As fotografias de Chet Baker, feitas por William Claxton, consolidaram o músico como estrela do jazz
William Claxton
Um das fotografias mais emblemáticas de William Claxton mostra Steve McQueen a conduzir o seu Jaguar XK-SS em Mulholand Drive, Los Angeles, em 1962. Tinha em comum com o actor, com quem estabeleceu uma sólida amizade, a paixão pelos carros desportivos e pelas motos.
Outra fotografia igualmente famosa é a de Chet Baker ao piano, em 1954. Os instantâneos que fez deste músico estão reunidos no livro 'Young Chet', publicação que inclui uma nota do fotógrafo a afirmar: "isso é jazz para os olhos". Entre o fotógrafo e o trompetista estabeleceu-se também uma estreita relação. Diz-se que as fotografias aumentaram a fama de Chet Baker, e à medida que este se firmava no panorama musical como 'estrela' do jazz, os retratos tirados por Claxton passaram a ser valorizados como objectos de culto.
O fotógrafo americano que imortalizou o jazz retratou grandes nomes da música e do cinema. Ray Charles, Duke Ellington, Miles Davis, John Coltrane, Billie Holliday, Ella Fizgerald, Frank Sinatra, André Previn e Bob Dylan foram outras das celebridades fotografadas por Claxton .
Nascido em Pasadena, Califórnia, as imagens por ele captadas foram publicadas em conceituadas revistas como 'Interview', 'Time', 'Life', 'Paris Match' e 'Vogue'. Uma das suas virtudes, como ele próprio reconhecia, era ganhar a confiança dos músicos, retratá-los nos ambientes mais intimistas, quase familiares, nos quartos dos hotéis, à beira das piscinas ou em barbecues campestres. Dizia que o jazz e a fotografia são parecidos por sua espontaneidade e improvisação.
Filho de uma compositora, não tinha o talento necessário para ser um virtuoso do piano, como era o seu irmão. Mas, ainda criança, começou a coleccionar discos e lembranças associadas ao jazz. A sua paixão pela música, sobretudo pelo jazz, fazia-no fugir de casa e ir de autocarro para o Teatro Orpheum para ouvir ícones como Duke Ellington.
Em 1960, na companhia do musicólogo alemão Joachim-Ernst Berendt, percorreu os EUA durante mais de três meses, a bordo de um Chevrolet, para documentar ( áudio e imagens) os restos do passado e o presente do jazz. O resultado desta aventura foi reunido no livro 'Jazz Life', editado pela Taschen, um volume de mais de 700 páginas, acompanhado por um CD com as gravações recolhidas por Berendt.
Era casado com a modelo Paggy Moffitt, que conheceu na década de 50, quando começou a fazer uma série de incursões pontuais no mundo da moda. As fotografias que fez da sua mulher em 'topless' romperam os cânones da época. Sentia-se orgulhoso de ter dado esse passo histórico, acreditando ter contribuído para ajudar as mulheres a ter consciência da sua liberdade para mostrar, em público, a beleza das mamas. 'Basic Black', o filme que dirigiu nos anos 60 e que pode ser visto no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque é considerado o primeiro vídeo de moda.
Morreu dia 11, no Centro Médico Sinai, em Los Angeles, de problema cardíaco. Tinha 80 anos.