"Decidi pedir para sair, não porque as acusações da Air Plus tivessem qualquer fundamento, fi-lo em nome do interesse nacional", disse ao Expresso, Carlos Salema. Na corrida ao concurso da TDT estão duas propostas, a da Air Plus e a PT, tendo esta última sido considerada a melhor pelo júri que estava a avaliar as propostas.
O presidente do júri do concurso - alvo de um "incidente de suspeição" levantado pela Air Plus, assente nas ligações familiares de Carlos Salema, cuja filha e o irmão estão a trabalham na PT - explicou que a existência de um processo em tribunal poderia atrasar, de novo, a estreia da TDT, e não queria ser responsável por essa situação. "Se Portugal não estiver preparado para arrancar com a TDT no prazo estipulado pela União Europeia [o desligamento da televisão analógica acontecerá em 2011] quem ficará prejudicado são os consumidores e o país. Não quero ser responsável por uma situação dessa natureza", adianta.
Em 2000, recorde-se, houve um concurso para o lançamento da TDT em Portugal, cujo vencedor foi um consórcio liderado pela empresa de telecomunicações de João Pereira Coutinho. Luís Nazaré, presidente do conselho de administração da Air Plus, era então presidente da Anacom.
Carlos Salema lamenta ainda que a Air Plus tenha decidido impugnar o concurso, depois de o júri a ter deixado manter-se na corrida, apesar de a empresa sueca não ter entregue no tempo estipulado a garantia bancária. "A proposta da Air Plus poderia ter sido excluída logo à partida, mas pareceu-nos que seria importante, em nome do interesse nacional, perceber qual das duas propostas era a melhor", adiantou Carlos Salema.
E esclareceu ainda: "As decisões do júri foram sempre tomadas de forma unânime. Embora, naturalmente, sobre algumas questões tenha havido debate".
Carlos Salema está ainda a analisar se irá ou não processar a Air Plus, no âmbito do "incidente de suspeição" levantado pela candidatura liderada por Luís Nazaré.
Entretanto, a Anacom aceitou o pedido de Carlos Salema, e incumbiu os dois restantes membros do júri, Alberto Castro e Pierre Lavoix, para reavaliar as propostas.
A polémica rebentou depois da Airplus ter reclamada a nomeação de um júri "isento e capaz" para o concurso da TDT, na sequência da decisão favorável do júri em relação à PT, que somou 85 pontos contra os 57 da concorrente. "Com seriedade e lisura, não temos dúvida de que ganharemos", disse então Luís Nazaré. Na altura a PT reagiu afirmando que "os concursos assentam numa lógica de transparência e isenção". "A criação de um clima de suspeição não é um meio legítimo para alcançar a vitória, sendo pois de lamentar notícias em que se põe em causa instituições de referência", acrescentou.
A Anacom afirma que ainda não foi notificada da contestação em tribunal da Air Plus.