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Comemorações da Implantação da República

Cavaco destaca "tempos difíceis que não podem ser iludidos"

Num discurso proferido hoje em Lisboa, o chefe de Estado português fez questão de enunciar o quadro de dificuldades internas e internacionais deixando claro, no entanto, que acredita na "capacidade" para ultrapassar a crise.

Lusa
12:10 Domingo, 5 de Out de 2008
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Cavaco Silva: "É nestas alturas que se vê a fibra de um povo"
Cavaco Silva: "É nestas alturas que se vê a fibra de um povo"
Luiz Carvalho

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou hoje que Portugal vive "tempos difíceis", registando "fracos índices de crescimento económico", realidade que disse não poder ser iludida pelos agentes políticos.

"O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos. Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar", declarou Cavaco Silva no discurso que proferiu nas comemorações da revolução republicana de 5 de Outubro, em Lisboa.

O discurso de Cavaco Silva seguiu-se ao do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, numa cerimónia em que, entre outras autoridades, estiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o primeiro-ministro, José Sócrates, e a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite.

"Portugal tem registado fracos índices de crescimento económico. Afastámo-nos dos níveis de prosperidade e de bem-estar dos nossos parceiros europeus. Ainda não invertemos a insustentável tendência do endividamento externo", considerou.

"Emergem novas e chocantes disparidades"

Na sua intervenção nas comemorações do 05 de Outubro, o chefe de Estado sublinhou por várias vezes que o seu dever "é falar a verdade" aos portugueses e "não iludir as dificuldades" dos tempos presentes.

"Porque falo sempre verdade aos portugueses e porque tenho como princípio conhecer a realidade do país, escutar os meus concidadãos e ouvir as suas preocupações, sei bem que muitos atravessam momentos de incerteza perante o futuro", afirmou.

Segundo o diagnóstico do Presidente da República, "muitas famílias têm dificuldade em pagar os seus empréstimos que contraíram para comprar as suas casas; há idosos para quem a reforma mal chega para as despesas essenciais; há jovens que buscam ansiosamente o seu primeiro emprego; há homens e mulheres que perderam os seus postos de trabalho", apontou.

Ainda de acordo com Cavaco Silva, estão a nascer em Portugal "novas formas de pobreza e exclusão social e, em paralelo, emergem novas e chocantes disparidades".

Só depois de enunciar este quadro de dificuldades internas é que Cavaco Silva se referiu à actual crise financeira internacional. "A situação internacional, por outro lado, não é favorável. Ao elevado preço do petróleo e dos produtos alimentares alia-se o aumento das taxas de juro", disse.

No entanto, em paralelo com os problemas da actual conjuntura, o Presidente da República deixou também uma mensagem de esperança no futuro.

"É nestas alturas que se vê a fibra de um povo. Este é o tempo em que aqueles que servem as instituições devem fazer prova do seu real valor e da sua visão de futuro. Os tempos são difíceis, mas a vontade e o querer dos portugueses terão de ser mais fortes", frisou o chefe de Estado.

Para Cavaco Silva, Portugal "tem capacidade" para ultrapassar a crise, alegando que já o fez em outros momentos da História.

"Os nossos filhos e os nossos netos não nos perdoarão se baixarmos os braços, se não formos capazes de fazer as escolhas certas e ultrapassar as dificuldades que Portugal enfrenta", acrescentou.

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O costume.
user178221 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:36 | Domingo, 5 de Out de 2008
O discurso do Presidente Cavaco Silva não acrescenta rigorosamente nada àquilo que todos nós já sabemos de há bastante tempo: os portugueses vivem continuamente numa situação económica débil, uma vezes a piorar, outras a melhorar, mas apenas ligeiramente. E daqui não saímos. Nem é plausível que possamos sair num prazo relativamente curto.
Contrariamente ao que o Presidente hoje proclamou (que os portugueses reúnem condições para poder atingir um nível de vida médio à Europeia), todo o povo português de facto não tem na sua mão meios nem condições para poder melhorar significativamente o seu nível de vida. É um assunto sabido e já gasto de tanto nele se falar. E permanentemente confirmado por dezenas de índices, estudos, indicadores, estatísticas, etc.
1º - na sua generalidade o povo português é muito pouco instruído e tem uma formação e umas preparação profissional muito abaixo da média europeia. Problema este que leva gerações a resolver.
2º As elites portuguesas são pobres e muito abaixo da média europeia. A começar pela classe política.
3º A preparação cívica do povo português é muito fraca e não tem práticas de cidadania (espírito associativo, etc) que são comuns à maioria dos povos europeus.
4º A nossa classe empresarial é medíocre, pouco instruída, pouco dada a inovar e a arriscar.
5º O nosso ensino é muito mau, cada vez mais orientado para a "fachada" das estatísticas do que para a real e exigente preparação dos estudantes. E os pais não ajudam: desejam mais que os filhos tenham canudos do que sapiência.
Acho que basta. Embora possamos acrescentar mais algumas boas debilidades...
Parece que seria sensato e verdadeiramente esclarecedor que o Presidente da República, nestas ocasiões em que tem de fazer discursos mais generalistas e "importantes", explicasse aos portugueses que só poderão atingir um padrão de nível de vida mais europeu quando puderem de facto equiparar-se em diversos parâmetros aos demais povos europeus.
Para se construírem casas grandes e sólidas é indispensável primeiro fazerem-se e consolidarem-se boas fundações. Só isso.
Nuno Costa

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Miguel Martins, Editor de Multimédia do Expresso

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