos dos mercados são a ideologia ou ideologias dominantes na sociedade,isto é ,a cultura ou culturas dominantes.Se estas foram e são erráticas trazem obviamente consequências nefastas para os mercados,para as instituições bancárias e para as sociedades em geral.
Posto isto,podemos afirmar que a grande recessão que estamos a atravessar teve origem em culturas erradas e de "contra natura" que se instalaram de forma arreigada nas sociedades e agora é difícil removê-las mudando assim rapidamente a conjuntura para uma situção favorável.
Agora não é facil "descalçar a bota"...
As mudanças ou reposições culturais levam o seu tempo...
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