Governo Executivo e Parlamento à boleia da crise
O PS saiu reforçado dos confrontos com o Presidente da República e com a oposição parlamentar nos últimos trinta dias, subindo 1,6% para se fixar em 41,8% nas intenções de voto. Nem a crise financeira, nem as querelas sobre o divórcio e o Estatuto dos Açores trouxeram proveitos ao PSD de Manuela Ferreira Leite que ao perder 1,2% em relação ao barómetro de Outubro caiu para 32,1%, afrouxando a pressão que vinha a exercer sobre os socialistas. Melhor esteve o CDS de Portas que aproveitou o 'cone de aspiração' das eleições açorianas para conquistar 0,4% e chegar aos 5,2%. Do 'efeito Açores' tirou também proveito o BE que somou 0,7% ao seu pecúlio para atingir os 8,4%. O partido de Francisco Louçã amorteceu a queda das forças à esquerda do PS, já que a CDU, liderada por Jerónimo de Sousa, ganhou um deputado regional mas na sondagem registou perdas de 1,1%. A coligação comunista ainda se mantém à frente do Bloco, mas pela diferença quase virtual de 0,1%.
Parlamento e Governo: Quando a crise financeira ajuda
A crise financeira operou uma mudança profunda na estrutura dos "afectos" políticos dos portugueses. O Estado passou a ser visto como o único porto seguro no meio da tempestade e os poderes a ele associados viram a sua popularidade subir em flecha nos últimos trinta dias: a Assembleia da República aparece ganha uns expressivos 5,6% e sai do 'vermelho' para se fixar em +2,6%, e logo a seguir surge o Governo com +5,4%, para amenizar o seu saldo: -17,1%. Unidos na abordagem da crise, Presidente da República e primeiro-ministro, este na qualidade de líder do Partido Socialista, divergiram de forma muito vigorosa na lei do divórcio e no Estatuto dos Açores. Curiosamente, ambos sairam beneficiados com um ganho de 2,2%. Cavaco Silva fixa o saldo em +36,8% e José Sócrates em +22,1%.
No campeonato da Oposição, os líderes mais contundentes nas críticas ao Executivo sofreram quedas acentuadas. Jerónimo de Sousa (PCP) caiu 2,7% e mergulhou em terreno negativo (-0,7%), enquanto Manuela Ferreira Leite perdeu 1,9% e o seu deve e haver global é agora de -1,2%. Em contrapartida, os mais "equilibrados" Paulo Portas e Francisco Louçã mereceram o aplauso dos entrevistados. O presidente do CDS deu um salto de +3,1% e o seu total é agora de +4,8%, ao passo que o coordenador do BE com + 1,9% consolidou a sua liderança (+5,4%) entre os responsáveis dos partidos da oposição.
Sócrates subiu
José Sócrates - A crise financeira favoreceu o primeiro-ministro. A sua popularidade cresceu 2,2%.
Manuela Ferreira Leite - As propostas da presidente social-democrata não seduzem o eleitorado.
Francisco Louçã - O coordenador do BE continua a ser o líder mais popular na oposição.
Paulo Portas - As eleições açorianas e a moderação face ao Governo renderam-lhe um acréscimo de 3,1% no capital de simpatiaJerónimo de Sousa Uma queda de 2,7% atiraram-no para terreno negativo.
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FICHA TÉCNICA
A sondagem foi realizada entre 22 e 28 de Outubro de 2008. Teve por objecto perguntas sobre a crise financeira, as autárquicas de Lisboa de 2009 e a eutanásia, além da intenção de voto e a popularidade dos titulares dos órgãos de soberania e dos líderes partidários. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20,6%), Área Metropolitana do Porto (14,5%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (28,6%), Área Metropolitana de Lisboa (26,4%), Alentejo e Algarve (9,9%). Foram efectuadas 1284 tentativas de entrevista e, destas, 266 (20,7%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1018 entrevistas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 51,6% e masculino 48,4%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 30 anos, 24,6%; dos 31 aos 59, 52,8%; com 60 anos ou mais, 22,6%. O erro máximo da amostra é de 3,07% para um grau de probabilidade de 95,0%.
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