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O preço da demagogia

8:00 Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
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1 A história das gravuras de Foz Côa e da futura barragem do Sabor é uma lição exemplar dos malefícios da demagogia, servida na política. Guterres tinha acabado de chegar a primeiro-ministro e, dos disponíveis dos Estados Gerais, foi buscar para ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho (que, depois e quando a nave socialista começou a meter água, foi o primeiro a saltar fora e, desmentindo a máxima de Guterres de que 'Roma não paga a traidores', acaba por ser compensado com o melhor tacho de todo o Estado português - o de embaixador na UNESCO). Juntos à época, Guterres e Carrilho resolveram inaugurar o mandato com uma decisão grandiosa: cancelava-se a barragem de Foz Côa, já em construção, e a benefício da preservação de uns tacanhos rabiscos numas pedras, que alguns 'sábios' e alguns oportunistas decretaram ser gravuras paleolíticas. E nem a desfeita causada pela maior autoridade mundial na matéria - que, levado a ver os rabiscos, sentenciou que o suposto Paleolítico teria entre trinta e trezentos anos - abalou o entusiasmo e a determinação dos então governantes em jurar que, a partir daí, o património cultural teria prioridade sobre tudo o resto.
 
A barragem prevista foi, pois, suspensa e, quanto às gravuras, sabe-se o que aconteceu: as prometidas excursões de milhares e milhares de portugueses e europeus previstas jamais aconteceram; o novo modelo de 'turismo cultural', que ali se iniciaria, foi nado-morto; não aconteceram os trabalhos científicos anunciados nem o interesse mundial naquela fantástica descoberta. Em contrapartida, arranjou-se uns lugares vitalícios para funcionários do Paleolítico e, vá lá, vá lá, desistiu-se de lhes fazer a vontade gastando mais uns milhões num museu sem conteúdo e sem qualquer viabilidade económica. Mas a barragem fazia falta à EDP e fazia falta à regularização do curso navegável do Douro. Por isso, não avançando Foz Côa, avança a barragem do Sabor, cuja construção Sócrates acaba de adjudicar.

Acontece que o Sabor, para quem não conhece, é, talvez, o mais bonito rio de Portugal, o mais preservado, o mais selvagem. Se passassem nas televisões um filme sobre os rabiscos de Foz Côa e outro sobre o curso do Sabor, as pessoas ficariam chocadas ao perceber aquilo que se decidiu preservar e aquilo que se decidiu destruir. O suposto Paleolítico derrotou o presente e o futuro. A invocada cultura afogou a beleza - um contra-senso filosófico que nem o dr. Carrilho conseguiria explicar. Nós destruímos os rios (e em nome do 'ambiente', como explicou Sócrates) e depois gastamos dinheiro a construir, e ainda bem, fluviários para explicar às criancinhas o que é um rio. O problema é que, se as "gravuras não sabem nadar", os rios não sabem protestar. E é assim que se governa, quando o mais fácil é ceder à demagogia.

2 Manuela Ferreira Leite tem toda a razão, quando denuncia a inutilidade de obras públicas que não são essenciais, que não obedecem a uma estratégia conhecida de desenvolvimento, que são lançadas quando se enfrenta uma crise e se tenta a todo o custo conter o défice, e quando a factura é remetida para os nossos filhos. E tem toda a coragem, quando ousa enfrentar o lóbi das obras públicas, que é o grande financiador dos partidos do 'centrão'. Caiu-lhe em cima a CIP e a AICCOP, uma das associações do sector, justamente alarmadas. Diz o presidente desta última que "compete à iniciativa privada assumir-se como motor de desenvolvimento e o que nós pedimos é que o Estado crie as condições para se iniciar um novo ciclo de investimento". Eu traduzo, para o caso de ainda haver alguém que não perceba: eles são iniciativa privada para os devidos fins de respeitabilidade e estatuto; mas só são iniciativa se o Estado lhes garantir as empreitadas e os negócios e só são privados para colherem os lucros, ficando os riscos para o Estado. É assim como se o merceeiro da esquina dissesse: 'Se o Estado me garantir que compra todo o "stock" que eu não conseguir vender, eu garanto a minha iniciativa privada de comerciante'.


3 Quando não sabe o que há-de fazer para atrair as atenções, o Partido Socialista avança com modernices, a que gosta de chamar "propostas fracturantes. A última consiste num projecto de lei a declarar que não ser pobre é um "direito humano", cuja violação constitui "crime". A extrema inteligência desta proposta não é apenas a de imaginar que a pobreza possa ser erradicada através de uma simples lei da Assembleia da República; é também a de dar aos pobres, independentemente do motivo da sua pobreza, uma espécie de esmola moral: "Se eu sou pobre, é porque alguém é um criminoso responsável pela minha situação".

Acontece que, como as estatísticas indicam, os números da pobreza estão e estarão a aumentar no futuro próximo. Consequência dos preços do petróleo, da sobrevalorização do euro, da subida dos juros. Mas não só: há uma nova categoria de pobres, talvez a mais dura, que é a da pobreza envergonhada e inesperada - que atinge todos aqueles que se endividaram, primeiro para ter carro, depois para ter casa própria, depois para fazer férias no Brasil ou em Cuba. Pobres que sempre fomos (em termos europeus), temos os mais altos índices da Europa de proprietários de habitação própria, de número de televisões por lar, número de telemóveis por habitante, número de pessoas a circular todos os dias em transporte individual, etc., tudo a crédito. Não sei quem possa ser o criminoso nestes casos, embora reconheça que, quando se vê o Estado a comportar-se como novo-rico, lançando aeroportos, TGV e auto-estradas sem necessidade e com a conta remetida para mais tarde, é grande a tentação dos cidadãos de fazerem o mesmo. Se o Estado - que é quem dá o exemplo e decide as políticas económicas - faz obra sem dinheiro, por que não hão-de as pessoas também gastar a crédito?
 
O problema português é, de há muito, a ausência de uma consciência colectiva que incentive e premeie o mérito, o trabalho e o risco. O que está subjacente à proposta do Partido Socialista é uma cultura de desresponsabilização individual, trocada pela crença de que ou o Estado ou Bruxelas terão de ter sempre resposta a cada uma das nossas necessidades. Muitos portugueses esperam sentados - ou de baixa ou de subsídio de desemprego - que lhes caia aos pés a oportunidade de enriquecer sem esforço, sem mérito, sem sacrifícios. Vivem protegidos por uma legislação laboral e social que tem como consequência mediata desproteger os outros, os que querem progredir por si e encontram um mercado 'escaldado' e desconfiado de todos, devido aos maus exemplos. Como dizia Victor Hugo, "haverá sempre pobres, o que não tem é de haver sempre injustiças". É disso que se trata.

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86 comentários
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CORPOS DE QUEIXAS E MALES LETAIS.
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 9:09 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Notas prévias: a- Não há nenhum segredo, lanço cedo o texto, às segundas-feiras, porque trabalho-o sobre a versão escrita do Expresso, ao Domingo, como consta na data da produção do comentário

      b- Contraditório com MST!? Nunca! Ele habita o Olimpo, eu, o Grande Portugal dos pequenos.

CORPO DE QUEIXA 1 – PORTUGAL DEIXA MORRER OS MONUMENTOS. Morrem, por aqui e por acolá, as memórias de pedra das nossas grandezas e fraquezas. Alcobaça morre sobre a porcaria dos pombos. Para isto já o Sr. Presidente da República chamou a atenção, mas que fazem as autoridades e nós cidadãos?

CORPO DE QUEIXA 2- A SRA DRA. FERREIRA LEITE TEM TODA A RAZÃO, MAS…. só não a tem num pequeno, embora muito significativo, pormenor, ou seja, ela própria é responsável pelas politicas que nos levaram a vivermos bem acima das nossas posses . Como se devem recordar começaram na década de 90 com o Oásis, tão cantado nos livros publicados pelo Público, sob a coordenação de António Barreto e Filomena Mónica. Os indicadores da prosperidade, então, referidos, eram a casa própria, o carro, etc , ou seja, tudo, o que, hoje, é a base do endividamento das famílias, conforme já referia então. Também foi aí e paralelamente que se iniciou a paixão pelo betão. É velha e conhecida a táctica de substituírem-se obras públicas aprovadas, quando o partido é governo, por bandeiras sociais quando estão na oposição, seja o PS, seja PSD. Mais um corpo de queixa, o que fazem os cidadãos? Abstêm-se!?...

CORPO DE QUEIXA 3 – INICIATIVA PRIVADA! MAS QUAL QUÊ? Outra grande farsa, o ESTADO concede ou garante os créditos, se houver lucros os empresários pagam, se houver prejuízo o Estado paga os créditos e garante os lucros, ao que dizem. Diz-se que isto está contratualizado, será? Mas se isto é verdade que faz a Assembleia da República, o Tribunal de Contas, e sobretudo nós cidadãos?

CORPO DE QUEIXA 4 – OS POBRES E OS NOVOS POBRES EM PORTUGAL. Oh Sr. Miguel Sousa Tavares!...Todos sabemos da responsabilidade do petróleo, do gás, da mania que somos ricos e não somos, mas há muito mais. Que miopia! Para além de não haver emprego para os doutores, sabia? Há iletracia financeira de que os bancos se servem e fazem sobre- lucros, não pagando impostos; mas também há publicidade e propaganda enganosas; mas também há falências fraudulentas; mas também há falta de formação profissional; mas também há salários paupérrimos e despedimentos; mas também há falta de investimento produtivo público e privado; mas também há uma muito grave assimetria na distribuição da riqueza produzida; mas também há especulação nas bolsas, agora até na alimentar e a bolha especulativa na construção etc, etc.

Mas que fazem as Instituições Democráticas perante tantos corpos de queixas, e que fazemos nós?

SIM! O QUE FAZEMOS NÓS?

ESPERAMOS POR D.SEBASTIÃO, OU POR DONA CONSTANÇA?

HAVERÁ FUTURO!?....
andrade da silva Domingo 6 Julho 08

PS: Os carros eléctricos foram experimentados já noutros países, e, segundo, vídeos na net destruídos após o período experimental, o que terá acontecido com várias marcas
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    Re: CORPOS DE QUEIXAS E MALES LETAIS.    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 9:36 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Mantêm-nos vivos para nos poderem sugar mais.    Ver comentário
sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 9:58 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: CORPOS DE QUEIXAS E MALES LETAIS.    Ver comentário
Ali-à-Gato (seguir utilizador), 1 ponto , 14:34 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: ESTES COMENTÁRIOS COMPLETAM O CENÁRIO    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 0:52 | Quinta-feira, 10 de Jul de 2008
    Re: ESTES COMENTÁRIOS COMPLETAM O CENÁRIO    Ver comentário
Queirosiano (seguir utilizador), 1 ponto , 12:45 | Sexta-feira, 11 de Jul de 2008
    Re: ESTES COMENTÁRIOS COMPLETAM O CENÁRIO    Ver comentário
hmmsa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Sexta-feira, 11 de Jul de 2008
Baralha e volta a dar...
sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 9:49 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008

Nota prévia:
Não há nenhum segredo, aqui falta tudo, incluindo a edição escrita do Expresso. Limito-me a escrever o que me vai na alma, sem filtros ou adornos de qualquer natureza.

          Embora sejam os temas do costume, recalcados, actualizados, embaralhados e distribuidos de novo, são úteis por nos fazerem recordar os erros de um passado recente, já quase esquecido. Diz-se que a memória de um povo não vai além de 1,5anos, valha-nos então a memória do Miguel.

            As gravuras passaram a caricaturas. Não sei se é verdadeira a teoria de que não têm mais de 300 anos. Entre resultados e avaliações tão dispares, alguem está a ser desonesto, por certo. Quando se nasce em berço de ouro tem-se tendência para esbanjar. É o nosso caso, que temos recursos hidricos tão abundantes que não os valorizamos. Alguns sacrificios teremos que fazer. Mas pelo caminho fica a água subtraida por Espanha e nunca reclamada pelos portugueses. Se é um bem escasso, no minimo deveria ter valor comercial. Depois temos as cheias que quase todos os anos nos afligem. Se temos cheias é porque temos caudais desregulados, e aí, sim, poderiamos construir barragens e tirar ´daí algum proveito energético. Não se podem escolher só os locais que são evidentemente rentáveis para a EDP. Deverá o estado contabilizar os custos com a importação de petróleo e todos os maleficios deste liquido negro que nos vai matando aos poucos, e incentivar os aproveitamentos renováveis, como os hidroelectricos.

            As denuncias de Ferreira Leite ainda são mais estapafurdias que os projectos do governo. As obras públicas são necessárias, são o motor do desnvolvimento. São o legado mais evidente para as gerações vindouras. Não só as construtoras que financiam os partidos. Inexplicavelmente continuamos ás escuras sobre quem financia os partidos. Ainda mais ás escuras estamos sobre quem financia os políticos, em particular. A unica coisa que se questiona é o retorno, e a capacidade económica, de empreender os projectos em questão, por parte do estado. O Engº Sócrates diz que os estudos estão na Net, o que eu não duvido, só não sei aonde. Já a Drª Manuela critica, mas não sei com base em quê. Será na sua fama de reputadissima economista? Não chega.

            Quanto ás leis fracturantes e outras que tais, digo e repito, parém de legislar. Façam mais do que mandar bitaites e escrever textos na assembleia. Façam primeiro cumprir tudo o que já ditaram. Transformem a massa de funcionários públicos excedentários em serviços para o país. Implementem, fiscalizem, incentivem, enfim, façam alguma coisa, nem que seja só para variar.

Mais democracia, mais pedagogia, mais acção. Abaixo a demagogia.
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    Re: Baralha e volta a dar...    Ver comentário
pacoinp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:24 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Barragem do Sabor - Será Porugal ingovernavel?
PChaves (seguir utilizador), 1 ponto , 9:54 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Ao ler a opinião de MST, interrogo-me se Portugal será um país governavel... pelos Portugueses.
De facto, para além de termos dificuldade em decidir, seja o que fôr, veja-se o caso do Novo Aeroporto de Lisboa, TGV, etc, etc, acontece que, depois de tomada a decisão, vêm os mais dotados comentadores e "opinion makers", constatar que a decisão tomada não é a melhor e pasme-se, no caso da Barragem do Sabor, esta barragem não, o que era bom era mesmo a barragem de Foz Coa!
Depois do Carnaval que foi o "camping" em frente aos Jerónimos e a palhaçada das promessas para substituição do investimento em betão (palavra maldita que, em Portugal, é pior que lesa a pátria) por investimento em cultura, só a crónica de MST para me sentir, de novo, bem em Porugal!
A barragem de Foz Coa é que era!...
E já agora, porque é que não se aproveita a boleia dos MST deste país e se fazem as duas? Sim, que um dia destes, quando o processo do Sabor fôr chumbado por algum tribunal deste país de providências cautelares, há-de vir um MST qualquer dizer de sua justiça e que "A BARRAGEM DO SABOR É QUE ERA"!
Por mim, estou mesmo convencido que era mesmo.
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    Re: Barragem do Sabor - Será Porugal ingovernavel?    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:58 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
artigos
oabrupto (seguir utilizador), 1 ponto , 11:03 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
o escritor miguel diz isto...

curioso que pessoas da área económica digam outras coisas...
http://aeiou.expresso.pt/...
http://aeiou.expresso.pt/...

curioso...

http://elesqueremvoltar.w...
oabrupto
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O salssifré instalado!
pacoinp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:22 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Uma geringonça semelhante às mostras nos passeios da expo 98, é o que é retratado neste artigo, o nosso aparelho de estado, onde as figuras do aparelho , não tão bizarras como as personagens das gerinconças, desconseguem fazer feliz quem quer que seja , trazendo pobreza aos que democráticamente acreditaram no novo circo e , riqueza, fausto aos inúmeros barbeados e não barbeados, que pululam nos corredores do aparelho , respeitosamente guardados por uma elítica força despida de fardas , mas guardiões substantivados pelo orçamento , orçamentado.
Muito apreciado o artigo, considerando que pelo menos há ricos , que ainda pensam nos seus semelhantes, como parte de uma Nação.
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Parece não ter nada a ver...
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 11:49 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Deixemo-nos de conversas da treta e divisionistas na esquerda. Entendam-se e
constituam um programa comum de esquerda, se verdadeiramente querem alterar a
crise moral grave do País. O problema de mudar está na ordem do dia da vida
da nação. Hoje milhões de homens e mulheres dizem: "isto não pode continuar
assim". As causas desse descontentamento são simples: o regime agrava
constantemente as dificuldades da vida de todas as camadas da população
trabalhadora. Por isso, todos se interrogam agora com inquietação, e mesmo
com ansiedade, sobre a situação, sobre o futuro. A instabilidade domina.
Domina a insegurança. Milhões de familias, vivem mal, por vezes na miséria.
Dia após dia, multiplicam-se os problemas que têm por diante,
transformando-se em preocupações angustiantes e até em verdadeiros dramas.
Os salários são insuficientes, os preços sobem a uma velocidade nunca vista,
os impostos não param de aumentar e esmagam os pequenos orçamentos. Assim ,
para o dia a dia, as familias de trabalhadores são obrigadas a sacrificios
permanentes, as privações de toda a ordem, inclusive nos aspectos mais
vitais. Poupa-se na comida. E, por isso, nas casas dos trabalhadores,
consome-se menos carne, menos legumes frescos, menos frutos frescos. Poupa-se
nas férias. E para mais há o receio sempre crescente de que a doença atinja
quem trabalha. E que dizer das centenas de milhares de pessoas idosas, que
vivem numa penúria dramática? Os que, com muitos anos de trabalho,
contribuiram para fazer a riqueza do país, recebem do Estado, , ao fim da
vida, uma verdadeira esmola. E há ainda o problema da educação dos filhos.
Há o aumento do desemprego. Depois, o que fica, para viver, para olhar pelos
filhos, como se desejaria, para a cultura, para o amor? A solução, não passa
por criticar sem apresentar um programa comum de esquerda, onde os problemas
levantados pelo desenvolvimento e as necessidades que esse desenvolvimento faz
surgir exigem uma transformação profunda das estruturas económicas do país.
A união é, na verdade, um meio essencial para o êxito do combate contra os
tecnocratas neo liberais, comamdados por Cavaco Silva, Socrates, Paulo Portas e
Ferreira Leite...

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    Re:DEMOCRACIA COM A BOA MOEDA    Ver comentário
Andrade da Silva (seguir utilizador), 2 pontos , 17:09 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Parece não ter nada a ver...    Ver comentário
aguia victoria (seguir utilizador), 1 ponto , 13:40 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Parece não ter nada a ver...    Ver comentário
Haviador (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
    Re: Parece não ter nada a ver...    Ver comentário
aguia victoria (seguir utilizador), 1 ponto , 20:57 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
Respondendo a Miguel Sousa Tavares
cmatias (seguir utilizador), 1 ponto , 12:03 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Desde sempre leitor atento de Miguel Sousa Tavares, um dos jornalistas que mais gosto me dá ler, (apesar de muitas vezes não concordar com o que ele diz, tem pelo menos o mérito de ser coerente) fiquei espantado com a forma como ele se referiu as gravuras de Foz-Coa. Então Miguel Sousa Tavares tem sido sempre um adversário ferrenho das grandes obras públicas (esse "amaldiçoado" betão) e a favor da cultura e agora está contra a não construção de uma barragem por causas das gravuras? Depois há uma coisa que não entendo (eu, por mim, também nunca fui ver as gravuras, nunca tive opurtunidade), se aquilo é assim tão fraco, porque a UNESCO as decretou património da humanidade? Ser´que os srs da UNESCO são todos burros? Ou foi POrtugal que influenciou? Acho duvidoso. Agora quanto a barragem do Sabor, valha a verdade que é pena construir uma barragem em ambiente natural. Agora, e as pessoas que lá vivem? será que vão aceitar viverem num deserto porque os outros acham aquele sítio bonito? E Portugal pode dar-se ao luxo de, nos tempos que correm, não apostar no potencial hidroeléctrico? São questões pelo menos a pensar..

2. Depois de se queixar da não construção da barragem de Foz-Coa, Miguel Sousa Tavares "vira o disco" e toca a habitual música "anti-betão". Vai ao ponto de concordar com Manuela Ferreira Leite quando ela diz que se têm que repensar as obras públicas, sem dizer quais. Então o Sr. Miguel Sousa Tavares já viu o que era agora o governo anular o concurso do Aeroporto de Lisboa? Havia de ser bonito! E onde os aviões iam aterrar? Na Portela para sempre? Caso não se saiba, o aeroporto da Portela estará esgotado em 2014, ou antes. Imaginem agora não se construir mais nenhum aeroporto em Portugal Onde aterravam os aviões? É que, e isto podem acreditar, daqui a 10 anos, se não houver aeroporto novo, muitas companhias aéreas iam recusar-se a aterrar num aeroporto situado (quase) no centro de uma cidade. E o TGV para Espanha? Para quem qer Portugal desenvolvido acha normal a alta velocidade europeia parar em Badajoz? Mas afinal sera razoável pensar em Portugal desenvolvido sem aeroportos, sem auto-estradas, sem comboios de alta velocidade? Como ? Com estradas iguais a antiga EN1 onde se demorava 6 horas a chegar de Lisboa ao Porto? Com estradas como a antiga EN 16 onde de Viseu a Vilar Formoso se demorava 4 horas? Que empresário estrangeiro aceitaria investir num pais assim? Quantos paises desenvolvidos são assim? Bem, já sei que vão falar na Irlanda, que não tem auto-estradas e é um dos paises mais ricos do mundo. Pois sim, mas a Irlanda não tem estradas como a antiga EN 1, EN 2 ou EN 16. Na iRlanda, tal como nos paises anglo-saxónicos existem as "motorways" (M) que correspondem a auto-estradas com 3 faixas em cada sentido e as "highways" (A) que, em muitos casos têm perfil de auto-estrada (ou via rápida) mas não consideradas como tal. A Irlanda tem uma estrutura populacional diferente da nossa, um terreno muito mais plano e portanto uma rede de comunicações diferente. E depois a riqueza de Irlanda não tem nada a ver com o dinheiro que eles popuparam a não construir estradas. A riqueza da Irlanda tem a ver com o facto de ter sido a porta de entrada dos investimentos de alta tecnologia das "dot com" americanas na Europa. Portugal nunca teria essa possibilidade, nós não falamos inglês nem temos 5 milhões de luso-decendentes nos EUA. Agora que há obras mal feitas, com derrapagens de orçamentos evitáveis (Casa da Música, EXPO) e obras faraónicas e desnecessárias (estádio de Leiria, estádio do Algarve, torre Vasco da Gama, Centro Cultural de Belém) isso há, e a sua não realização (ou a realização de forma correcta) teria sido muito melhor para o pais.

O sobreendividamento das famílais é grave e é um facto que a voragem consumista dos portugueses foi exagerada face os nossos recursos. Agora também me parece ir longe demais querer fazer crer que só há pobres nesses escalões sociais ( o que é falso: existem muitos pobres tradicionais) ou que só há sobreendividamnto em Portugal. Não. O sobreendividamento começou até nos EUA com a crise do "sub-prime" (havia bancos a emprestar dinheiro com prazos de 100 anos(!), ou seja ainda pior que na Europa. O endividamento e o crédito existem ha 4000 anos e todos os povos (ricos ou pobres) recorrem a ele. Parece abusivo dizer que Portugal é mau porque as pessoas usam o crédito, como se na Espanha, França, Alemanha, toda a gente comprasse as casas e os carros a pronto pagamento. Agora o que concordo é que não se justifica sermos o pais da Europa ocidental com um dos menores PIB per capita e uma das maiores taxas de motorização (a seguir a Malta, onde existem 870 carros por 1000 hab). Mas isso não justifica um discurso tão amargo dizendo mal de tudo. O nosso pais está em crise, tem coisas más e muitos problemas, mas também não é o inferno, o Burkina-Faso, o Laos ou a Etiópia.
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    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Alexandre Santos (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
+ 1 tuga (seguir utilizador), 1 ponto , 13:19 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 15:18 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 16:30 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 16:43 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 18:50 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 21:12 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:22 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
cmatias (seguir utilizador), 1 ponto , 21:00 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Cartago (seguir utilizador), 1 ponto , 23:22 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Haviador (seguir utilizador), 1 ponto , 16:56 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
kayatronic (seguir utilizador), 1 ponto , 19:12 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:52 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
    Re: Respondendo a Miguel Sousa Tavares    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 15:27 | Quarta-feira, 9 de Jul de 2008
BOKASSA REVISITADO
Al_Ferre (seguir utilizador), 1 ponto , 12:14 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Recordo-me que, aqui há uns anos, o ditador J.B. Bokassa da Rep Centro Africana aboliu a pequena burguesia no seu país, melhor dito, no seu quintal chamado RCAfricana, por decreto. Não espanta que tamanha referencia africana tão citada por alguns socialistas de primeiro plano haja inspirado esta decisão de "abolir" os pobres. O trabalho está, porém, incompleto se, pela mesma arte legislativa, o PS não for capaz de criar "ricos", sim, todos os portugueses passam a ser ricos.
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A culpa é do petróleo
giro@giro.pt (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
É estranho que tudo isto esteja a acontecer, atendendo a que o Governo em funções tem feito grandes acordos com produtores de petróleo, o último dos quais a troca por leite.
Para que isto resulte, o Governo tem de adquirir a posição da Galp e nacionalizar os combustíveis.
A partir daí, como não há quem comande as operações, resta colocar em 2009 no comando das operações o economista Louçã para finalmente isto entrar nos carris, sem TGV.
Até lá, aprove-se um decreto lei dando férias a toda a gente, porque comestíveis não faltam nos supermercados.
Pontadelança
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Vamos todos jogar na BOLHA
sdiego (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Como somos uns tristes, mal formados,calinas e xicos espertos.Como temos sido governados por ex-pés descalços que começaram a vestir fatos importados depois de entrarem para a politica, só nos resta cair no fundo e esperar a extinção ou a regeneração.Bem , entretanto vamos jogando na bolha que a D.Branca parece que já morreu.
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    Re: Vamos todos jogar na BOLHA    Ver comentário
userEX113852 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:54 | Terça-feira, 8 de Jul de 2008
PORTUGAL
regint (seguir utilizador), 1 ponto , 13:46 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Portugal vive assim há 500 anos desde o rei Manuel I.............
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Pois claro
kayatronic (seguir utilizador), 1 ponto , 14:22 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Parabéns ao autor por este exercício de demagogia - o título afinal não era enganoso, e o autor sabe do que fala: de facto, a demagogia é em geral um misto de ignorância e de má-fé, sendo-nos ambas aqui servidas à discrição por MST, como que a provar o velho adágio popular «Sempre que deparares com o Sousa Tavares, é ler para não crer». Despeço-me com uma pequena pergunta de algibeira: se os rios falassem, não nos diriam eles que toda e qualquer barragem é sempre construída num «rio selvagem»? Estou a ouvi-los daqui, e todos eles me dizem que sim. Mas, claro, eles não andaram a brincar em casa do Mário Soares quando eram pequeninos.
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Velho do Restelo
NDD (seguir utilizador), 1 ponto , 14:30 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
Miguel, tenho para venda um burro no curral. Faça a sua oferta; é capaz de lhe dar jeito para as suas deslocações entre o Porto e Lisboa.
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barragem do Sabor
patricio branco (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
não percebo porque se continua a querer construir barragens quando a água é cada vez mais escassa. Em 1940 ou 50 fazia sentido a energia de barragens, hoje não seria melhor outras fontes, mais seguras e não ameaçadas? o vento, p.ex. que eu saiba ainda não se fala do seu esgotamento; OU A DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA DO MAR (PARA ÁGUA, ENERGIA NÃO).
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    Re: barragem do Sabor    Ver comentário
Joao Cannpos (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
    Re: barragem do Sabor    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 21:44 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008
O MST as vezes incomoda... É demagogo...
Dunca (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Segunda-feira, 7 de Jul de 2008

  Se o MST é demagogo ou não, a mim não me interessa... Agora, quando diz verdades e elas devem ser ditas, eu aplaudo, como por exemplo, aqui:

- “... A barragem prevista foi, pois, suspensa e, quanto às gravuras, sabe-se o que aconteceu: as prometidas excursões de milhares e milhares de portugueses e europeus previstas jamais aconteceram; o novo modelo de 'turismo cultural', que ali se iniciaria, foi nado-morto; não aconteceram os trabalhos científicos anunciados nem o interesse mundial naquela fantástica descoberta. Em contrapartida, arranjaram-se uns lugares vitalícios para funcionários do Paleolítico e, vá lá, vá lá, desistiu-se de lhes fazer a vontade gastando mais uns milhões num museu sem conteúdo e sem qualquer viabilidade económica. Mas a barragem fazia falta à EDP e fazia falta à regularização do curso navegável do Douro. Por isso, não avançando Foz Côa, avança a barragem do Sabor, cuja construção Sócrates acaba de adjudicar...”

E eu diria mais, gastaram-se milhões para fazer as fundações de Fozcoa, e foram abandonadas... E gastou-se muito mais ainda, para queimar petróleo importado, que substituiu a energia que deixou de ser gerada, até hoje, e vamos continuar a gastar um “balúrdio”, ad eternum, ou enquanto houver petróleo.

Certamente, um grande negócio para alguns... Mas péssimo para Portugal...

É óbvio, tem que continuar a existir chorudos negócio, doa a quem doer, para aqueles que têm a carteirinha do partido, e votam nos seus candidatos preferidos, certamente, estes não gostam de verdades... Afinal a oligarquia tem que continuar a manar.

Em tempo:

- “... embora venham a revelar-se os mais importantes do gênero no mundo, é melhor que sejam submersos pela barragem da EDP em construção no local...” (Jean Clottes, grande autoridade internacional em arte rupestre)
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