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Porreirismo em Pequim

8:00 Segunda-feira, 25 de Ago de 2008
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Perante a miséria olímpica, o país pergunta: "quem é o culpado?". Bom, para responder a esta questão, o país deveria procurar um espelho. A raiz deste problema desportivo está na cultura portuguesa. Não, não estou a falar de cultura desportiva. Estou a referir-me ao ADN cultural mais íntimo dos portugueses: o porreirismo.

Portugal é o único país do mundo que inventou uma expressão - 'o gajo porreiro' - com o objectivo de transformar vícios em virtudes. O porreirismo muda o nome às coisas. Por exemplo, nunca há incompetentes em Portugal; só temos coitadinhos. O professor porreiro é aquele que não marca trabalhos de casa. Ou seja, um professor que seria considerado desleixado em qualquer parte da Europa sobe à categoria de 'gajo porreiro' em Portugal. Com esta inversão de valores, os portugueses conseguem viver bem com a sua preguiça e incompetência, visto que estas são as virtudes do 'porreiraço'. Por outro lado, o porreirismo também transforma virtudes pessoais em pecados colectivos. Com muita facilidade, um indivíduo trabalhador desce ao estatuto de 'lacaio do chefe'. Na faculdade, o aluno aplicado que recusa a palhaçada dos trabalhos de grupo é encarado como 'alguém que quer ser melhor do que os outros'. Esta expressão, tão portuguesa, reflecte a perversão moral do porreirismo: uma virtude pessoal - o desejo de superação individual - passa à condição de defeito social.

O porreirismo impõe ainda outra regra: o espírito acrítico. Nesta terra, uma crítica profissional é considerada uma ofensa pessoal. 'Isto não ficou bem feito' é uma frase que os portugueses confundem com 'a tua mãe é uma galdéria'. Devido a esta estranha incapacidade auditiva, os ambientes de trabalho transformam-se em pântanos de incompetência. Os portugueses são incompetentes porque não toleram ser criticados. É assim na escola. É assim na faculdade. É assim nas empresas. É assim nos jogos olímpicos.

Ao denunciar a falta de brio dos colegas, Vanessa Fernandes teve a coragem de negar a portugalidade, isto é, enfrentou um esquadrão de porreiros. Claro que o porreirismo contra-atacou. Nuno Fernandes (comissão de atletas olímpicos) afirmou que "Vanessa Fernandes foi muito infeliz nas críticas que fez aos colegas". Para o porreirismo olímpico, as críticas de Vanessa não revelam o espírito de uma profissional séria; mostram, isso sim, a mente de uma delatora. Este 'Saltillo' olímpico acaba por ser o buraco de fechadura ideal para observar aquilo que se passa sempre em Portugal: o porreirismo transforma a seriedade em delação durante os 365 dias do ano e não apenas nos 15 dias das olimpíadas.

Waishi

A China fez batota na cerimónia de abertura dos jogos olímpicos: computorizou o fogo-de-artifício e colocou uma Lolita oriental a fazer "playback". Estes truques comprovam uma das teses de 'A China Abala o Mundo' (Bizâncio). A cultura chinesa, diz-nos James Kynge, é marcada pelo "waishi". Tradução: os chineses condicionam - de forma simpática - a maneira como os estrangeiros vêem o Império do Meio. Portanto, desconfiem sempre de uma chinesa sorridente: a simpatia é um assunto de estado na China.

Henrique Raposo

Palavras-chave  Henrique Raposo
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Vanessa não é perfeita...
Luso1973 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:05 | Segunda-feira, 25 de Ago de 2008
Permita-me discordar de algo que disse: a questão colocada quanto às declarações de Vanessa Fernandes não se foca no facto de ela ter ou não razão - e a mim até parece que, parcialmente, terá - quanto à atitude (ou falta desta) de alguns dos seus colegas; a deselegância de Vanessa residiu, isso sim, em dois factos:

- Primeiro, ela própria falhou parcialmente os objectivos a que se propôs, e que induziu nos Portugueses, durante o último ano, ser o seu objectivo: a medalha de Ouro; neste caso não há falta de apoios ou condições que valham ao atleta em questão.
Nunca estando em causa a enormidade do seu feito, o certo é que todos em Portugal, por força do seu percurso no último ano, mas também por força de variadas vezes em que a própria atleta declarou ser seu objectivo principal a vitória nos Jogos Olimpicos, estavam convencidos que tal era possivel; errámos, nós Portugueses, ao pensar nessa medalha de ouro como ganha à a partida? Claro que sim; esse erro teve origem, antes de mais, na própria atleta?? Claro que sim...
 
- Segundo, e isso também foi apontado (embora timidamente...), o outro problema reside na duplicidade de critérios: Vanessa não pode considerar que aos seus colegas de outras modalidades falta profissionalismo quando terminam em 32º, ou são eliminados numa primeira eliminatória, e depois afirmar que um 40º lugar de outro triatleta nos masculinos é um excelente resultado...

Como todos os Portugueses, fico muito feliz, reconhecido e agradecido pela medalha obtida por Vanessa Fernandes; mas isso não invalida que a atleta em questão também tenha declarações infelizes, e como tal não seja perfeita.
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Ele é a jolly good fellow
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 10:32 | Segunda-feira, 25 de Ago de 2008
É sabido que os portugueses se criticam e culpam uns aos outros por tudo e por nada e só mesmo um gajo muito porreiro tentaria esconder esse vício tão conhecido dizendo que os tugas são uns coitadinhos com espírito acrítico, trabalhadores bons que não querem ser melhores que os outros e só desejam a superação individual.
É justo notar que o cronista teve o cuidado de não esquecer que há uns quantos que mudam o nome às coisas e chamam "lacaio do chefe" ao indivíduo que apenas é mais dedicado, mas esses são os inevitáveis filhos da galdéria que se encontram tanto em Portugal como em qualquer parte do mundo.
É possível que H.R. deteste "gajo porreiro" e simpatize com "good fellow". Acontece. São segredos da natureza cujas raizes estão no íntimo do ADN tuguês que comanda os gostos e desgostos dos tugas.
É por isso que em vez de gajo porreiro ou excelente pessoa prefiro dizer que o Henrique é a jolly good fellow.
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    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:08 | Terça-feira, 26 de Ago de 2008
    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 11:37 | Quarta-feira, 27 de Ago de 2008
    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:36 | Quarta-feira, 27 de Ago de 2008
    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 10:09 | Quinta-feira, 28 de Ago de 2008
    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 18:01 | Quinta-feira, 28 de Ago de 2008
    Re: Ele é a jolly good fellow    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 10:59 | Sexta-feira, 29 de Ago de 2008
Gajo porreiro convida H Raposo para o Expresso?
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Terça-feira, 26 de Ago de 2008
O ADN de HR é muito estranho. Turva-lhe a vista. Confunde-lhe as ideias. Vê defeitos congénitos na cultura portuguesa onde apenas existem as suas limitações pessoais.

A mentalidade das elites em Portugal é a da auto-desresponsabilização e a da transferência das responsabilidades para o “mexilhão”.

Quando não conseguem resolver um problema, seja ele qual for, afirmam, erradamente, que para o resolver é preciso primeiro mudar as mentalidades e que isso só se faz a longo prazo. De um passo põem as culpas nos governados (cuja mentalidade estaria distorcida) e salvaguardam-se de fazer o mínimo que seja (a solução está no longo prazo).

Ouvimos constantemente esta lenga lenga das “mentalidades” a propósito de tudo e nada. Desde o escândalo das mortes na estrada ao maus resultados desportivos. No fundo não passa de uma patranha, de uma desculpa, de uma forma de sacudir a água do capote, de uma forma de se ir já desculpando pelos falhanços sucessivos.

Quem seria o gajo porreiro que convidou Henrique Raposo para escrever no Expresso?
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    Re: Gajo porreiro convida H Raposo para o Expresso    Ver comentário
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 23:56 | Terça-feira, 26 de Ago de 2008
    Invejoso com muita honra    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Quarta-feira, 27 de Ago de 2008
    Re: Invejoso com muita honra    Ver comentário
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 15:07 | Quinta-feira, 28 de Ago de 2008
    Re: Invejoso com muita honra    Ver comentário
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Sexta-feira, 29 de Ago de 2008
Umas crónicas porreiras pá !...
Filipe Albuquerque (seguir utilizador), 1 ponto , 13:08 | Quinta-feira, 28 de Ago de 2008
O Porreirísmo Português é isto mesmo, um falar do porreirísmo dos outros numas crónicas engraçadas de Agosto, escritas à beira mar debaixo do Sol do Algarve...
Vai-se dizendo que as coisas estão mal, que o País afunda num pântano de interesses e demagogia, que uns quantos fulanos conhecidos não têm actuado bem nesta ou naquela matéria sensível e por ai fora...a coisa dá ares de inteligência e de preocupação, que até parece bem !
Ora e desmontando o óbvio, no fundo o mais que se vê por aqui como em toda a parte, são uns tratados de generalidades mal amanhadas, servidas com um rançoso ketchup Domingueiro de metáforas e adjectivos coloridos que só têm por função despreocupar uma maioria indolente porque "haja" quem se preocupe previamente, ou melhor preventivamente...um hino da classe média intelectualoíde que se arrasta pelas nossas redacções dirigido à classe média indolente dos nossos "doutos" Empresários e Administradores de Província...mas para isso também eu sirvo (como muitos outros bem dispostos que por aqui passam...) só não peço é para ser pago para tal...é que não tinha lata para tanto ! ;)

Atentamente>FILIPE DE ALBUQUERQUE
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    Re: Umas crónicas porreiras pá !...    Ver comentário
somaisum (seguir utilizador), 1 ponto , 16:47 | Sexta-feira, 29 de Ago de 2008
Re: Porreirismo em Pequim
paula rosado (seguir utilizador), 1 ponto , 15:11 | Quinta-feira, 28 de Ago de 2008
Ser porreiro faz parte da natureza dos portugueses. É por isso que os estrangeiros que adoram Portugal gostam tanto de nós; é por isso que quando saímos de Portugal nos damos bem em todo o lado. Ser porreiro não é propriamente uma coisa negativa. Há muitos aspectos que não devem ser esquecidos e que nos afastam da frieza alemã, da rigidez inglesa. Somos porreiros e ponto.
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Retóóórica (seguir utilizador), 1 ponto , 20:37 | Quinta-feira, 4 de Set de 2008
incompetentes: um passo em frente
somaisum (seguir utilizador), 1 ponto , 16:16 | Sexta-feira, 29 de Ago de 2008
Afirma "Portugal é o único país do mundo que inventou uma expressão - 'o gajo porreiro' ", ou fez um levantamento exaustivo, rigoroso, cientifico ou a afirmação é uma alarvidade incompentente.
Sendo assim, vª ex.ª fica numa situação de poder/dever acabar com o tradicional "nunca há incompetentes em Portugal" (sic).
O senhor sabe muito de incompetência e presta-se a partilhar com o comum mortal esse seu conhecimento carimbando incompetências e incompetentes, neste caso os olimpicos.
A justificação é demais conhecida: a Naide Gomes não tem desculpa; o Gustavo Lima e demais tambem não, porque o insucesso não admite desculpas, aí está a diferença.
A insensibilidade deste pensamento torna-o lixo. Niguém poderá garantir não ter um dia menos bom, uma prova menos conseguida e, não é por isso indigno do nosso respeito e consideração.
Quanto à menina Vanessa - e com a experiência dos anos que tenho mais que ela - a resposta às suas palavras vai ser a vida a dar-lhas, porque, não se vence sempre e um dia há-de ser ela a vir com desculpas.
Quanto aos cromos HR, fica suficientemente demonstrada a sua incompetência, logo: está tudo dito.
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