A partir do próximo dia 31 de Maio fecham as últimas salas de cinema existentes no centro do Porto. A morte há algum tempo anunciada das quatro salas exploradas pela Medeia Filmes no Shopping Cidade do Porto vai concretizar-se no último dia do mês de Maio, caso até lá não seja encontrada uma forma de entendimento entre a administração do centro comercial e a empresa de Paulo Branco.
António Costa, representante no Porto da Medeia Filmes, que assegura a programação dos Cinemas Cidade do Porto desde 1994, confirmou ao EXPRESSO a eminência do fecho daquele espaço alternativo de exibição de filmes, dado o desencontro existente entre as propostas apresentadas pelas duas partes. A Medeia considera a renda demasiado elevada. Sem revelar valores, Costa refere que, neste momento, o arrendamento corresponde já a metade da facturação das quatro salas. Tudo isto tem sido traduzido num prejuízo que nos últimos anos tem oscilado sempre entre os oitenta e os cem mil euros anuais.
Uma porta-voz da administração do centro comercial não quis apresentar ainda o fecho como definitivo, até porque, disse, "falta mais de um mês para chegarmos àquela data". Confirmou, no entanto, que 31 de Maio foi o prazo limite para ser regularizada a situação de incumprimento de contrato em que se encontram os cinemas. "Como qualquer outra loja do shopping, a Medeia tem de pagar as rendas estipuladas. Foram tomadas todas as diligências no sentido de regularizar a situação e aquela data foi apresentada como limite para serem efectuados todos os pagamentos". Se isso não acontecer, "o shopping terá de fechar os cinemas", acrescentou.
Segundo António Costa, uma das contra - propostas já apresentadas pela Medeia sugeria que o valor do aluguer daquele espaço fosse pago através da cobrança de uma percentagem da receita de bilheteira, o que não foi aceite pela administração.
O eventual fecho daquelas quatro salas com um total de 550 lugares deixará o Porto numa situação de grande debilidade em termos cinematográficos, não apenas porque a oferta passa a ficar restringida ao multiplex Dolce Vita, na zona oriental da cidade, junto ao estádio do Dragão, mas sobretudo porque desaparece o único espaço onde eram exibidos filmes exteriores aos circuitos tradicionais e às correntes dominantes.
Em conjunto com a pequena sala do Campo Alegre, também explorada pela Medeia, os cinemas Cidade do Porto eram os únicos espaços com as portas abertas à exibição regular de filmes oriundos das cinematografias europeias, asiáticas e de outras produções independentes.
A concretizar-se o fecho das quatro salas, restarão o cinema Passos Manuel - com uma actividade muito irregular - e o cinema - estúdio do Campo Alegre para a apresentação dos filmes que nunca fazem parte das escolhas regulares da programação padronizada dos vários multiplex que rodeiam a cidade.