A Caixa Geral de Depósitos e o Banco Santander Totta juntaram-se à Sonangol para desenvolverem o Banco Totta Angola
Luiz Carvalho
Em pouco mais de uma semana, Angola fechou dois acordos com a banca portuguesa cumprindo as exigências de tomar participações de 49% em operações locais. A concretização do negócio com o BPI dia 12 de Setembro e ontem o acordo com o Santander Totta e a Caixa Geral de Depósitos.
Fica a faltar a concretização do acordo com o Millenniumbcp onde a Sonangol irá tomar 49,9% do capital do banco em Angola. Entidades angolanas ficam a deter 49% do capital e CGD e Santander Totta 51%.
Esta semana foi a vez de fechar o acordo com Banco Totta Angola (BTA) que estava na calha desde o início de 2006. O negócio permite a entrada da Caixa no mercado angolano partilhando em partes iguais 51% do BTA, até agora integralmente detido pelo Santander Totta. Para isso será constituída uma sociedade gestora de participações sociais (SGPS) entre o Santander Totta e a Caixa Geral de Depósitos que terá injectar dinheiro de forma a que a sociedade seja participada por ambos os bancos em partes iguais.
No âmbito do acordo entre a CGD e o Santander Totta, o banco público poderá, após a constituição da SGPS, adquirir ao Santander Totta acções representativas de 1% do capital ficando a deter a maioria dos 51% do capital. Do lado dos accionistas angolanos está a Sonangol com 25% e dois empresários locais que irão tomar 12,5% do capital cada um.
A entrada de novos accionistas será feita através de um aumento de capital no valor de 100 milhões de USD (cerca de 67 milhões de euros) a ser subscrito pelos novos accionistas (CGD, Sonangol e os dois novos accionistas locais).
Todos os accionistas terão representação no Conselho de Administração, cabendo aos accionistas angolanos nomear quem irá ocupar um dos lugares de vice-presidente não executivo. Segundo comunicado da CGD está prevista uma comissão executiva para a gestão corrente da sociedade que será composta por administradores nomeados pela SGPS.
O acordo surge em menos de duas semanas dos angolanos entrarem no BPI através da Unitel - a maior operadora de telecomunicações angolana cujo capital está repartido pelo grupo Geni, Sonangol, Vidatel e a Portugal Telecom (cada uma com 25% das acções), a figura dominante é claramente Isabel dos Santos) - que tomou 49,9% no capital do Banco Fomento Angola (BFA). A concretização do acordo com o Milleiumbcp, será certamente o próximo passo finalizando a onda de negociações entre os cinco maiores bancos que operam em Portugal presentes em Angola.