Laurentino Dias: «Não é fácil conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos. É fácilreclamar medalhas»
Ana Baião
Sem querer comentar as palavras de vários atletas nacionais que têm causado polémica, o secretário de Estado do Desporto limita-se a dizer, genericamente, que "os atletas são melhores a fazer desporto do que a prestar declarações".
Em declarações aos jornalistas portugueses na capital chinesa, Laurentino Dias revela, no entanto, que "tenta compreender algumas situações" e remete a avaliação ao desempenho da Missão portuguesa para o final da prova. "No final, acho que os atletas têm de fazer o seu próprio exame, as federações, o Comité Olímpico e o Governo têm de fazer a sua própria avaliação e tirar consequências".
Agora, sustenta o responsável pela tutela, é tempo de apoiar os atletas que ainda vão competir, para tentar que o saldo da participação portuguesa possa ainda melhorar até ao final dos Jogos, no próximo domingo. O voto de silêncio e de confiança, pelo menos enquanto durar a prova, diz Laurentino Dias, é "em honra da solidariedade que nos merece uma campeã chamada Naide Gomes, que hoje teve o seu dia pior, e um campeão chamado Nelson Évora, que daqui a dois dias vai competir para procurar aquilo que nós desejamos, que é uma medalha."
Uma postura diferente da assumida pelo presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que hoje anunciou que se vai retirar e não voltará a candidatar-se a novo mandato. O secretário de Estado não quis alongar-se nos comentários a esta decisão, lembrando apenas que lhe solicitou que "levássemos até ao último dia aquilo que é nosso papel e a nossa obrigação de manter de forma permanente um apoio e um estímulo aos nossos atletas."
Laurentino Dias aproveitou para sublinhar que "esta Missão olímpica foi, talvez, a mais bem preparada e apoiada de sempre", reconhecendo, ainda assim, que isso "não significa que tenha de ter os melhores resultados de sempre". Não vai, por isso, exigir os pontos e as medalhas determinados no contrato-programa, assinado entre o Estado e o COP ainda no Governo de Durão Barroso: "Nunca traduzimos em cobrança de medalhas o esforço que o País faz ao dar meios para preparar esta Missão."
O governante coloca ainda alguma água na fervura em relação ao descontentamento dos portugueses com o desempenho dos atletas nacionais em Pequim: "Não é fácil conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos. É fácil reclamar medalhas", defende.
Em relação ao futuro, o secretário de Estado garante que a participação portuguesa não compromete o apoio do Governo aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e lembra também o investimento superior a 50 milhões de euros em infra-estruturas desportivas de alto rendimento que estão projectados.
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