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Bem-vindos ao "fast-food" dos conteúdos

Está o Google a tornar-nos estúpidos?

O motor de pesquisa mais popular do planeta revolucionou a forma como acedemos à informação. Mas parece também ter ajudado a mudar a forma como a lemos e processamos.

Nelson Marques
18:00 Sábado, 30 de Ago de 2008
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Está o Google a tornar-nos estúpidos?
Ilustração Mário Cameira/who

Está o Google a estupidificar-nos?" A inquietação, explorada pelo ensaísta Nicholas Carr na última edição da revista americana 'The Atlantic', fez soar o alarme. Como pode ser isso possível se, graças à extraordinária invenção de Larry Page e Sergey Brin, até mesmo os menos cultos têm à distância de um clique as respostas para se sentirem capazes de ganhar o 'Quem Quer Ser Milionário?'. Como se, graças ao mais famoso motor de pesquisa do mundo, deixou hoje de fazer sentido saber menos que uma criança de 10 anos desde que haja um computador à mão? Como, se pesquisas que antes poderiam levar dias numa qualquer biblioteca pública podem ser agora realizadas em apenas minutos. Como?

O Expresso foi ouvir alguns especialistas sobre a forma como a Internet tem afectado os nossos cérebros e as conclusões são preocupantes: quanto mais tempo passamos na Internet, maior dificuldade temos em nos concentrar numa leitura mais vasta e profunda, como a de um livro. Da sociedade da informação nasceu um novo tipo de leitores: mais contemplativos e menos interpretativos. Onde é que já ouvimos isto?

A pergunta de Carr é, naturalmente, provocatória. O autor não pretende demonizar o Google, antes usá-lo como exemplo da forma como, apesar das suas vantagens inequívocas, a afirmação da Web como o "media" universal representa um elevado preço a pagar pelos nossos mecanismos cognitivos. "Não me consigo concentrar se não houver gratificação instantânea", admite Edson Medina, programador informático há 10 anos, o que, nas suas próprias palavras, o coloca "no grupo dos mais expostos" ao problema. "Tenho de reler inúmeras vezes as páginas porque me distraio constantemente e perco-me. Muitas vezes, talvez a maioria, acabo por desistir antes de terminar o livro. A minha capacidade de concentração ruiu nos últimos anos e quer-me parecer que não estou sozinho nisto".

Não está, de facto. Celso Martinho, co-criador do Sapo, o primeiro motor de busca português, admite que a Internet também alterou a forma como encara a leitura, bem como outras actividades que requerem "concentração, atenção e dedicação". "Leio hoje de forma completamente diferente do que fazia há cinco ou 10 anos. Faço-o em busca da satisfação imediata, pulo capítulos ou partes desinteressantes, leio-o na diagonal, adultero o livro".

Este tipo de comportamento foi identificado num dos poucos estudos que relacionam o uso intensivo da Internet com alterações ao nível da cognição. Investigadores do University College de Londres apontaram algumas pistas sobre as mudanças que estão a ocorrer na forma como lemos e pensamos. Os cientistas analisaram o comportamento dos visitantes de dois sítios populares que permitem o acesso a livros electrónicos, artigos e outras formas de informação escrita e concluíram que os internautas efectuavam uma leitura superficial da informação, saltando entre uma fonte e outra. Em média, não liam mais de uma ou duas páginas de um livro ou artigo e raramente regressavam a alguma fonte que já tivessem consultado.

"A consulta na Internet é geralmente feita de uma forma acelerada. Muitas vezes, a leitura é feita na diagonal. O próprio modelo de escrita é mais curto e, muitas vezes, menos cuidado. Está a ler-se mais, mais rápido e em períodos mais curtos. A frase longa, tal como o texto longo, não sobrevive", reconhece o neurologista António Freire. O especialista admite também que as novas gerações, "com uma exposição mais precoce e prolongada à Internet", possam estar a desenvolver "novos modelos de formatação da leitura", rejeitando os hábitos de leitura das gerações mais antigas, "que exigem uma enorme disponibilidade, uma concentração mais prolongada e dirigida, e uma reflexão mais profunda".

Apesar de não existirem ainda estudos aprofundados que explorem as implicações cognitivas da nova sociedade da informação, parece inegável que a Internet e invenções como o Google vieram alterar as formas tradicionais de leitura. Os jovens de hoje não lêem necessariamente menos que a geração anterior. Com o "instant messaging" e o SMS dos telemóveis, lêem até provavelmente mais, mas fazem-no de forma diferente, mais contemplativa e menos interpretativa, uma revolução semelhante à que o advento da televisão provocou. "O problema", alerta Celso Martinho, "é o tipo de informação que a Internet dá, e que os motores de busca privilegiam, que é em grande parte desinformação, efémera, sensacional, barata. É o "fast-food" dos conteúdos".

Para o professor universitário José Manuel N. Azevedo, o desenvolvimento da sociedade da informação teve, pelo menos, uma vantagem óbvia, ainda que esta tenha também um lado menos positivo. "Sou um viciado em livros e se alguma coisa o Google e a Amazon, por exemplo, fizeram foi facilitar a localização de livros interessantes e, consequentemente, diminuir a minha conta bancária. Leio, por isso, tanto ou mais do que lia há 10 anos".

Em particular no caso dos mais jovens, explica Azevedo, o reverso da medalha está na dispersão, provocada por dois excessos: um de informação e outro de solicitações. O primeiro faz com que os estudantes tenham dificuldade "em separar o trigo do joio, isto é, ajuizar a informação que encontram". O segundo, torna a concentração muito mais difícil. "O computador junta muitos ambientes que antigamente estavam separados. Estudávamos na biblioteca, trabalhávamos nas salas de aula, conversávamos na cantina, ouvíamos música em casa ou nos bares e discotecas. Agora está tudo reunido num único local. E há tanta coisa interessante à distância de um clique..."


Privacidade comprometida?

O Google tornou-se quase um banco que, ao invés de dinheiro, guarda informação. Quando utilizam os seus serviços, os internautas colocam nos computadores do gigante da Internet dados sobre as suas pesquisas, fotos, blogues, vídeos, calendários, e-mails, contactos, redes sociais, mapas, documentos, informações de cartões de crédito e até registos médicos. São ao todo 10 mil servidores que armazenam uma fatia substancial da vida de milhões em todo o mundo, o que provoca sentimentos ambivalentes.

Se, por um lado, o Google se tornou o maior centro de conhecimento do planeta, por outro poderia, se quisesse, compilar dossiês sobre indivíduos específicos. A empresa, cujo lema é 'Don't do evil' (não façam o mal), tem procurado manter o equilíbrio desta relação, consciente que os dados que recolhe podem constituir tanto uma mina publicitária como afastar os utilizadores se estes sentirem que a sua privacidade está a ser demasiado invadida.

A principal fonte de rendimentos do Google é a publicidade. A abordagem segue o mesmo princípio da pesquisa: apresentar ao utilizador os anúncios que lhe possam ser mais relevantes. Cada vez que o internauta realiza uma pesquisa, o Google anexa aos resultados pequenos anúncios seleccionados de acordo com os termos procurados, beneficiando tanto os consumidores como os anunciantes. Estes têm a possibilidade de anunciar nos resultados no motor de busca - pagando apenas se o utilizador tiver carregado nos anúncios, uma abordagem conhecida por "pay-per-click".



Império começou na garagem

Em apenas uma década, a empresa nascida no interior de uma garagem californiana transformou-se na marca mais valiosa do mundo. O império Google não pára de crescer.

Ambição foi algo que nunca faltou a Larry Page e Sergey Brin. Quando, a 7 de Setembro de 1998, os então dois estudantes de doutoramento da Universidade de Stanford, ambos com 24 anos, criaram a Google Inc. e a instalaram na garagem de um amigo no norte da Califórnia, o seu objectivo era disponibilizar a melhor ferramenta de pesquisa na Internet. Uma década volvida, o objectivo foi largamente superado. O Google tornou-se literalmente sinónimo de pesquisa, sendo consagrado como verbo em dicionários de língua inglesa.

Mas a empresa é hoje muito mais que o seu motor de busca, ainda que este seja indubitavelmente o mais famoso do planeta. À estratégia inicial virada para a pesquisa somaram-se a publicidade - os pequenos anúncios anexados aos resultados das buscas e de outras páginas, como os blogues, são a principal fonte de receitas da empresa - e, mais recentemente, as aplicações de software. Por exemplo, através de uma série de aquisições e a uma parceria com a Sun Microsystems, a companhia oferece na sua barra de ferramentas uma alternativa aos programas do Office da Microsoft.

A empresa que nasceu com o objectivo de "organizar a informação do mundo" cresceu de tal forma que é hoje um vasto império que se estende pelas áreas do vídeo (Google Video e YouTube), classificados (Google Base), e-mail (Gmail), redes sociais (Orkut), fotografia (Picasa), comércio electrónico (Google Checkout), ferramentas de blogues (Blogger), localização geográfica (Google Maps e Google Earth), livros em formato electrónico (Google Books), notícias (Google News), VOIP (Google Talk), banda larga (Google TiSP), etc.

A multinacional tem estudado também novas formas de oferecer aos consumidores ligações Wi-Fi gratuitas ou pelo menos substancialmente mais baratas que as da concorrência. Para isso, quer aproveitar o espectro disponível nas transmissões televisivas dos EUA, ou seja, o espaço não ocupado nas transmissões de satélite ou cabo que será libertado na transição para o sistema digital a partir de Fevereiro de 2009. A gratuitidade ou baixo preço do serviço poderiam ser compensados pelo recurso à publicidade.

"A maior parte dos serviços existe directa ou indirectamente para servir os objectivos do Google enquanto motor de busca", afirmou ao Expresso António Dias, consultor em optimização de motores de pesquisa e autor do blogue Marketing de Busca. "O conhecimento da forma como os utilizadores se comportam permite à Google aferir da relevância do seu algoritmo, melhorá-lo e servir melhores anúncios, no seu site e na sua rede".

Page e Brin bem podem pregar que a sua motivação é melhorar o mundo e não maximizar lucros mas a verdade é que a expansão do universo Google se tem traduzido em muito dinheiro. Entre as cinquenta pessoas mais ricas do planeta apenas duas têm menos de 40 anos: têm ambas 34 anos e acumulam, cada uma, uma fortuna de mais de €10 mil milhões, segundo a Forbes. E, claro, esses dois multimilionários são os dois fundadores da Google.


NÚMEROS

10

mil milhões de euros é a fortuna dos fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, de 34 anos

11

mil milhões de euros foi o volume de negócios da empresa no ano passado

2,8

mil milhões de euros foi o lucro no ano passado, mais 36 por cento que no ano anterior

3260

é o número de pesquisas no Google feitas em todo o mundo a cada segundo que passa - não é a cada minuto, é a cada segundo!

Artigo publicado na edição impressa do Expresso de 30 de Agosto de 2008, 1º Caderno, página 20.


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É bem verdade...
xpresso (seguir utilizador), 1 ponto , 19:09 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Sou licenciado em Informática e de algum tempo para cá também me apercebi que padeço desse problema. Sempre fui muito bom ao nivel da leitura e escrita. Dominava o português e tinha bons hábitos de leitura. Desde que ingressei na faculdade comecei a ler livros e artigos cientificos (99% dos quais em Ingles). Noto hoje que até a ter uma simples conversa de amigos sinto falta do google para me referir a termos ou expressões. Actualmente não consigo ler mais que uma página de um livro seguida. Sinto uma dificuldade enorme em passar longos periodos sem consultar email, telemovel, messenger, mesmo que não tenha qualquer compromisso ou esteja a espera de algum contacto.

Creio que a tendencia das gerações futuras será o agravamento da capacidade de concen
tração. Por exemplo: o meu irmão mais novo (18 anos) envia uma media de 20/30 sms durante o visionamento de um filme. Para além de incómodo perde completamente a essência do filme. Basta assistir a um filme no cinema para comprovar que este comportamento é generalizado entre os adolescentes.
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O ter e o ser
john2john (seguir utilizador), 1 ponto , 19:10 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Sinceramente, não sei dizer se o facto das pessoas lerem livros na diagonal, ou colherem notícias 'pela rama' dos assuntos, tem algo a ver com a Net ou com o Google. Creio, muito sinceramente, que a atitude psicológica que as pessoas actualmente têm em relação à vida, pode espelhar o que se faz na pesquisa de conteúdos na Net.
Naquilo que me diz respeito, nunca pensei, em dias de minha vida, ter à mão um volume de informação e conhecimento desta dimensão. Tenho, no meu computador, mais livros que alguma vez sonhei. Coisas que me fariam ter que despender um sem número de horas, ou dias, de pesquisas inúteis, porventura, agora acho-as de forma quase mágica. E tenho acesso de imediato. E em vários idiomas.
O problema do imediatismo, e do prazer imediato, é um conceito recente da sociedade de consumo. Nisso tornámos também as relações humanas e profissionais, os desejos e ambições, enfim tudo. Queremos TUDO e queremos AGORA.
Esse conceito de utilização da vida é muito pernicioso naquilo que diz respeito ao sentimento de realização pessoal - que se tem vindo a traçar sob o paradigma do TER e não do SER.
Tudo o que é imediato pode-se ter... mas o mesmo não se aplica ao fenómeno interior psicológico. Esse desfasamento causa um conflito surdo internamente e não tem resposta quando se faz a pergunta: Ter aquilo, para quê? A resposta é sempre 'porque quero', ou, 'porque sim'! Não nos damos sequer ao trabalho de pensar durante algum tempo porque, à partida, sabemos que a 'coisa' também ela é descartável.
Não creio que o 'conhecimento' possa estar incluído no número de coisas 'descartáveis' a não ser que seja utilizado, com a futilidade de ser esquecido, para alcançar um objectivo mais materialista.
Seja como fôr, o acréscimo de conhecimento não permite, por razões intrínsecas, que o mesmo seja descartável, até porque se tornou 'mais valia' - a nível material - e ele mesmo parece contribuir para um raciocínio que não se prende ao imediatismo. Quanto mais 'inputs' capitalizamos, mais lentos e ponderados são os 'outputs'.
Acho que a velocidade actual da vida se situa entre esses dois paradigmas: Ser ou Ter. E será esta nova geração que terá que resolver esse problema para si mesma. Ou irá viver a velocidade supersónica, e perigosa, entre os destroços e detritos que vai jogando fora depois de um consumo nauseado.
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    Re: O ter e o ser    Ver comentário
netcount3 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:03 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Curiosidade
Leiki (seguir utilizador), 1 ponto , 20:30 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Alguém lerá este artigo do principio ao fim?
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    Re: Curiosidade    Ver comentário
JoseMFernandes (seguir utilizador), 1 ponto , 23:58 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Não é culpa do Google
antoniod (seguir utilizador), 1 ponto , 20:58 | Sábado, 30 de Ago de 2008
Carr diz que a Internet a alterar a forma como acedemos à informação. É evidente e muitos testemunhos reunidos neste e noutros artigos corroboram. O que impõe a pergunta: o que é que isso tem a ver com o Google e como é que isso estupidifica? Aceito que seja apenas um título para gerar buzz mas estaremos a perder capacidades cognitivas pelo excesso de informação e de solicitações?

A segunda pergunta é quem são os objectos nesta «estupidificação»? A esmagadora maioria da população que lê em média um livro por ano e passa o tempo diante da tv? Não, a minoria "civilizada" que lê e procura activamente informação. A maioria tem agora acesso a um vasto mundo de informação e de fontes, às quais jamais teria acesso.
  As mudanças têm efeito sobre todos mas não são necessariamente negativas. O próprio Carr admite que as gerações futuras saberão lidar com o problema de excesso de informação.

O artigo está online aqui: http://www.theatlantic.co...

António Dias
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Só se torna estúpido quer quer, ou já o fôr :-)
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 22:07 | Sábado, 30 de Ago de 2008
A informação em suporte digital é um dado adquirido e irreversível.
Não vamos prescindir das suas vantagens, só porque alguns não sabem dosear nem filtrar o seu "consumo" de internet.

Carl Sagan há uns 20 anos atrás, já tinha dito que, de todos os livros que se publicam anualmente, mais de 80% não têm qualquer valor. Por isso - disse Carl Sagan - devemos ser muito criteriosos na escolha dos livros que lemos.

Com a internet em geral (não é só o Google), passa-se rigorosamente o mesmo. Quem é que dá relevância a toda a informação que a net tem?

Partindo do pressuposto que o QI dos utilizadores não é nulo, não vejo como é que a net (ou o Google, se preferirem), nos pode tornar estúpidos.

Esta afirmação só tem paralelo naquela outra que Estaline fez nos tempos do ENIAC, em que disse textualmente: "Os computadores, são máquinas que os americanos inventaram para explorar os trabalhadores."

Entretanto a URSS (hoje Rússia) tornou-se, juntamente com os EUA e o Japão, um dos 3 países que mais utiliza os computadores.

Enfim... como habitualmente, de tempos a tempos, alguém vem lançar um alarme virtual, como naquele tempo em que era moda toda a gente ver OVNIs. Entretanto a moda passou, e agora a questão dos OVNIs ficou esquecida, até que alguém se lembre de a reabilitar de novo.

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Ao que isto chegou...
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 23:00 | Sábado, 30 de Ago de 2008
É isso mesmo!! Culpe-se o Google!
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O que é que nos estupidifica?
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 9:38 | Domingo, 31 de Ago de 2008
O Google estupidifica tanto as pessoas, como a TV, a rádio ou os jornais... Sabem porquê?
Porque aquilo que estupidifica é comer merda só porque ela está feita... Exemplos:

O recente conflito entre a Geórgia e a Rússia e a cobertura dos "media do Ocidente da Treta".
Dá-se notícias falsas, diz-se que uma cidade está devastada e dá-se imagens de outra (realmente devastada), pega-se nas traduções "com erros" da BBC e da CNN e traduzimo-las para português (ficando com os mesmos "erros"), etc...
Este tipo de coisas é que estupidifica as pessoas.
Não é a internet, nem a TV, nem a rádio, nem os jornais, mas sim a qualidade da informação que lá se põe... E em Portugal, (como infelizmente em muitos outros países), a qualidade da informação é cada vez pior... A fonte mais rápida e mais barata de notícias, são certos "canais de informação"... Que interessa que tenham a informação errada/viciada?

A responsabilidade jornalística perdeu-se... Agora é quem põe as notícias mais rápido que os outros, nem que tenhamos que copiar as notícias de tablóides televisivos como a Sky News.
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    Re: O que é que nos estupidifica?    Ver comentário
LL7 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:13 | Domingo, 31 de Ago de 2008
    Re: Estou de acordo!    Ver comentário
john2john (seguir utilizador), 1 ponto , 15:08 | Segunda-feira, 1 de Set de 2008
A culpa é do HIPERTEXTO
hotmaia (seguir utilizador), 1 ponto , 15:40 | Domingo, 31 de Ago de 2008
Muito bom o artigo e também a discussão gerada nos comentários.

Apesar de usar computadores intensamente desde 1983 percebo que também sofro deste mal de poucos anos para cá e noto que está se agravando.

Vejo também que pessoas próxima a mim na faixa dos 20 anos estão com o mesmo problema só que em estado pior do o que estou. São pessoas que já começaram a usar o computador na era da oferta de informação da Internet.

Eu reflito sobre esta questão já há algum tempo e penso que o problema seja anterior a Google.

Para mim o problema começou com a criação do HIPERTEXTO ---- este "maldito e bendito¨ aqui ao lado, para mim, é o responsável por não conseguirmos mais ler um texto de forma completa: 1. Introdução 2.Desenvolvimento 3. Conclusão

Durante a leitura de um livro você normalmente encontra citações mas continua lendo o livro e ao final, se necessário você procura as referências citadas. Poucas pessoas lêem um livro pulando de citação para citação.

Com o hipertexto os links se tornaram imediatos, o convite a dispersão é muito forte,só que este links não nos levam obrigatoriamente ao que que nos é útil para dar continuidade ao que estávamos lendo, mas também a imagens, noticias, joguinhos, em uma enormidade de páginas repletas com outros e mais outros hipertextos. O retorno ao texto original fica cada vez mais improvável, a leitura fica cada vez mais superficializada e a capacidade de apreensão (memória) totalmente comprometida.

Faço já há bastante tempo um esforço enorme para acessar um texto de cada vez, lê-lo integralmente e somente após clicar em algum link do hipertexto. Espero desta forma minimizar o dano e recuperar minha capacidade de concentração em uma leitura memória e tudo o mais.

Ricardo Maia
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Não, o "Google" não nos está a tornar estúpidos
Arrebenta (seguir utilizador), 1 ponto , 15:41 | Domingo, 31 de Ago de 2008
Nós já estávamos estupidificados, e as estratégias de ponta da Net deram um utensílio espantoso para nos "ajudar" a ficar na mesma.
Pessoalmente, prefiro o "Google", que uso sempre, ao "Eixo do Mal", que nunca vi, mas que nos levou ao estado de pensarmos que o "Google" é a única pesquisa possível.
Custa, não é, mas foram décadas de semear ventos, para agora colhermos tempestades.
Comprai guarda-chuvas, o "Gustav" vem aí...
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temos de aceitar
Novaideia (seguir utilizador), 1 ponto , 17:48 | Domingo, 31 de Ago de 2008
houve a era da caixa que mudou o mundo que se chamava de televisão.
agora, temos de aceitar que actualmente a caixa que mudou o mundo chamasse, PC, tem um rato, teclado, monitor e um sistema operativo. também podemos referir que pela capacidade da inovação tecnológica, que o telemovel veio tambem alterar o modo de vida dos cidadãos pela rapidez de comunicação entre nós.
mas a dependência que estes objectos nos estão a causar, passa também pela educação nas famílias, porque reparo que muitos adultos escondem-se por de trás de um pc ou telemóvel e não dá a devida atenção aos seus filhos, causando uma certa auto-dependência, como se um jovem com um telemóvel sentisse-se preparado para a vida, como se fosse um adulto.
relativamente ao Google "é amigo", como se diz na gíria cybernauta.
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Google e Gutenberg
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 0:23 | Segunda-feira, 1 de Set de 2008
Quando Gutenberg aperfeiçou o processo de tipografia, proporcionou uma explosão na transmissão do conhecimento através da impressão rápida e simples dos livros. As ideias e o conhecimento tornaram-se acessíveis para um maior número de pessoas, contribuindo para mudanças e revoluções na ciência, religião e filosofia e o surgimento da imprensa.

Esta discussão é recorrente. O acesso imediato à informação significa que teremos que ser mais criteriosos em relação à natureza da mesma. E desde quando que isso é algo negativo? A civilização sobreviveu à genialidade de Gutenberg e, com certeza, sobreviverá (e muito bem) à "era da informação".

ps: costumo dizer que o google é a minha principal ferramenta de trabalho, e o livro como o meu principal lazer.
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NÃO ! VOCÊ JÁ ERA ESTÚPIDO ANTES DO GOOGLE !
magnus amaral campos (seguir utilizador), 1 ponto , 1:42 | Terça-feira, 2 de Set de 2008
Pare de usar a internet e volte a usar as bibliotecas , ô " GÊNIO " !
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YEap
Annia (seguir utilizador), 1 ponto , 13:23 | Quarta-feira, 3 de Set de 2008
yah é verdade o google está a tornar-nos estúpidos, dependentes e preguiçosos, mas tambem inteligentes...lol
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Veracidade do artigo
franciscocosta (seguir utilizador), 1 ponto , 19:09 | Quarta-feira, 3 de Set de 2008
Então o Sr. Jornalista não fez o trabalho de casa?
Não sabe que o Google TiSP foi uma mentira do 1 de Abril de 2007 por parte da empresa?
http://en.wikipedia.org/w...
Ou acha que é possível ser cliente de banda larga do Google pela retrete? Basta aceder ao site e ver as imagens: http://www.google.com/tis...
Cumprimentos!
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    Re: Veracidade do artigo    Ver comentário
NelsonMar (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Quarta-feira, 10 de Set de 2008
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