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Sócrates e Manuela

8:00 Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
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Num país dado ao pessimismo e à depressão, o discurso derrotista é o que vai melhor com a quadra. Tem audiência e aplauso garantidos, à esquerda e à direita, servindo às mil maravilhas para incendiar debates televisivos, ou alimentar greves e manifestações. Pelo contrário, palavras como "coragem", "ânimo" e "energia", usadas por José Sócrates, não caem bem por estes dias. O que está a dar é o bota-abaixismo e desesperança, seja na boca dos líderes da oposição seja na de alguns 'gurus' que nos aparecem nas televisões ao serão a anunciar o apocalipse para a manhã seguinte.

Esta semana tivemos, em duas grandes entrevistas, as duas atitudes opostas. Na TVI, Manuela Ferreira Leite traçando um retrato negro do país, sem adiantar perspectivas nem propostas que possam mudá-lo. Na RTP, José Sócrates, assumindo as "grandes dificuldades" que aí estão, anunciando algumas medidas, necessariamente insuficientes, para apoiar sectores mais frágeis da sociedade, mas mostrando-se seguro das suas opções e procurando transmitir confiança ao país.

A atitude da nova líder do PSD, carregada de um pessimismo sem saída, é a que vai melhor com o ar do tempo. A de José Sócrates corre ao arrepio, prestando-se aos clássicos comentários sobre o desacerto entre o discurso e a realidade. E, no entanto, é o primeiro-ministro que está certo, fazendo o que se espera de um líder político numa situação de crise: que não se renda à adversidade e se esforce por tentar vencê-la.

Dir-se-á que Manuela Ferreira Leite também cumpre o seu papel, pois, se quer substituir Sócrates dentro de um ano, tem que pintar a situação com as cores mais negras. Mas se uma promitente chefe do Governo vem dizer que o país não tem dinheiro para nada; se pede a revelação de estudos que, pelos vistos, são públicos; se sugere o cancelamento de obras - quando as obras são, por si mesmas, geradoras de emprego, de riqueza e até vêm aprovadas por outros governos, incluindo um de que fez parte; se é incapaz, por fim, de uma palavra de esperança, o que está a dizer é que o país não tem presente nem futuro. E dizendo isso sem acrescentar propostas alternativas está a negar-se a si mesmo enquanto alternativa.

A entrevista de Manuela Ferreira Leite à TVI era, no fundo, a sua apresentação pública como presidente do PSD. Precisava de ganhar na comparação com Sócrates - o que não aconteceu -, ou, pelo menos, de causar uma boa impressão nessa primeira grande oportunidade. Até porque, como é sabido, por vezes não há segunda.

TGV ou aeroporto?

Não sei se Lisboa precisa de um aeroporto maior. Mas se há 40 anos que o assunto é debatido por técnicos e políticos de todas as cores, presumo que não andaram a discutir o sexo dos anjos. Só para arranjarem uns negócios chorudos para as empresas de obras públicas. De igual modo, nada sei sobre comboios. Por isso não posso jurar que o TGV se justifica plenamente, ou que, pelo contrário, é um investimento inútil. Só para agradar aos novos-ricos e aos lóbis interessados na sua construção.

O que sei, porque está à vista de todos, é que os preços dos combustíveis não vão parar de subir - podem até baixar conjunturalmente, mas nunca para os valores de há um ano ou daí para trás. Pela simples razão de que o petróleo já mal chega para as encomendas e chegará cada vez menos. Ora, o delírio dos preços não pode deixar de ter efeitos ruinosos no transporte aéreo, como já se está a ver com a TAP e com a generalidade das companhias. As próprias "low-cost" passarão, em breve, a "high-cost" ou à falência. E até que se encontrem substitutos para os hidrocarbonetos, é muito provável que viajar de avião, assim como viajar de automóvel a gasolina ou gasóleo, volte a ser o luxo de há 30 anos ou 20.

Ora, o comboio - e especificamente o de alta velocidade - apresenta-se como uma alternativa ao avião, válida e de futuro, dentro de cada continente. Daí não se perceber bem por que é que, entre os que contestam as grandes obras anunciadas, o TGV aparece como a primeira a abater. Mais depressa se compreenderia o finca-pé no adiamento do novo aeroporto. Afinal, se a procura do avião diminuir, como tudo parece indicar, a Portela pode servir por muitos mais anos do que aqueles que os peritos calcularam numa situação global completamente diferente da que hoje vivemos. Mas isto, claro está, é o que ocorre a quem nada sabe de aeroportos e TGV. Nem de certas campanhas políticas desencadeadas para eleitor ver.

Esclarecimento do MAI

A propósito do comentário, nesta página, sobre a agressão a dois juízes no tribunal de Santa Maria da Feira, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, esclareceu que se encontravam na sala de audiências sete membros das forças de segurança e, fora da sala, mais nove. Muitos, realmente. Detiveram imediatamente os agressores e identificaram os que proferiram as injúrias. Pergunta Rui Pereira que mais se poderia exigir do MAI, sendo certo que, nos termos da lei, os réus devem ser presentes ao tribunal "livres nas suas pessoas". E que compete aos juízes inverter esta regra quando entendam haver razões de segurança que o justifiquem - iniciativa que eram livres de tomar e não tomaram. Nestas circunstâncias, impõe-se registar que a crítica ao MAI não tinha razão de ser.

Fernando Madrinha

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O Pessimismo Português
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Já escrevi aqui, que estou convencido que uma das razões do relativo atraso de Portugal, se deve ao crónico pessimismo da generalidade dos Portugueses.
Quando se lhes pergunta como irá evoluir determinada situação a resposta e pronta e inequívoca: Vai para pior!

O que é que se esperaria de uma empresa, se os seus funcionários em conjunto se mentalizassem que sempre tudo iria piorar? E se fosse o patrão ou o gestor a desencorajar o grupo. Não foi assim que Aragonez, fez da Espanha a equipa campeã da Europa. Não foi assim que José Mourinho, teve o sucesso que teve e terá por todos os lugares por onde passou!

O Pessimismo, é a palavra que melhor sintetiza as ideias de cobardia, irresponsabilidade, inoperância, inveja e a frustração dos incompetentes e falhados!

O que pretende Manuela Ferreira Leite com o seu discurso catastrofista? Chegar ao poder; mesmo que para tal tenha que convencer os portugueses que o país não tem dinheiro para nada ou que está de tanga, como o afirmou um seu antecessor logo que chegou a Primeiro-Ministro; Este pretendia dizer ao povo que o país bateu no fundo, logo daí para diante toda a obra seria sua! Inteligente, não?

MFL visa dois objectivos ao proclamar que não há dinheiro para nada e que não se devem realizar obras públicas: A primeira implica concluir que o país está mal governado, logo deve-se substituir o governo; a segunda, é por que sabe que os projectos de grandes obras públicas, terão relevante impacto no desenvolvimento do país, levando ao crescimento Económico, ao aumento do emprego e contribuem para a redução da nossa dependência energética. E se o Primeiro-Ministro apresenta obra, MFL não chega lá!

Impõe-se que o governo invista fortemente em Centrais Hidroeléctricas, (porque não retomar Foz Côa), Energia Solar, Energia Eólica, Bio Massa, Bio Combustíveis e também a opção nuclear (é injusto prescindir desta forma de energia, quando há em Espanha muitas centrais Nucleares e sendo a França o maior produtor mundial deste tipo de energia).

À medida que formos auto-suficientes em Energia Eléctrica com origem em fontes renováveis, iniciar-se-ia o encerramento das centrais térmicas (fuel); todas os comboios seriam electrificados; além no TGV, construir-se-ia uma rede de caminhos-de-ferro que cobrisse o país inteiro, totalmente electrificada, para transporte de passageiros e de mercadorias. Assim os Automóveis, os Autocarros, os Camiões e os Aviões seriam substituídos pelos comboios a nível nacional.

As Vantagens seriam óbvias sob todos os pontos de vista: Zero consumo de Hidrocarbonetos, zero de emissões de CO2, os camionistas não poderiam mais bloquear o país, maior segurança e rapidez nas deslocações (o comboio é o meio de transporte mais seguro do mundo), ao mesmo tempo o automóvel clássico seria gradualmente substituído pelos automóveis eléctricos que aí vêm, circulariam livremente nas nossas estradas e auto-estradas, sem ruído, sem poluição, sem o perigo eminente de serem passados a Ferro por um TIR gigante.

Como dizia um treinador português vale a pena sonhar, vale a pena acreditar no futuro!

MB-Porto

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    Re: O Pessimismo Português    Ver comentário
KIFAS (seguir utilizador), 1 ponto , 17:51 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
    Re: O Pessimismo Português    Ver comentário
Haviador (seguir utilizador), 1 ponto , 17:26 | Sexta-feira, 11 de Jul de 2008
Comunicado da Comissão Política do PS
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 10:43 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
A Comissão Política do PS não publicaria melhor comunicado. O panfletário ainda acaba em assessor do Sócrates para uma informação livre e bem informada que diga o que a gente quer e não mais.
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    Re: Comunicado da Comissão Política do PS    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:42 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
    Re: Comunicado da Comissão Política do PS    Ver comentário
KIFAS (seguir utilizador), 1 ponto , 17:58 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
    Re: Comunicado da Comissão Política do PS    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:18 | Quinta-feira, 10 de Jul de 2008
Eu é que sei
zec (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
Podes defender "a tua dama", podes falar sobre pessimismo e sobre maneiras de liderar, mas eu é que sei pelas dificuldades que passo, eu é que sei como a minha carteira sente a crise e eu é que sei da realidade com que me deparo diariamente. E não me venhas com tretas porque foi a tua maioria, o teu 1º. ministro com o teu voto que abriram caminho para que eu soubesse tudo isso. Olha e não é pessimismo. É crise mesmo.
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Diga aí ao seu chefe.....
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 16:19 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
Diga aí ao seu chefe que aceita uma diminuição do seu ordenado e que vai viver com o rendimento médio nacional, só para saber se vinga o discurso pessimista ou o optimista!
Falar de barriga cheia é muito fácil!
Repare que nem lhe proponho o ordenado mínimo, mas sim o médio!
Se vivesse uns tempos com esse rendimento pode acreditar que pensaria duas vezes quando lhe falassem em gastar o dinheiro dos seus impostos em obras, que poderão ou não ser consideradas investimentos! Aliás, se vivesse com esse rendimento ficaria imediatamente formado em macroeconomia!
Acredito que não perceba nada de investimentos, nem de obras públicas, nem de economia, nem de coisa nenhuma, mas a obrigação de um jornalista-comentador é investigar para poder dar opinião. Se a Fátima Campos Ferreira só fizesse programas de matérias que dominasse não teríamos programas como o Prós e Contra, mas ela informa-se!
Ser a "voz do dono" já não é o que era!
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    Re: Diga aí ao seu chefe.....    Ver comentário
KIFAS (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
    Re: Diga aí ao seu chefe.....    Ver comentário
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Quinta-feira, 10 de Jul de 2008
Não se compare
1ministro (seguir utilizador), 1 ponto , 17:54 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
o incomparavel!! Que se saiba nunca a Drª Manuela Ferreira assinou projectos que não fossem seus e nunca houve dúvidas sobre a forma como tirou o seu curso.
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    Re: Não se compare    Ver comentário
Alexandre Santos (seguir utilizador), 1 ponto , 18:16 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
    Re: Não se compare    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Quinta-feira, 10 de Jul de 2008
as carpideiras
Carlos A R Ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:54 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
Para alguns foi a obra de Sócrates que fez a crise chegar a todo o Mundo, e não a crise global que também nos veio afectar (petróleo, cereais, juros, matérias primas...).
Claro que os tempos vão difíceis, mas ter governantes para parar com tudo e ficar no canto a carpir, é melhor não os ter.
E é a mais pura verdade que temos vergonha de dizer que temos dinheiro para viver, embora possamos estar pior do que há uns anos atrás. Nestes posts que lemos na Internet, a maioria dos que escrevem parece estar já a morrer de fome, só que eu sei bem como em Portugal quem não se lamenta e não exibe olheiras quando se fala da vida, não é boa gente.
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lucidez
afsd (seguir utilizador), 1 ponto , 18:09 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
Sobre as pessoas( Sócrates vs Manuela F. Leite), abstenho-me de fazer juízos de valor, sobre as (suas)políticas ou ideias,faço as minhas próprias apreciações como todos nós e escolho-as como me aprover, para isso estou numa democracia. Acontece que nós (Portugueses) sempre nos chocámos com o positivismo, somos fatalistas??? (cá temos nós o fado a vir ao de cima), se algo corre mal nas nossas vidas, isso já estava previsto (estava escrito é o destino). Ora que eu me lembre, toda a minha vida ouvi isto (já lá vão alguns Janeiros) e isto vem a propósito de quê? vem porque alguém lúcido ( felizmente existem muitos mais), escreve algo que faz sentido e é contra a corrente enraizada do pessimismo ( veja-se as sondagens europeias, os outros estão melhres que nós, os outros não têm problemas sociais,os outros não têm o combustível caro como nós e por fim aquele ditado
" a galinha da vizinha é melhor do que a minha") Nós por cá todos bem? escreve-mos nas nossas cartas? (agora são mail's),mas é só fachada é mentira porque na maior parte do nosso pensamento isto está "bera", pois somos pessimistas e deprimidos. Ora escrevo isto porque nesta apreciação do Sr. Fernando Madrinha, está duma forma clara, um pensamento positivo, que não fazia nada mal nós portugueses, que fossemos assim nem que fosse só por um pouquinho. Nós passámos por uma segunda guerra mundial, e estamos quase diria, atrasados da mesma forma que os países do "ex bloco soviético" e que agora procuram a europa de uma forma sofrega (passe a expressão), porque aqui é que existe a vida com qualidade, mas a europa ocidental, passou por essa guerra, da mesma forma que eles!então qual a diferença, se passaram pelo mesmo?Porque eles, investiram nas infraestruturas, na qualidade das suas vidas, reconstruíram o que estava destruído, e com dinheiro que tinham? não, com positivismo e crença no futuro e ajudas claro, enquanto no outro lado nada se fez nesses países,( veja-se a ex DDR nas antípodas da ex RFA,agora Alemanha unificada), nem na própria ex U.Soviética. Mas há mais exemplos, veja-se por exemplo, este que até é simples, o caso, de um casal comprar uma casa e fazer uma divída para o resto da sua vida, não sabendo como irá pagar! mas acredita que sim, pode pagar, têm um pensamento comum e positivo e deixam algo, caso tenham sucesso ( a maioria tem),que fica para os seus vindouros ( a base desse positivismo é acreditar, mesmo com oreceio, que possam falhar, pois não adiviham o futuro, mas mesmo assim vão à luta). Já agora outro exemplo. Os nossos descobridores eram quê? adivinhos; mágicos;bruxos;gente estúpida que gostava de arriscar as suas próprias vidas?que jogavam no escuro, o que eram esses homens, que fizeram de Portugal ( nessa altura o país mais rico do mundo)?vendedores de ilusões?charlatões? pessimistas? não, eram homens que acreditavam que existia algo mais do que este pedaço de terra e alguns, fizeram sacrifícios das suas vidas por esse mundo fora, mas com um obejctivo positivo.Claro que haviam os velhos do Restelo, como os que há agora (parece-me que agora são mais, e exponencialmente!!!), mas tiveram sucesso como se sabe, ou não? porquê? porque acreditaram. Temos mais, veja-se o caso do nosso Marquês de Pombal ( podemos gostar ou não do estilo), na escola todos nós estudámos, que houve um terramoto em 1755 ( Novembro dia 1), foi terrível e morreu muita gente nessa catástrofe e qual foi a atitude que esse personagem teve? uma atitude positiva ( todos nós nos lembramos da frase que ficou para a história, embora possa parecer cruel mas ficou) "enterram-se os mortos e cuidam-se dos vivos" e restruturou a parte da cidade, destruída, com uma visão futurista. Acontece que ainda hoje passados séculos a obra está aí (baixa da cidade de Lisboa), porquê? porque acreditou!foi positivo. Haveria concerteza muitos exemplos a descrever, mas estes por si só, serão na minha modesta opinião, alguns que nos façam pensar, que é possível fazer, basta ter atitude ou haver alguém ( que governe ),que a tenha, seja Sócrates ou Manuela F.Leite. Obrigado por haver alguém assim, acreditem por favor
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