China diz que Dalai Lama é o mentor dos motins
Adnan Abidi/Reuters
A China retomou o discurso de atribuição de responsabilidades a Dalai Lama pelos confrontos entre as forças de segurança e os monges budistas tibetanos, que eclodiram a 10 de Março passado, na capital tibetana Lhassa, quando estes determinaram celebrar a tentativa falhada de proclamação de independência do Tibete em 1959, oito anos após a China ocupar o Tibete, em 1951.
As autoridades chinesas admitiram a morte de 19 pessoas, mas o governo tibetano no exílio fala em mais de 80. Pequim diz que o discurso de não-violência defendido pelo Dalai Lama é "uma mentira do início ao fim".
O líder espiritual tibetano, expatriado na Índia, é acusado de estar por detrás dos violentos tumultos e querer arruinar os Jogos Olímpicos de Pequim - decorrem de 8 a 24 de Agosto -, utilizando-os como moeda de troca para conseguir a autonomia da região.
Às imputações o vencedor do Prémio Nobel da Paz (1989) reagiu dizendo que "não têm fundamento": "eu sempre apoiei e defendi que os Jogos Olímpicos deviam realizar-se na China".
O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Hans Gert Pöttering, apelou ontem à União Europeia para que "fale a uma só voz" e adopte "medidas de boicote", caso a China não venha a optar pela via do diálogo.
As farpas lançadas contra Dalai Lama antecedem a cerimónia para acender a tocha olímpica, amanhã, em Olímpia na Grécia. Está previsto que ela passe por Lhasa antes de chegar a Pequim.
Jogos Olímpicos vão ajudar China a mudar
O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, mostrou-se hoje "preocupado com a violência no Tibete", mas advertiu que o organismo a que preside "não foi feito para resolver os problemas do mundo".
Todavia, Jacques Rogges mostrou-se convicto de que "os Jogos Olímpicos ajudarão a China a mudar para melhor", mas não são "a cura para todos os males".