"O Governo português é um governo amigo da Venezuela", garante Sócrates
Tiago Miranda
"Vimos à Europa com uma mensagem de amor, paz e justiça", garantiu Hugo Chávez - que antes de aterrar em Lisboa passou pela Rússia e pela Bielorússia. Chávez desmentia assim, categoricamente, a notícia segundo a qual acordara com Moscovo a instalação de uma base militar russa. Uma notícia "completamente falsa", que classificou como uma das várias "emboscadas" de que é alvo "diariamente", no que considera ser "uma campanha perversa", "uma guerra mediática": "Seguem-nos no mapa", comentou ainda.
O presidente da Venezuela, que se fazia acompanhar de uma vasta delegação governamental, discursou durante cerca de 10 minutos. Falava nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, numa conferência de imprensa, sem direito a perguntas, que assinalou o final de uma breve cerimónia em que foram assinados dois memorandos de entendimento e três contratos entre Portugal e a Venezuela - que dão seguimento a outros tantos acordos de intenção firmados em Maio, por ocasião da deslocação de José Sócrates a Caracas.
Chávez agradeceu por mais de uma vez a generosidade e o calor humano do primeiro-ministro português, que saudou como "um querido amigo": "Quando chego a Lisboa, a este velho lugar, a este velho jardim, sinto-me em casa", disse, afirmando reconhecer em Sócrates "um líder europeu que sabe muito bem o que se está a passar na América Latina e do Sul". "Há uma revolução em curso e tu sabe-lo", afirmou, olhando para o primeiro-ministro, que seguia atentamente as palavras do chefe de Estado venezuelano, e terminando a intervenção garantindo que os une "o mesmo sangue, os mesmos sonhos, a mesma utopia:a de Quixote e a de Bolívar".
O primeiro-ministro português, que discursou antes de Chávez, repetiu o tom que já ensaiara aquando da sua visita à Venezuela: "Não há uma ou duas razões para mantermos uma relação especial com a Venezuela, há 500 mil", disse Sócrates, referindo-se à vasta comunidade portuguesa residente naquele país da América Latina. Sócrates agradeceu o empenho do Governo de Chávez por "tudo o que tem feito" pela comunidade portuguesa. Mais curiosa foi a distinção que estabeleceu entre "a diplomacia das palavras e intenções" e "a diplomacia dos resultados", mostrando-se "orgulhoso de ser o primeiro-ministro do Governo que deu o impulso às relações económicas entre Portugal e a Venezuela" e concluindo, com uma assertividade que não deixa dúvidas:"O Governo português é um governo amigo da Venezuela".
Chavez aterrou em Figo Maduro perto das 21 horas de quarta-feira e só deixa Lisboa na sexta-feira, partindo de seguida para Madrid. O programa de quinta-feira é ainda desconhecido, sabendo-se apenas que deverá prestar homenagem a Simon Bolívar, junto à estátua deste herói venezuelano na Avenida da Liberdade. Na capital espanhola tem para já garantido um encontro com José Luis Zapatero, o chefe do Executivo, não estando ainda confirmada a possibilidade de almoçar com o rei D.Juan Carlos, com quem ainda não se voltou a encontrar depois do episódio do "Porque no te callas?", em finais de 2007.