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Energias renováveis

Torres eólicas em plena Lisboa

A Câmara Municipal quer instalar 25 turbinas na cidade. A proposta, actualmente a ser reelaborada, do vereador José Sá Fernandes está a provocar um pé de vento.

Paulo Paixão
0:00 Sábado, 8 de Mar de 2008
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Cada turbina pode produzir até 4800 quilowatts/hora/ano
Cada turbina pode produzir até 4800 quilowatts/hora/ano
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Já imaginou a cidade das sete colinas povoada por turbinas com a altura de quatro andares? Podem ficar junto ao rio (Praça Sony ou Museu da Electricidade) ou em pontos mais elevados (jardim Amália Rodrigues, no topo do parque Eduardo VII, ou Parque da Belavista).

A lista de locais consta da proposta que o vereador do Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML), José Sá Fernandes, tem em mãos. Ao todo, serão 25 torres eólicas para instalar na cidade, quase todas em espaços da autarquia (ver texto relacionado). A oposição, maioritária, critica fortemente a iniciativa. Este vento contrário estará mesmo na base de um duplo recuo.

A proposta foi agendada para a sessão (pública) da semana passada (dia 27). Acabou por ser adiada, chegando a estar prevista para a próxima quarta-feira. No entanto, viria a ser novamente retirada, "para se procederem a alterações", explica fonte do gabinete do vereador do Bloco de Esquerda. Entre outros pontos, está em análise a "localização específica" de cada turbina e "a ser acautelada a questão do ruído". Na esfera do espaço público, o dossiê é articulado com o vereador Marcos Perestrello. "Na melhor das hipóteses", o assunto só será debatido no dia 26 de Março.

A 'Wind Parade Lisboa 2008' é o evento que traz a Lisboa as torres eólicas. Decorrerá entre 15 de Junho a 31 de Dezembro. Antes, terá de ser assinado um protocolo entre a CML e outras entidades. O projecto insere-se numa "estratégia transversal de eficiência energética". Trata-se da "microprodução de electricidade em baixa tensão", igualmente designada "microgeração", lê-se na proposta.

Para Sá Fernandes, o projecto "não constitui despesa para o município". A ideia dos promotores é doarem as turbinas à autarquia, "sem quaisquer ónus ou encargos". A CML poderia utilizar a energia para consumo próprio ou para injectar na rede eléctrica.

A reacção da oposição é ciclónica. Carmona Rodrigues acha "bizarro". "Não conheço nenhum outro caso de ventoínhas de produção eléctrica no meio de uma cidade".

Para o ex-presidente, "ter em permanência 25 torres é uma coisa horrorosa". Além do mais, explica Carmona Rodrigues - doutorado em Engenharia do Ambiente -, "o que se pretende produzir é uma ninharia": "0,002% da energia consumida nos edifícios de Lisboa". Para Carmona, "com a substituição de 1500 lâmpadas de 60 watts por lâmpadas de 20 watts de baixo consumo consegue-se uma poupança superior à produção conseguida com as 25 turbinas".

O PCP também coloca uma forte barreira. Para os vereadores comunistas, impõe-se um processo de avaliação de impacto ambiental. Como justificação, além do número de turbinas, o PCP salienta o facto de elas se inserirem em "zonas de forte densidade demográfica" e "em paisagens importantes do ponto de vista histórico, cultural, ou arqueológico".

O PCP identifica outro problema: o barulho. Nas condições descritas, o ruído será "superior aos máximos legais previstos para as zonas sensíveis", tanto de dia como de noite. E ultrapassará igualmente "o máximo legal nocturno em zonas mistas".

O "impacto sonoro elevado" é também uma preocupação de Helena Roseta, superior até ao "grande impacto visual". Para a vereadora, a iniciativa "não tem qualquer sustentação. Nem as localizações das torres estão correctas, nem os objectivos estão definidos, nem nós podemos imaginar Lisboa semeada por moinhos de vento".

Igualmente arquitecta, mas do PSD, Margarida Saavedra aponta a inexistência de um "estudo de enquadramento urbanístico". Falta também "uma estimativa de custo-benefício" para a cidade. No resto, sobre a versão da proposta a que teve acesso, a vereadora social-democrata garante um chumbo.

Neste avanço e recuo do projecto de deliberação (actualmente em reformulação), Margarida Saavedra coloca António Costa no papel de catavento. "Quando os partidos da oposição apresentam uma proposta, o senhor presidente da Câmara não a agenda enquanto não a passa a pente fino. Neste caso, ou a proposta estava mal feita e foi corrigida, ou então encontrava-se distraído. Mas não se pode ser muito benevolente com o Executivo e severo com a oposição".

O silvo desta polémica alfacinha ultrapassa a Câmara e as animadas tertúlias que se adivinham. Ele chega também aos morcegos. É o PCP que chama a atenção para "os efeitos das turbinas eólicas na vida animal", especialmente entre aqueles mamíferos voadores, "espécies quase todas sob protecção legal".

A velocidade das pás a um máximo de 325 rpm (rotações por minuto) provoca tal ruído que desnorteia o sistema de orientação do animal. Em alguns casos estudados, deu-se o "completo desaparecimento" da espécie. Segundo os comunistas, existem colónias de morcegos em quase metade dos locais onde se poderão ouvir as hélices.

Mesmo antes da proposta estar pronta para discussão formal, com a barragem de críticas que já saiu a terreiro, José Sá Fernandes terá muita dificuldade em levar a água ao seu moinho.

CONTADOR

10,2 É a altura, em metros, do mastro. O diâmetro do rotor mede 3,7 m (cada pá tem cerca de 1,8m)

5,5 É a estimativa para a velocidade média do vento (m/s). Ou seja, 19,8 kms/h

4800 É a produção máxima, em quilowatts/hora/ano, prevista para cada turbina

NOVAS PAISAGENS

O protocolo anexo à proposta inicial listava os locais onde ficariam instaladas as turbinas. Ao todo, eram 22, pois num deles ficariam quatro torres. A localização específica de cada turbina é um dos pontos que está a ser reapreciado. A avaliação, pelos serviços técnicos da Câmara, poderá determinar, num caso ou noutro, o abandono do ponto inicial.m previstas quatro turbinas.

Os locais referidos são os seguintes: Espaço Monsanto; Jardim Amália Rodrigues; Parque Recreativo dos Moinhos de Santana; Parque Recreativo do Alto da Serafina; Parque Recreativo do Alvito; Parque da Bela Vista; Parque Oeste; Parque da Quinta das Conchas; Quinta Pedagógica; Instalaçãoes da CML na avenida da Índia/Alcântara; na avenida Infante D. Henrique/Olivais; Laboratório de Bromatologia (2ª Circular); Posto de Limpeza de Telheiras; Quinta Conde d'Arcos/OLivais; Quinta da Fonte/Radial de Benfica; Piscinas Municipais dos Olivais; Piscina Municipal Boavista; Polícia Municipal/Avenida Gulbenkian; Serviços Sociais da CML (Av. Afonso Costa); Infantário na Rua Casal Ventoso; Praça Sony; Museu da Electricidade.m previstas quatro turbinas.

Com excepção dos três últimos locais, os restantes correspondem a espaços camarários. Para o Laboratório de Bromatologia estavam previstas quatro turbinas.

Versão integral do texto publicado na edição do Expresso de 8 de Março de 2008, 1.º Caderno, página 22.

Palavras-chave  Lisboa câmara eólicas
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O Zé passou-se de vez...
Geraldo Sem Favor (seguir utilizador), 1 ponto , 0:38 | Sábado, 8 de Mar de 2008
O Zé, já que te passaste de vez, põe uma ventoinha dessas no Estádio da Luz, atrás da baliza do Quim, para ver se o Benfica ganha à União de Leiria com o vento a favor...
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torres eolicas em lisboa
patricio branco (seguir utilizador), 1 ponto , 8:36 | Sábado, 8 de Mar de 2008
cuidado que pode ser pior a emenda que o soneto. As torres eolicas devem ser usadas em zonas não populadas, pois as pás fazem imenso ruido. Postas em zonas urbanas (creio que não deve haver precedente) causam uma enorme poluição sonora.
Mesmo em zonas rurais, há que escolher muito bem os sítios, para não afastarem a fauna animal ou perturbarem os humanos.
Produzir electricidade com o vento é bom e ecológico, mas tem regras muito rigorosas.
Quem tem a ideia, que se informe. E a população deve pronunciar-se.
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MAIS UMA!
bijagos (seguir utilizador), 1 ponto , 9:44 | Sábado, 8 de Mar de 2008
São umas a seguir às outras. Acham que Lisboa está pouco poluida? Só mesmo os saloios inteligentes é que se lembram de "modernizar" a cidade desta forma. E se em vez das torres fizessem uns sanitários públicos para os taxistas não andarem a fazer xixi no meio da rua?
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INCONGRUENCIA
odisseia na terra (seguir utilizador), 1 ponto , 9:56 | Sábado, 8 de Mar de 2008
É ESTRANHO QUE UMA CAMARA QUE É CONTRA A CONSTRUÇÃO EM ALTURA NA FRENTE RIBEIRINHA VENHA AGORA COM ESTA MANOBRA DEMAGOGICO PUBLICITARIA DAS EOLICAS. O SÁ FERNANDES É UM POÇO DE INCOERENCIA E DE IMBECILIDADES. OS SEUS ARGUMENTOS SÃO SEMPRE MEIAS VERDADES OU MENTIRAS COMPLETAS (VEJA-SE O QUE SE VEIO A APURAR NO CASO DO ELEVEN E DAS FAMOSAS ESPLANADAS DA AV DA LIBERDADE...NADA). AGORA PARA DAR UMA DE MUITO MODERNO E AMIGO DO PLANETA VEM COM 25 EOLICAS QUE NADA RESOLVEM E QUE MARCAM ESTETICAMENTE A CIDADE DE FORMA NEGATIVA. PROPAGANDA IDIOTA. SE A IDEIA É OPTAR POR UMA NOVA POLITICA DE ENERGIA ENTÃO QUE OS TERRENOS DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL, QUE SÃO IMENSOS, E QUE ESTÃO NUMA ZONA ELEVADA E PERIFERICA Á CIDADE SEJAM APROVEITADOS PARA A INSTALAÇÃO DE CENTRAIS EOLICAS OU ENTÃO QUE SE FAÇA COMO OS NORDICOS QUE AS INSTALAM NO MAR. SÁ FERNANDES É UM ESPECIALISTA EM NADA. SÓ SABE EMPATAR. É UM INUTIL COM ASPIRAÇÕES A QUALQUER COISA. SE A CIVILIZAÇÃO DEPENDESSE DE SÁ FERNANDES AINDA HOJE NÃO SE TINHA DESCOBERTO O FOGO.
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    Re: INCONGRUENCIA    Ver comentário
Geraldo Sem Favor (seguir utilizador), 1 ponto , 16:44 | Sábado, 8 de Mar de 2008
Re: Torres eólicas em plena Lisboa
mrmrmr (seguir utilizador), 1 ponto , 10:14 | Sábado, 8 de Mar de 2008
O Homem passou-se completamente!!!!!....talvez colocar uma ventoinha perto da casa dele, para se aperceber da poluição sonora que isso causa.
Tratem mas é de LISBOA.
Coloquem mas é camaras de vídeo para nossa e vossa segurança.
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coisas e loisas da familia salsifré...
sopa de letras (seguir utilizador), 1 ponto , 10:24 | Sábado, 8 de Mar de 2008
Querer instalar torres aeólicas em plena cidade de Lisboa é de uma burrice gigantesca. Tão gigantesca é a burrice como o tamanho das ditas torres. Agora é que o vereador Sá Fernandes ensandeceu de vez. Torres aeólicas já as há às portas da cidade... (ao longo da A8, por exemplo, cada vez há mais...), pensem no ruido e na poluição visual, já para não falar das luzes fortíssimas que emanam e que se vêm a quilometros de distancia... coisa jeitosa dentro da cidade para quem mora por perto... francamente sr. vereador...
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EXPRESSAMENTE E POR AMOR DE DEUS
imogis (seguir utilizador), 1 ponto , 10:45 | Sábado, 8 de Mar de 2008
O HOMEM ESTÁ MALUCO!!!!!!! ( perdoem-me a expressão).

PARA UMA PESSOA QUE FEZ TANTO BARULHO POR CAUSA DE UM TUNEL, QUE É RESPONSAVEL, NUMA ALTURA EM QUE A CML ESTÁ FALIDA PELA INDEMNIZAÇÃO A UMA EMPRESA PRIVADO NO VALOR DE 18 MILHÕES DE €, POR CAUSA DESSE "PEQUENO FACTO", VAI A ESTE MOMENTO, EXPRESSAMENTE POLUIR A CIDADE COM TORRES DE 40 M.

POR AMOR DE DEUS...

DESPEÇAM-NO!!!

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