Jaime Ramos (virado para trás) durante a sessão de hoje, em que protagonizou um incidente no Parlamento madeirense
Diário de Notícias da Madeira
A Assembleia Legislativa da Madeira assinalou hoje o 25 de Novembro, numa sessão solene marcada pelo boicote de metade dos partidos da oposição, pelas críticas da outra metade pelo facto do Parlamento não comemorar o 25 de Abril, e ainda pelos insultos de Jaime Ramos a um deputado do PCP.
Partido Socialista, Bloco de Esquerda Partido da Nova Democracia faltaram à sessão e, por isso, não ouviram o líder parlamentar do PSD chamar "chulo da sociedade" e "fascista" a Leonel Nunes, na sequência de um discurso em que o deputado comunista teceu fortes críticas à forma como os social-democratas governam a Madeira.
Mas a linha condutora dos discursos da oposição foi o 25 de Abril. O próprio Leonel Nunes lembrou que, desde 1996, a Assembleia comemora com "pompa" o 25 de Novembro enquanto a 'revolução dos cravos' é comemorada como data de "somenos importância", conforme os "humores" de Alberto João Jardim.
"Esquecem-se que a Democracia, a Liberdade e a Autonomia são filhas de Abril e não de Novembro", frisou o deputado comunista, lamentando estas provocações de "saudosistas do passado fascista e feudal, e do cheiro a pólvora das bombas dos flamistas".
Por seu turno, o CDS-PP lembrou a importância do 25 de Novembro mas sem esquecer a importância do 25 de Abril. No seu discurso, o deputado centrista José Manuel Rodrigues aproveitou ainda para criticar "certas mentalidades" que não mudaram ao longo de 33 anos e apontar o dedo a um sistema que "limita a liberdade dos cidadãos" e cria "bloqueios à sua intervenção" na vida política, económica, social e cultural.
A intervenção do PSD-Madeira coube ao deputado José Prada, que recordou o 25 de Novembro como um marco histórico que representa a restauração da democracia em Portugal. O deputado social-democrata aproveitou a sessão comemorativa para "denunciar as constantes campanhas do continente contra a Madeira" e "a falta de respeito pelo Estado de Direito", lamentando o "alheamento institucional do Governo da República e do primeiro-ministro em relação à Região".
Fora do Parlamento, o Partido Socialista justificou, em conferência de imprensa, a razão da sua ausência no acto solene, lembrando as declarações proferidas em 2007 na sessão comemorativa do 25 de Novembro. "Celebrai, mas sozinhos", disse João Carlos Gouveia na Assembleia em 2007. Uma posição reiterada hoje: o PS só celebrará o 25 de Novembro quando a 'revolução dos cravos' for comemorada, garantiu o secretário-geral socialista.
O boicote do Bloco de Esquerda, por seu turno, foi também justificado pela inexistência de uma celebração do 25 de Abril. "O Parlamento recusa comemorar o fim da ditadura", disse o deputado Roberto Almada, garantindo que aquilo que existe na Madeira é uma 'Primavera Marcelista' que "ainda não acabou". Por isso, os bloquistas recusaram-se a "pactuar com esta encenação".
Jaime Ramos insulta deputado do PCP
"Foram 33 anos passados sob uma democracia vigiada, sob a batuta de um 'Duce', campeão de sucessivas maiorias asfixiantes, rodeado da sua corte", onde quem não concorda "é marginalizado, silenciado, posto de parte ou comprado". Esta foi uma das críticas que o deputado comunista Leonel Nunes teceu hoje contra o "regime jardinista", no seu discurso da sessão comemorativa do '25 de Novembro'.
Jaime Ramos não gostou e insultou o deputado comunista, chamando-o várias vezes de "chulo" e de "fascista". A bancada comunista pediu a intervenção do presidente da Assembleia, Miguel Mendonça, no sentido de por cobro àquele "insulto pessoal", considerado "inaceitável".
Jaime Ramos ripostou e, sob a passividade de Miguel Mendonça, ligou o microfone e justificou as declarações proferidas. "O deputado [Leonel Nunes] usou o meu nome várias vezes e segundo o regimento eu tenho o direito de me defender".