03/09/2010 atualizado às 1:42
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Segurança

Israel treina 'Rambos' portugueses

Deixaram tudo e pagaram €16 mil para receber treino especial em Israel. No futuro vão ser guarda-costas nos locais mais perigosos.

Henrique Cymerman, correspondente em Israel
22:30 Quarta feira, 19 de Novembro de 2008
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Filipe Serralha e Rui Gomes, os dois de frente para a foto, estão a receber treino militar numa das mais conhecidas academias de Israel
Filipe Serralha e Rui Gomes, os dois de frente para a foto, estão a receber treino militar numa das mais conhecidas academias de Israel
Sebastian Scheiner/AP

Samurais ocidentais, mosqueteiros modernos ou simplesmente mercenários a soldo. Tudo depende do ponto de vista. Entre os sete finalistas do curso da prestigiada Academia Internacional de Segurança, com sede em Herzlia (Israel), há dois portugueses que estão há dois meses a preparar-se para se tornarem especialistas de segurança e chefes de equipas de protecção. O seu destino: zonas de alto risco, como o Iraque, Afeganistão, Angola e outros países africanos ou da América Latina, ou a área da segurança marítima na luta contra os piratas em algumas regiões.

O director da academia, David Mirza, que no passado esteve à frente de unidades de elite da polícia israelita e libertou sequestrados em várias ocasiões, afirma que ser guarda-costas é a segunda profissão mais antiga do mundo, "embora esta seja mais necessária para se poder sobreviver".

Os agentes de segurança pagam €16 mil por um curso que os coloca no limite das suas forças físicas e psicológicas, mas em troca, e graças ao prestígio da academia, recebem salários que chegam a alcançar os €15 mil mensais.

Filipe Serralha, de 30 anos e com um filho de 10, habitante de Odemira, é um dos que mais se destaca no curso actual. Os monitores e os colegas chamam-lhe Rambo, pela sua parecença com Sylvester Stallone, mas também pelo que Mirza define como "enorme potencial, motivação e energia". "Além disso, tem outra grande vantagem", comenta o fundador da academia, "é um homem de acções e fala pouco".

Acompanhámo-lo num exercício em plena Autoridade Nacional Palestiniana e depois no centro de treino de Herzlia. Perguntamos a Serralha se as mãos nunca lhe tremem em tantas situações de perigo, e ele responde, taxativo: "É uma profissão perigosa, e tudo o que é perigoso tem de ser bem remunerado. As pessoas acreditam que os guarda-costas dão a vida por outra pessoa, mas não entendem que eu vou defender a minha vida para proteger outra. Não vou colocar o meu corpo à frente das balas, o que faço é treinar-me para estar um passo ou dois à frente do inimigo e reagir rapidamente".

Filipe, acompanhado por um francês e um estónio que estiveram cinco anos na Legião Estrangeira, confessa: "A determinada altura do curso, após várias semanas, sofre-se uma decadência física que leva a uma decadência psicológica. Mesmo assim, agora sinto que sou outra pessoa, mais seguro das minhas capacidades, mais preparado para usar a cabeça e fazer o que fazem nesta academia: não usar a arma somente para disparar mas também para dissuadir".

Rui Gomes, solteiro, de 33 anos, foi membro das forças especiais do Exército português durante sete. O guarda-costas, natural de Matosinhos, trabalhou várias vezes para empresas internacionais, protegendo homens de negócios em países africanos, como o ex-Zaire ou o Congo. "Se se quer ser bom, treina-se com os melhores, e sem dúvida que os israelitas estão à frente dos outros países muitos anos".

Enquanto falamos, Rui levanta a metralhadora da fábrica israelita Uzi e dispara dez vezes, enchendo de buracos o alvo que tem forma humana. "Os israelitas são mais agressivos e ensinam-nos que o que há a fazer é tomar sempre a iniciativa e surpreender o inimigo". E acrescenta: "Em Portugal, o guarda-costas que normalmente trabalha com o Governo praticamente não tem desafios. Nas zonas de alto risco, pelo contrário, um erro mínimo pode custar a vida".

Gomes suspira ao dizer que o mais difícil é que em todos os momentos há que tomar decisões debaixo de uma pressão enorme, colocando em prática o lema das Forças Armadas israelitas: "Difícil nos treinos, fácil no combate".

Um dos capítulos da preparação ensina-os a trabalhar como agentes secretos que são enviados pela sua empresa para uma determinada cidade considerada de alto risco, para recolher informação e preparar o terreno. "Medo não tenho, mas sentir receio, sem dúvida, é inevitável. Quem não sente receio não ama a vida", explica Gomes.

O objectivo dos dois portugueses é trabalhar na protecção de VIP em países de alto risco e de língua portuguesa, em África e também no Brasil. Segundo eles, são poucos os especialistas de segurança de nível máximo que falam português. Em Luanda, por exemplo, os empresários de diamantes que receiam roubos ou sequestros são excelentes clientes.

Até agora são 11 os portugueses que passaram por cursos deste tipo e de luta corpo a corpo na academia. De acordo com Gomes e Serralha, alguns deles estudaram "krav maga", uma arte marcial utilizada pelas forças israelitas que é considerada muito eficaz e que combina técnicas de karaté, judo, taekwondo e outras artes marciais. Nenhum descarta a possibilidade de vir a trabalhar no Iraque ou no Afeganistão, o que, segundo confessam, preocupa seriamente as suas famílias. "Quando vim para aqui, os meus familiares ficaram um pouco tristes, mas sou um profissional, aprendi aqui tudo o que podia para poder continuar com a minha vida, e eles vão ter de aceitar isso", explica Filipe.

Mirza e os outros monitores da academia instalam com os seus alunos um acampamento durante vários dias a 400 metros da fronteira com a Faixa de Gaza. "Durante o curso actual só caíram quatro mísseis lançados a partir de Gaza ao lado do nosso acampamento, mas foi suficiente para que a adrenalina atingisse um nível alto. No curso anterior caíram 40...", comenta Mirza.

Muitos dos exercícios são realizados em cidades palestinianas, porque são consideradas zonas de alto risco. Acompanhámos "os sete mosqueteiros da academia" à cidade de Jericó.

Chegámos em dois carros ao posto de controlo israelita. Os monitores não têm autorização para entrar na zona palestiniana, pois temem-se sequestros de israelitas. Rui e Filipe sacam dos seus passaportes portugueses, e Mirza avisa-os: "É uma zona hostil e não podem levar armas. Em caso extremo só poderão usar a luta corpo a corpo". E acrescenta: "Lembrem-se que nem todos os que usam uma "kefiah" são o Bin Laden, nem todos os árabes são terroristas".

Um dos sete faz o papel de um cantor canadiano e todos os outros rodeiam-no com os seus corpos. Na mesquita de Jericó, o "moazin" canta "Alá é grande", e as pessoas olham estupefactas para "os sete James Bond". Alguns polícias palestinianos observam-nos com desconfiança, acariciando as suas kalachnikov. Outros cumprimentam-nos e convidam-nos para comer o tradicional "falafel" numa pita (pão típico israelita). Após uma hora percorrendo a cidade, regressaram à fronteira com ar aliviado para resumir o exercício com os seus professores. Já mais tranquilo, Filipe conclui tanto o exercício como os dois meses de curso na academia israelita: "Aqui testam as nossas capacidades ao limite. Todos sentimos medo, mas os monitores ensinam-nos a controlá-lo".


Números

16
mil euros é quanto os portugueses pagam para ter este treino intensivo de dois meses num campo paramilitar

15
mil euros por mês é quanto esperam ganhar nas suas novas vidas profissionais, por este trabalho altamente especializado e arriscado

11
portugueses já passaram pelo campo israelita. No programa que agora decorre, há dois cidadãos nacionais na equipa de sete formandos


Disseram

"É uma profissão perigosa, e tudo o que é perigoso tem de ser bem remunerado"
FILIPE SERRALHA, 30 anos, oriundo de Odemira, um dos portugueses na academia israelita

"Em Portugal, o guarda-costas que normalmente trabalha com o Governo praticamente não tem desafios. Nas zonas de alto risco, pelo contrário, um erro mínimo pode custar a vida"
RUI GOMES, 33 anos, natural de Matosinhos, outro dos portugueses que se prepara para ser guarda-costas nos lugares mais perigosos do mundo


Texto publicado na edição do Expresso de 15 de Novembro de 2008

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E viva la muerte!
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 0:13 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Os meus parabens pela nobre profissão dos formadores e dos formandos, que vos metam na moleirinha a necessidade de defender a seita mais criminosa do mundo Com o proprio corpo E, se transformem todos em kamikases em defesa do capital financeiro: o único que produz bens para vocês comerem.
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Eu nao sou nenhum mercenário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 7:38 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Eu nao sou nenhum mercenário, nao tenho problemas nenhuns a entrar em Jeriho, Bethleheim, Ramallah, Nablis ou qualquer outra zona do West Bank. Também nao teria em entrar em Gaza, mas provavelmente o IDF depois nao me deixava sair. Nao percebo como fazem tamanha aventura só por passarem num check point com dois IDFs imberbes, para irem beber um copo ou verem um local sagrado como qualquer outro turista.

Por outro lado, acho vergonhoso que mercenários portugueses andem a entrar junto com forcas israelitas dentro do WB, o que é totalmente ilegal perante a lei de israel (e está bem imprimida quando se sai da zona controlada por israel que nenhum israelita tem o direito de entrar ali). Para além disso este tipo de provocacoes, se descobertas podem iniciar confrontos físicos violentos, mortes, acusacoes de espionagem e o fim do processo de paz.

Por fim, andarem a formar-se mercenários portugueses (segurancas sao os das discotecas, quem trabalha para a Blackwater e outras sao mercenários puro e simples), é uma vergonha para o país.
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    Ah...    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 11:59 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Incrível
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 8:16 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Um lugar que deveria de ser de paz, é uma fábrica e exportador de ódio. 16 mil euros para financiar o Holocausto 2.
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    Re: Incrível    Ver comentário
Sanxi (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: Incrível    Ver comentário
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:12 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: Incrível    Ver comentário
Sanxi (seguir utilizador), 1 ponto , 15:44 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Pois voce nao sabe muito...    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 15:53 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: Pois voce nao sabe muito...    Ver comentário
Sanxi (seguir utilizador), 1 ponto , 16:26 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    há uma 4ª via    Ver comentário
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:44 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: há uma 4ª via    Ver comentário
Sanxi (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: há uma 4ª via    Ver comentário
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:42 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: há uma 4ª via    Ver comentário
Sanxi (seguir utilizador), 1 ponto , 22:16 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    Re: há uma 4ª via    Ver comentário
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:14 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
    O futebol é na sala ao lado... Thunder.    Ver comentário
Brinca Nareia (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Sexta feira, 21 de Novembro de 2008
    Re: O futebol é na sala ao lado... Thunder.    Ver comentário
Ó ABREU (seguir utilizador), 0 pontos , 18:04 | Sexta feira, 21 de Novembro de 2008
sem interesse
portamoedas (seguir utilizador), 1 ponto , 9:11 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Nao interessa a ninguém este tipo de informaçao, como disse o comentario anterior, so traz odio e + violencia, 16 000 euros pra defender ladroes, quanto custa um curso de medecina numa faculdade, o que é que estes homens vao produzir? mas o que é isto, esta tudo doido, como dizia o outro fecha-se uma escola abre-se uma prisao, e é o que os leaders politicos e da finança estao a fazer, criar odio enquanto eles estao la no quentinho, nos conflitos so ganham os que vendem as armas, e uma delas sao os média que pertencem ao mundo da finança.
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Um autêntico sonho para quem gosta de perigo!
Interior mal Amado (seguir utilizador), 1 ponto , 10:10 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Devo sublinhar que estou profundamente feliz, por ver homens Lusos com tamaha coragem. Assim, é que faremos história! Deixar o nome de Portugal pelo mundo é um enorme prestigio. Continuem e espero ver mais candidatos. "A alma Portuguêsa é fazer História da raça Lusitana"! Parabens.
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    Re: É RECENTE OU É COISA JÁ ANTIGA?!    Ver comentário
RenewFersal (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
Portugal tem Râmbos?
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 14:20 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
... Onde estão?
... Nas Dokas e no Bairro Alto só vejo rufias e músculos de aminoácidos!
... Kuando observam uma koisa preta de plástiko vão logo a korrer para o WC.
... O ke se inventa sobre os portugueses: agora dizem que há rambos!!
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Mentiras.
brunoneto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:30 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
É a continuação do espectáculo bélico e horrível que espalha o terror nas populações ocupadas. E senhor Cymerman, não abuse na propaganda sionista, quando fala constantemente em israel e nas suas tradições, em especial em comida, por favor não seja falacioso e tendencioso, a apropriação dos territórios, da cultura, da comida, da água, dos campos agrícolas, das aldeias e cidades, das pessoas e das suas liberdades fundamentais são de factos estas as tradições sionistas. One country, one human = one vote.
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    APOIADO    Ver comentário
THUNDERSTORM 1 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:52 | Quinta feira, 20 de Novembro de 2008
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