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Iniciativa na UTAD

Apagar as luzes, acender as consciências

Sensibilizar para as dificuldades dos invisuais. Na cantina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) o jantar foi às escuras.

Eduarda Freitas
19:22 Sexta feira, 14 de Novembro de 2008
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E se na cantina não houvesse luz? E se os olhos vendados, não permitissem ver o espaço? E se os talheres, os copos, os pratos se transformassem em obstáculos? Esta noite, os alunos do curso de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humana da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), decidiram transformar os "e se..." num jantar às escuras. Para que todos pudessem ver os problemas.

"Não está fácil! Isso está muito apertado!". Não, não está. Não está apertado. Para quem vê é fácil dizê-lo. Só que neste jantar, para quase todos, a opção foi não ver. Com uma venda preta nos olhos e as luzes apagadas, os alunos dos cursos de Reabilitação Psicomotora e Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade da UTAD foram-se sentando à mesa.

Com o tabuleiro do jantar na mão, mas guiados por colegas sem vendas nos olhos, passo a passo, foram descobrindo a sala, criando pontos de referência. Tudo para chegar à mesa, que habitualmente tão bem conhecem. "É por aqui?!". Raquel hesita entre um sorriso e o receio. "Não, não ...é pela esquerda. Ao contrário!". A voz é do colega que a guia. "Parece apertado o espaço. Como é que eu me sento? Eu não vejo nada! Estou a ir bem?".

De todos os lados, de todos os olhos vendados, as perguntas repetem-se, sobrepõe-se. "Ai! Estou a ir bem?". Devagar, as mãos procuram os talheres. Acertam no pão, quase entram no copo de água. Tacteiam o espaço, encontram o guardanapo.   "Ainda não consegui começar a comer...", lamenta-se Ana Teixeira. Um colega, pergunta quem está ao lado. Pergunta-lhe o nome. Quem está ao lado não responde. Nova insistência. O rosto, impávido, parece não sentir a pergunta. Só quando alguém lhe toca no braço, é que se percebe que estão a falar com ela. "Ah! Desculpa. Não estava a perceber que a pergunta era para mim! Sou a Anabela". É um dos sinais que os olhos de Anabela estão bem tapados.

"Sem ver também é mais dificil saber quando estão a falar connosco!", diz. As duas amigas do curso de Reabilitação Psicomotora, segundo ano, estão fascinadas com a experiência. "E agora?", diz Ana enquanto com as mãos procura o pão. "Em frente, em frente. Está aí a cadeira!", diz António Ventura. "Onde?", pergunta o professor. "Aí, aqui, em frente", responde António. "Aqui, onde? Eu não vejo! Tens que conseguir explicar melhor!". Não é fácil. António passa a mão pelo braço do professor, leva-o até às costas da cadeira. "Aqui!". Só que as palavras parecem pequenas para ensinar o espaço a quem não o vê.

"Não basta dizer ao lado, à frente... tens que dizer que a cadeira está à minha frente, de costas, de maneira que eu perceba que tenho de me sentar à frente". Anabela complementa: "é preciso indicar a orientação da cadeira, verbalizar a localização dos objectos. Perceber a relação do objecto com o individuo". António é aluno do curso de Engenharia da Reabilitação, a única engenharia desta área em toda a Europa. "Ainda estamos a aprender, ainda não sabemos as técnicas correctas para ajudar à localização no espaço, por isso este jantar serve também para aprendermos com as dificuldades...", diz.

"Não basta dizer ao lado, à frente... tens que dizer que a cadeira está à minha frente, de costas, de maneira que eu perceba que tenho de me sentar à frente". Anabela complementa: "é preciso indicar a orientação da cadeira, verbalizar a localização dos objectos. Perceber a relação do objecto com o individuo". António é aluno do curso de Engenharia da Reabilitação, a única engenharia desta área em toda a Europa. "Ainda estamos a aprender, ainda não sabemos as técnicas correctas para ajudar à localização no espaço, por isso este jantar serve também para aprendermos com as dificuldades...", diz.

O prato como um relógio

Ao meio do tabuleiro, o prato. O pão do lado direito. A sopa do ladoesquerdo. A cima, a água. "Pena que a senhora da cantina não me tenha dito isso. Era mais fácil". Mário Trindade, atleta paraplégico, de olhos tapados, vai desvendando os segredos do tabuleiro. "Estou muitas vezes com cegos, vejo mais ao menos como eles fazem, mas não é fácil...". Manuel Feijão, professor especializado em invisuais, dá uma ajuda. "Imagina que o prato é um relógio. No lugar do 12, tens  o arroz . A carne está às seis. A salada às três e a batata frita está às nove". Assim, parece mais fácil. "Mas é preciso que os funcionários estejam despertos para esta realidade...". E nem sempre estão. Na UTAD existe uma única aluna cega. Neste jantar, não estiveram presentes invisuais. Mas às escuras, foram muitos os alunos que quiseram experimentar as dificuldades de quem não vê.  De olhos vendados.

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SO HÁ DINHEIRO PRO BPN
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 20:19 | Sexta feira, 14 de Novembro de 2008
AS UNIVERSIDADES ESTÃO SEM DINHEIRO, MAS PRO BPN ARRANJARAM-SE 800 MILHÕES. O GOVERNO NACIONALIZOU O CANCRO DA SLN, VALOR PROS PATRÕES PREJUIZOS PARA OS CONTRIBUINTES.
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Tenham Vergonha pá
cicero12 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:29 | Sábado, 15 de Novembro de 2008
Portugal precisa de poupar enegia, deviamos começar a racionar a luz e a água em determinadas horas pá.
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Deve te sido uma experiência fantástica...
Skyturtle (seguir utilizador), 1 ponto , 12:16 | Domingo, 16 de Novembro de 2008
Deve te sido uma experiência fantástica, principalmente se dela tirarem partido…

Quando comecei a ler esta reportagem dei comigo a pensar “será que a percentagem de invisuais é assim tão grande que justifique todo o esforço posto não só em ocasiões como esta mas em todas as áreas relacionadas?”.
A verdade é que é fácil pensar assim se não estamos confrontados com o problema. Pensando bem, não se trata só dos invisuais, uma pequena rampa ajuda não só os deficientes motores como também os idosos.
Para estes alunos e para esta universidade, de certo esta experiência vai trazer uma postura diferente. Os alunos, bem como os professores que viveram esta experiência terão por certo uma percepção diferente das dificuldades porque passam os invisuais, numa simples refeição.
A questão da melhoria das acessibilidades passa muitas vezes tão simplesmente pela consciencialização do problema e pela mudança de atitudes e não tanto pelo aspecto financeiro. Tal como a reportagem lembra, até o simples facto da disposição da comida no prato tem importância. Nunca tinha pensado nisso.
A maneira como desrespeitosamente estacionamos os nossos carros, eu a minha mota, em cima do passeio, as calçadas estragadas das nossas cidades, são exemplos de que em muitos casos não é preciso dinheiro mas sim, uma mudança de atitude e de percepção. Um banco de jardim mal posicionado transforma-o num obstáculo em vez de um ponto de repouso.
Bem hajam por efectuarem esta experiência e por a tornarem publica.
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