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Socialista precário

8:00 Segunda-feira, 31 de Mar de 2008
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Tal como o PS, o seu porta-voz, o deputado Vitalino Canas, fez tantas coisas boas que não sei se devíamos perder tempo a falar das más. Mas aqui vai. Quando há um ano se discutiu no Parlamento a lei do trabalho temporário, o deputado fez uma declaração de voto. Que a lei do PS era ainda demasiado restritiva. Ia em 'contraciclo'. Que o PS estava a assustar esses beneméritos que arranjam às empresas, sem aborrecimentos contratuais, jovens trabalhadores à jorna, fazendo-se pagar com parte dos seus já magros salários.

Recentemente ficámos a saber a razão de tanto empenhamento: Vitalino Canas é provedor do trabalho temporário. Pago por quem? Pela associação do ramo. E aparece a dar a cara por ela. Vitalino Canas é deputado e faz declarações de voto em defesa das empresas que lhe pagam. É socialista e representa aqueles que de forma mais evidente contrariam qualquer ideia de socialismo. Uns dias é porta-voz do PS, nos outros fala em nome de empresas. Em nada disto vê qualquer incompatibilidade.

Espero que as empresas de trabalho temporário tenham recorrido aos seus próprios serviços para contratar o deputado. Com estes assalariados nunca se sabe. Podem, de repente, querer entrar no quadro. E um deputado com emprego seguro começa logo a desleixar-se. Não é, como se vê, o caso de Vitalino Canas. Nem quando está sentado no hemiciclo se esquece para quem trabalha. Assim é que deve ser. O melhor socialista é o socialista precário.

Bufo nubente

Quem casa contrata serviços. É normal que pague impostos por isso. E é normal que se fiscalize se os paga. Mas já se sabe que o Governo está empenhado em fazer de cada português um fiscal. Quer que os nubentes, entre o lançamento do buquê e o calor da noite de núpcias, controlem se todos os outros estão a cumprir as suas obrigações tributárias. Tenho ouvido muitas críticas. Injustas. Para mim, o Governo peca por defeito. E o defeito resulta de uma fraca integração dos vários serviços do Estado, que podiam aproveitar estes excelentes olheiros.

Proponho mais funções para os noivos. Informação a recolher: Na despedida de solteiro as convidadas pediram factura aos "strippers"? O bolo da boda foi preparado com colher de pau? No grupo de baile que animou o copo de água havia algum imigrante brasileiro ilegal? Algum dos convidados fumou em zona não autorizada? Na noite de núpcias verificou se o parceiro usava "piercing" nos genitais? Este é problema do Governo de Sócrates: as suas reformas são boas, mas, por desorganização ou falta de coragem, ficam sempre a meio.

'SHOTS'

O Governo fez as contas e falta um ano para as eleições. O Governo decidiu baixar os impostos. A agenda fiscal continua a ser um relógio eleitoral: primeiro sacrifícios, depois campanha, depois sacrifícios de novo. E querem ser levados a sério.

Com tantos tiroteios no seu currículo, baralhou-se. Para mostrar a sua experiência em política internacional, Hillary Clinton contou várias vezes aos jornalistas que numa visita à Bósnia, em 1996, teve de se esconder de um tiroteio. Revistas as imagens da altura, era tudo falso.

Daniel Oliveira

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Conflito de Interesses
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:09 | Segunda-feira, 31 de Mar de 2008
Em Portugal o conceito de conflito de interesses – que ocorre sempre que alguém se encontra na situação de ter de simultaneamente prestar lealdade a entidades com interesses divergentes (por exemplo os seus eleitores e os seus empregadores), pondo em perigo a possibilidade de exerce com independência os seus deveres – foi sempre substituído pela declaração de honestidade do próprio visado.

Sempre que um político é confrontado com situações de escandaloso conflito de interesses, já conhece a cassete de resposta: “Quem me conhece sabe bem, que se de facto recebo milhares/milhões dessa instituição/grupo de interesses/outro, isso nunca afectou minimamente a minha, reconhecida mundialmente, independência. Quem diz o contrário insulta-me.”.

Em democracias mais exigentes (como nos EUA), o conflito de interesses está regulado, impedindo-se que possa envenenar as decisões políticas – desde logo pela transparência na sua obrigatória divulgação. Por regra o deputado/ responsável em situação de conflito de interesses deve abster-se de intervir nas áreas em que a sua independência pode ser questionada. Em Portugal não. Basta clamar pela sua honestidade.

De Vitalino Canas (PS) a Zita Seabra (PSD) que na passada semana foram confrontados com situações que narradas pelos media configuravam claramente a existência de conflito de interesses, a resposta foi unanime e segundo os cânones estabelecidos.
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Resultado= este governo é Hitleriano
D. Jorge (seguir utilizador), 1 ponto , 22:17 | Segunda-feira, 31 de Mar de 2008

  Incita à bufaria e tem desejos homossexuais....
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Excelente Artigo
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Quarta-feira, 2 de Abr de 2008
E' uma pena que uma parte significativa da nossa classe politica - neste caso Vitalino Canas - nao tenham um pingo de vergonha na cara.

Muitas outras parecidas foram deputados, ministros e secretarios de estado que assim que acabam os seus tempos de politica saltam para empresas que beneficiaram durante os seus mandatos, transferencias do estado para fundacoes de familiares e amigos, etc...

Enfim...
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