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Paraísos prostituídos

Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção.

8:00 Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
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A primeira vez que passei uns dias de Verão em Porto Covo, ainda o Rui Veloso não tinha imortalizado a aldeia e a sua ilha do Pessegueiro. Pouco mais havia do que aquela simpática praceta central, de onde irradiavam três ou quatro ruas para baixo, em direcção ao mar, e duas ou três para os lados. Tinha nascido uma pequena urbanização de casas de piso térreo, uma das quais me foi emprestada por um amigo para lá passar uns quinze dias. Havia a praia em frente, magnífica, e a angustiante dúvida de escolher, entre três restaurantes, em qual deles se iria comer peixe, ao jantar.

Nos dois anos seguintes, arrastado pela paixão pela caça submarina, aluguei uma parte de casa em Vila Nova de Milfontes, com casa de banho autónoma e duche no pátio interior, ao ar livre. Instalei-me com o meu material de mergulho e um pequeno barco de borracha, no qual ia naufragando quando o motor pifou e comecei a ser arrastado pela corrente do rio Mira em direcção aos vagalhões à saída da baía. Mas não era o sítio adequado para caça submarina e rapidamente troquei a incerteza da minha destreza pelo esplendor de uma tasquinha branca, de quatro mesas apenas, onde escolhia de manhã o peixe que iria comer à noite. Foram dias de deslumbramento, naquela que eu achava ser provavelmente a mais bonita terra do litoral português.

Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira.

A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água.

Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível.

Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço.

E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar.

Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adiante dizer mais nada.

Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho.

61 comentários
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Tele me
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 0:51 | Terça-feira, 23 de Dez de 2008
Até amazona se esta autodestruído.
O homem só ligou a sofagem, nem lá colocou os pés.

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Um "Campones" na Cidade?
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 0:58 | Terça-feira, 23 de Dez de 2008
A Serra algarvia ainda esta virgem.
Bem pode ir par ala viver.
Quem gosta da natureza não se vai enfiar numa cidade ou na sua periferia. As cidades são como as arvores não crescem nas nuvens.

O ar condecionado tembem faz mal o ambiente.

Polvos e Lulas, cada um pode grilhar.
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Este jardim não foi plantado.
sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 9:14 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Infelizmente, e mais uma vez, tenho que concordar com MST. Este jardim não foi plantado, já nasceu bonito. Mas insistimos em morder a maçã e vamos perdendo o paraíso.

            Gostaria de dizer que é MST já disse tudo, mas não, há mais.

            Há a madeira, que fui procurar há uns anos atrás, pensando ir encontrar o paraíso dos livros de primária, e onde encontrei séries de hoteis, completamente desordenados, sem espaços verdes, onde os próprios cães se recusam a dar uma mija.

            Há a ribeira de Gaia, que foi beneficiada pelo programa polis. Um investimento bruto, que melhorou as infraestruturas, inegavélmente, da orla costeira, mas que não resistiu a implantar uns "bares" na ribeira de Gaia, que, vistos do porto, parecem qualquer coisa saída do StarWars. Onde foi parar o misticismo da escadaria de armazéns de vinho, com aquelas naves espaciais ali estacionadas?

            E tantos mais exemplos se podem dar. Onde estão os planos de pormenor? Que é feito do trabalho dos GAT's e GTL's? Que anda a fazer a massa excessiva de funcionários camarários?

            Ao contrário de MST, eu até sou amigo do betão. Mas doi-me quando vejo arrancar uma estrada em "paralelo", para substituir por uma de asfalto, só porque a autarquia não teve paciência para compactar as valas de aguas ou saneamento e aquilo ficou tudo aos papos.

            Doi-me de cada vez que se abate uma mata, porque aquela zona não é abrangida pelo PDM.

            Estamos a delapidar o que temos de melhor. Estamos a prostituir, sim. Mas barato, somos uma prostituta de esquina.
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UM LIBELO NEMHUM JUIZO. PORTUGAL É MATADO
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 10:49 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
À voragem da ganância nada é poupado. O nosso património construído está abandonado aos pombos. O mosteiro de Alcobaça morre bombardeado por 12 quilos de mer../ano dos pombos, não há dinheiro para nenhuma obra de recuperação. Todavia o município e os munícipes de Alcobaça arranjaram dinheiro para dar 170 mil euros para um espectáculo de magia, que a magia que teve foi de não acontecer nada.

Mas que municípios estes? Mas quem somos nós?

Na Madeira toda a costa foi comida por obras, pelas casas de sonho que estão desabitadas, mas pertencem aos senhores do Mundo. A Montanha, (freguesia sobranceira ao Funchal) o Funchal, onde, vivi, está lindinho, mas igualzinho a qualquer outra coisa lindinha, em qualquer outra parte do globo.

Destruíu-se a natureza, como no Algarve, como em Espanha nas zonas de turismo. O Mundo, os humanos, a natureza perdeu, mas os senhores do Mundo ganharam, e até os responsáveis por estas barbaridades, como é o caso de D. Alberto João que se eternizam no poder. Mas que país é este? Mas que mundo é este? Mas quem somos nós?

Conheci Porto Corvo, andei nas rochas à caça do mexilhão, mas todo este Portugal litoral foi condenado à morte, e dizem que isto é progresso. Mas se progresso é MORTE, como amo a vida que existe em Monsanto, no Sardoal, no Portugal profundo que infelizmente morre, porque não tem gente!

  Todavia há lusitanos, verdadeiros Veriatos, que resistem, com pequenos projectos, como é o caso do restaurante 4 talhas do Sardoal (passem por lá, vão ver um optimista que luta e gosta do que faz, a módico preço).

  É preciso novo modelo de desenvolvimento não baseado em máquinas que fazem dinheiro, tornando tudo isto num grande casino de um jogo letal de sorte e azar, mas que poderá tornar-se para os humanos num jogo de roleta russa com todas as balas metidas no tambor à excepção de uma que é a saída possível para a salvação da natureza: amá-la e preservá-la.

Neste dia da natureza (28 Julho) seria bom pensarmos que estamos a matar o Mundo que nos sustenta. A mim um artista e um historiador convertido ao jardinismo chama-me troglodita, quando lhe falo nestas coisas, mas ele e todos os que matam a natureza e os seus cúmplices estão a cometer um gravíssimo erro ou por ignorância, ou por dolo criminoso, porque pura e simplesmente estão a suicidar-se (o que seria com eles), mas a nós assassinam-nos, o que é coisa diferente, porque nunca matarão a vida em sentido CÓSMICO, a vida em sentido cósmico fará todas as adaptações para sobreviver. A VIDA SOBEVIVIVERÁ, OS HUMANOS É DUVIDOSO. (Vide em Deus de Amanhã de Neale Walsch, a demonstração).

Mas que país somos, mas que cidadãos somos, quando são exactamente os eleitos que estão mais próximos dos eleitores os que cometem estes atentados, e são cada vez mais votados, quanto mais masmarros criam e atentam contra a natureza; quanto maior asneira, maior corrupção, mais votos têm?

Mas que pais somos, quando aquela gente é ajudada pela Assembleia da República, quando não legisla com rigor e precisão nestas matérias, nomeadamente nos crimes de corrupção, fuga aos fisco e os crimes ecológicos, isto é, os crimes que não são os pequenos larápios que cometem, não são os “pretos”, estes crimes são cometidos pelos governantes e pelas pessoas que dão emprego a quem tem fome e a quem reverencialmente os cangados e os escravos- Humberto Delgado dizia que éramos um país de escravos – dobram a espinha, fecham os olhos, tapam os ouvidos e cozem as bocas?

MAS QUEM SOMOS NÓS QUE NOS ESTAMOS A MATAR COLECTIVAMENTE, PARA TERMOS A COMODIDADE DE VIVERMOS COMPORTIMEMTADOS EM CIDADES POLUÍDAS; FEIAS; CHEIAS DE INSEGURANÇA; MAS REPLETAS DE CENTROS COMERCIAIS A VENDEREM PECHISBEQUE QUE APARENTEMENTE IDENTIFICAM OS POBRES COM AS PERSONAGNS MÍTICAS?

Mas que país, mas que cidadãos somos que vamos a caminho do extermínio passivamente e de um modo pateticamente consentido?

Muito embora ninguém nos oiça, é bom para PORTUGAL, para a HUMANIDADE que o Miguel de Sousa Tavares e outros falem destas coisas, pelas quais passa o nosso Futuro: a nossa vida ou morte.

andrade da silva
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    Re: UM LIBELO NEMHUM JUIZO. PORTUGAL É MATADO    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 13:40 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re:QUEIROSIANO ? MAS QUAL A REFERÊNCIA CULTURAL?    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 14:50 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
AnaDaya (seguir utilizador), 1 ponto , 16:10 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 16:46 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
AnaDaya (seguir utilizador), 1 ponto , 18:41 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 8:51 | Terça-feira, 29 de Jul de 2008
    Re: QUEIROSIANO ENCAPUCHADO TERRORISTA.PONTO FINAL    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 13:10 | Terça-feira, 29 de Jul de 2008
    Re: QUEIROSIANO ENCAPUCHADO TERRORISTA.PONTO FINAL    Ver comentário
DukaBCN (seguir utilizador), 1 ponto , 17:07 | Terça-feira, 29 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
AnaDaya (seguir utilizador), 1 ponto , 17:48 | Terça-feira, 29 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 8:56 | Quarta-feira, 30 de Jul de 2008
    Re: Paraísos prostituídos    Ver comentário
DukaBCN (seguir utilizador), 1 ponto , 18:26 | Quarta-feira, 30 de Jul de 2008
    Re: NA DÉCADA DE 90 NASCE O MONSTRO    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 1:58 | Terça-feira, 29 de Jul de 2008
    Re: NA DÉCADA DE 90 NASCE O MONSTRO    Ver comentário
Filipe Albuquerque (seguir utilizador), 1 ponto , 12:12 | Quarta-feira, 30 de Jul de 2008
    Re: ESTE É UM FORUM DE LIBRDADE, PARA A LIBERDADE    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 23:46 | Quarta-feira, 30 de Jul de 2008
A VERDADE DOI!
1431956 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:53 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Mais uma véz,Miguel Sousa Tavares,mete a boca na verdáde! Haverá de certeza muito boa gente,que ao lér o seu comentário, não poderá ficár indeferente ! É a mais pura verdade, e desculpe que lhe diga mas entao estamos todos a caminhar para velhos!!!!!!!!
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Lembro-me bem do que era Armação
PSO2008 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:20 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Caro MST, esta última entrada deixa-me bastante nostálgico, pois lembro-me bem do que era o Algarve há 20 anos atrás... Costumava ir para a Praia dos Beijinhos, por debaixo do Hotel do Levante, ao lado de Armação de Pêra. Era um autêntico paraíso, quase sem ninguém. Os meus Pais, os meus Tios, os Amigos dos meus Pais, os Amigos dos Amigos, e os filhos de toda a gente (só miúdos éramos aí uns 15...) ...todos íamos para aquela Praia fabulosa. Montávamos um enorme toldo e toda a gente punha lá as tralhas todas. éramos uma pequena comunidade e os únicos habitantes daquela Praia. Passei lá todas as férias de verão da minha infância. Guardo recordações inesquecíveis, o meu Pai ensinou-me a nadar numa piscina natural de água cristalina, onde eu debaixo de água via aqueles camarões minúsculos. Também ia à caça de caranguejos com os meus Primos, foram tempos inesquecíveis, em que começava a chorar 2 dias antes de termos de regressar a Lisboa.

Fui lá há 2 anos e só me apeteceu chorar. Tudo porco, cheio de turistas e de guarda-sóis. A praia foi aos poucos transformada numa lixeira, frequentada por autênticos selvagens que conspurcaram aquilo tudo. São aos magotes, falam alto e dizem palavrões. Devem ter a "casa de férias" em Armação de Pêra, de certeza. O que eu me recordo de ser uma autêntica aldeia (já um pouco urbanizada na altura, mas muito pouco), com a fortazela de pedra onde íamos todos comer um gelado à noite, transformou-se num autêntico formigueiro pupulante de pessoas e prédios. É simplesmente horrível assistir-se à transformação de Armação de Pêra.

A profusão de prédios que se construíram ao longo dos últimos anos em Armação, deu origem, inclusive, um episódio curioso: da última vez que lá fui de carro, perdi-me, pois tinha perdido os meus pontos de referência e já não sabia precisar bem onde é que era o Mar! Penso que seja um episódio ilustrativo de quanto aquilo mudou.

Pois bem: Algarve, ou Allgarve, para mim, nunca mais.
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Tudo isto...
sardinha assada (seguir utilizador), 1 ponto , 11:21 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
É fruto de um LIBERALISMO desenfrado onde o que interessa é somente o lucro!
Se o comunismo não serviu, isto também não serve E ESTÁ A VISTA DE QUEM QUISER...
Cumps
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Bela descrição e com razão
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008

Eu também há muito que descobri o Algarve (de Barlavento a Sotavento) e o Alentejo. No Alentejo lamento profundamente que tenham “estragado” a Zambujeira do mar (com o Festival Sudoeste) que era um dos meus sítios para passar férias preferidos (quando era chavalito era Vila Nova de Milfontes, mas infelizmente essa já foi “estragada” há muito tempo) ... Quanto ao Algarve, as pessoas que não apreciam o Algarve é porque não o conhecem/conheceram como o MST (e modéstia à parte eu também).

Subscrevo este artigo de opinião.
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    Errata: Bela descrição e com razão    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 13:50 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Tudo é cíclico.
sdiego (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Vamos , calmamente ,aguardar que um tremor de terra seguido por um tsunami possa pôr tudo como estava.Aí os polvos (do mar) voltarão.
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Os 3 mosqueteiros
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 14:29 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Independentemente de terem razão ou não, já não há paciência para os comentadores "residentes".

Miguel Sousa Tavares
Marcelo Rebelo de Sousa
Nuno Rogeiro

Qualquer deles, sabe tudo sobre todas as coisas. Nunca se enganam e raramente têm dúvidas.
Se eles têm razão ou não, é indiferente. O que enjoa, é o facto dos orgãos de comunicação social, fazerem sempre perguntas aos mesmos, sobre todos os assuntos.

Metam na cabeça, de uma vez por todas, que aquilo que eles pensam, vale o que vale, ou seja, é a opinião deles.

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    Re: Os 3 mosqueteiros    Ver comentário
Tomcat2 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
    Re: Os 3 mosqueteiros    Ver comentário
joanaarandas (seguir utilizador), 1 ponto , 17:28 | Quarta-feira, 30 de Set de 2009
ferias algarvias
patricio branco (seguir utilizador), 1 ponto , 14:40 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
recomendo férias açoreanas, portosantenses ou madeirenses
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Re: Paraísos prostituídos
roa_z (seguir utilizador), 1 ponto , 14:43 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Tem toda a razão e todo o meu apoio. Os "Homens" só pensam neles e não no futuro. Destruir, destruir e destruir. É uma "seita" que se agarrou aos paraísos e enquanto não os destruírem de vez não descansam.
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Faz lembrar outras coisas...
Luis123456789 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:43 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Tem toda a razão Sr. MST, esta descrição faz-me lembrar o futebol Português pré corrupção, ou seja, pré PC, era um campo florido que passou a campo minado, até se ilegalizam as provas para não terem que se tomar medidas drásticas, mas esse é uma paisagem que não lhe interessa ver novamente florida.
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Paraísos Prostituídos
alrane (seguir utilizador), 1 ponto , 14:54 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
...Consequências do progresso, ganância, ambição desmedida, falta de respeito por tudo.
Somos hóspedes que não respeita o hospedeiro. No meu ponto de vista, isto tem que ver,
bàsicamente , com educação. Não me refiro aquela educação que nos ensina a ter comportamentos de convivência social, refiro-me sim a uma educação mais profunda: a que
nos deveria ensinr, acima de tudo, a respeitar a natureza, os animais e os direitos dos outros.
Ora, o que é que acontece? Cada qual defende os seus próprios intresses:
-Se somos construtores civis, fazemos tudo para construir onde nos deixarem (queremos lá saber da paisagem! O que queremos é ganhar dinheiro...)
-Se somos caçadores, o que eu queremos é caçar o máximo para rentabilizar a licença de caça(que se lixem as espécies)
-Se somos pescadores, reclamamos por causa do defeso e por causa do aperto das malhas(queremos lá saber dos júniores,toda a gente gosta de "joaquizinhos"fritos )
Poderia colocar aqui uma infinidade de itens, que todos conhecemos, mas não adiantaria
nada.Quando se diz que um povo não tem educação (a tal educação que conta), teriamos
antes que perguntar se temos educadores à altura.Cada qual reclama de acordo com os seus interesses.
O que é que se pode esperar de um povo que não respeita os direitos dos animais, que bate os os records de audiência em programas televisivos, tipo "big brother",ou que entende que a lei anti-tabágica é uma desvairada perseguição aos fumadores, ou ainda,
que vota em autarcas manifestamente corrupos; que tem um sistema judicial a lidar com
assassinos e ladrões como se de gente boa se tratrasse.
Este País não existe.
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Paradoxo
al karrub (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Segunda-feira, 28 de Jul de 2008
Mais uma vez digo, não gosto da pessoa, acho incompreensível as defesas que por vezes toma por suas..., não obstante de quando em vez escreve de forma que deixa-me estarrecido com a dicotomia e o paradoxo...
Só pode ser o ninho no qual nasceu e os pais que ensinaram-no a voar pela primeira vez...

Bem hajam eles pela capacidade de eloquencia que criaram...
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