O consultor francês Fred Cavazza acha que o termo web 2.0 está em desuso. Prefere falar já em media sociais. E efectuou um trabalho de tipificação destes que é de grande utilidade, um verdadeiro guia sobretudo para quem ainda não interiorizou a mudança de paradigma.
Os meios de comunicação de massas deixaram de comandar os gostos e dominar os gestos dos consumidores, devolvidos ao papel de cidadãos. E agora à procura de formas de organização da informação e do conhecimento que substituam os esquemas de pirâmide, com o poder de influência concentrado no vértice superior, por formas reticulares eficientes.
O quadro seguinte faz luz sobre a organização reticular hoje, não apenas nos Estados Unidos mas também na Europa e na Ásia.
Cavazza propõe a seguinte tipificação (ver fonte
):
- Ferramentas de publicação: blogues (Typepad
, Blogger
, Skyblog
), wikis (Wikipedia
, Wikia
, Wetpaint
), e espaços de jornalismo participativo (Digg
, Newsvine
, Wikio
, Agoravox
)
- Ferramentas de partilha: de vídeos (YouTube
, Dailymotion
); de fotos (FlickR
); de links (del.icio.us
, Ma.gnolia
); de música (Last.fm
,Deezer
); de slides (Slideshare
)
- Ferramentas de debate: foruns de texto (PHPbb
, vBulletin
, Phorum
); fóruns em vídeo (Seesmic
); ferramentas de chat (Yahoo! Messenger
, Windows Live Messenger
, Meebo
); sistemas de VoIP (Skype
, Google Talk
)
- Redes sociais: generalistas (Facebook
, MySpace
, Bebo
, Hi5
, Orkut
); de nicho (LinkedIn
, Boompa
)
- Ferramentas de micropublicação: (Twitter
, Pownce
, Jaiku
, Plazes
) e derivados (twitxr
, tweetpeek
), bem como serviços de lifestream (FriendFeed
, Socializr
)
- Plataformas de livecast (Justin.tv
, BlogTV
, Yahoo! Live
, UStream
) e respectivos equivalentes móveis (Qik
, Flixwagon
, Kyte
, LiveCastr
) ;
- Universos virtuais (Second Life
, Entropia Universe
, There); chats em 3D (Habbo
, IMVU
); e universos para os mais pequenos (Stardoll
, Club Penguin
)
- Plataformas de jogos com múltiplos jogadores (Neopets
, Gaia Online
, Kart Rider
, Drift City
, Maple Story
), os MMORPG (World of Warcraft
, Everquest
) assim como portais de casual game (Cafe
, Pogo
, Kongregate
, iWin
).
Já testei uma boa parte destes. Algumas das classificações, não sou muito concordante. Mas no geral é uma aproximação bastante boa.
Nas ferramentas de edição o Blogger é o mais simples e o melhor foi esquecido: o Wordpress
. Aos espaços de jornalismo participativo posso acrescentar o DoMelhor
, que é português (declaração de interesses: sou co-fundador). As atenções estão mais voltadas para o Wikio e o Digg é um sucesso comercial, sobretudo.
Quanto à partilha, tenho conta no YouTube, ressuscitei esta semana a conta no del.icio.us e já testei o Flickr e o Slideshare.
Nas ferramentas de debate saliento o Seesmic, uma aplicação inovadora, que permite comentar através de video de uma forma estupidamente simples: carregar num botão e falar para a webcam. Skype e Google Talk são essenciais.
No campo das redes sociais, os portugueses são grandes consumidores do Hi5 e do MySpace, os brasileiros preferem o Orkut - mas eu, com conta em todas, limito-me a tolerar o MySpace e sou adepto do Facebook. As generalistas dizem-me pouco. Já a LinkedIn, que é uma rede social profissional, é prática e dá resultados.
Na micropublicação, que é um termo redutor, o Twitter parece, infelizmente, não conseguir suportar o peso do extraordinário sucesso e entrou em quebra técnica. Não uso os outros, mas uso - e recomendo! - o FriendFeed: todas as semanas me espanto com a capacidade criativa e inovadora. O serviço substitui em parte a necessidade dos foruns e ao mesmo tempo leva longe o conceito de lifestream: tudo o que eu publico e partilho em vários sítios se encontra em http://friendfeed.com/pauloquerido
.
No livecast dou os primeiros passos com o UStream e um dia experimentei o Qik, mas depois mudei de telemóvel.
Os universos virtuais e jogos não são o meu forte. Acompanho as tendências e sei que o Second Life está em queda (a empresa que o gere é muito estranha, num dia dá, no outro exige de volta) e os MMORPG estão em alta. Para mim, o maior interesse destes ambientes virtuais reside nas possibilidades vastas aque abrem em muitos campos, do jogo à alienação, do story-telling à realização cinematográfica. Vi alguns filmes feitos com o auxílio dos motores de RV disponíveis e são francamente bons. Mas isso fica para outra altura.
Paulo Querido
, jornalista
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