São esperados mais de 60 mil professores no protesto de hoje
Paulo Cunha
Vários autocarros transportando professores para o protesto começaram a chegar ao Marquês de Pombal pelas 12:20 e no local estão já largas dezenas de docentes.
Ao fundo do Parque Eduardo VII estão apenas dois agentes da PSP, enviados para o local às 10:00 horas para acompanharem a chegada dos professores, oriundos de todo o país.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, deverá enfrentar hoje o maior protesto de professores de sempre, depois de duas semanas em que, um pouco por todo o país, milhares de docentes se manifestaram e disseram "basta" às políticas educativas do governo socialista, nomeadamente ao modelo de avaliação dos docentes.
Os manifestantes vão concentrar-se na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, pelas 15:00, e desfilar em direcção ao Terreiro do Paço, o que implicará o corte da circulação automóvel.
Três professoras do Porto foram as primeiras a chegar hoje, de autocarro, ao Marquês de Pombal.
Emília Soares, 55 anos, Joana Magalhães, 27, e Maria José Barros, 54, são professoras do 1º ciclo e disseram à Agência Lusa que muitos outros autocarros partiram do Porto rumo a Lisboa para este protesto.
As três professoras disseram à Lusa que o principal motivo que as levou a participar na chamada "marcha da indignação" tem a ver com o modelo de avaliação de desempenho dos professores elaborado pelo governo, mas também com a carga horária a que estão sujeitas devido à introdução nas escolas das actividades de enriquecimento extra-curricular.
"Trabalhar até às 17.30 não é verdade, porque levamos tudo para corrigir em casa", disse à Lusa Emília Soares.
Joana Magalhães, por seu lado, queixou-se de que, quando os professores das actividades extra-curriculares faltam, tem de os substituir, fora do seu horário, e sem que lhe paguem as horas.
As professoras apresentam-se nesta marcha vestidas de preto e com faixas brancas onde se lê, a negro, "Assim não se pode ser professor".
Sobre o modelo de avaliação de desempenho, rejeitaram a ideia de que os professores não querem ser avaliados: "Sempre fomos (avaliados), só que com tanta papelada e tanta burocracia, não faz sentido algum, estamos a perder tempo que devia ser para os alunos", disse indignada Emília Soares.