O Secretário Geral do Patido Socialista, José Sócrates, discursa
durante as Jornadas do PS, na Guarda
Francisco Barbeira / LUSA
Num balanço de três anos de Governo, feito no encerramento das jornadas parlamentares do PS, na Guarda, José Sócrates deu especial destaque à educação, considerando que é uma área "estratégica para que Portugal possa ter sucesso no seu desenvolvimento".
A propósito da polémica avaliação dos professores, o primeiro-ministro cometeu a 'gaffe' sobre o tema do momento: chamou a Maria de Lurdes Rodrigues ministra da Avaliação, em vez de ministra da Educação. Na sala viram-se sorrisos e ouviram-se risos.
No dia em que o líder do PSD recebe os sindicatos dos professores, Sócrates elogiou o esforço dos professores na melhoria do sistema educativo e defendeu a nova gestão escolar que permitirá "um maior envolvimento dos pais e das autarquias nas escolas".
Contudo, foi à questão da avaliação dos professores que o primeiro-ministro dedicou mais tempo. "Há que distinguir os melhores e incentivar todos", disse. Para Sócrates "não há situação mais injusta do que não haver avaliação de professores e haver um sistema de progressão automática, quase automática ou de progressão na prática automática". "Quando implementámos as aulas de substituição houve greve aos exames. Hoje todos vêem que tínhamos razão e que fizemos o que devíamos", afirmou, acrescentando que "todos os métodos de avaliação são discutíveis e podem melhorar".
Acusando a oposição de "demagogia redutora", nomeadamente o CDS-PP que questionou o Governo sobre uma possível inflação das notas dos alunos para os professores não arriscarem a progressão na carreira, Sócrates afirmou que "no passado não o fizeram porque não tiveram coragem".
Durante um discurso de mais de 40 minutos, Sócrates não poupou elogios ao Programa "Novas Oportunidades" e referiu os "avanços" do país em termos sociais, algo que, diz, "acontece sempre que o PS chega ao Governo". O primeiro-ministro recordou algumas das medidas tomadas pelo executivo socialista nos últimos três anos nas políticas sociais, como o complemento solidário para idosos, a lei da paridade ou a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
A anteceder o discurso do primeiro-ministro, Alberto Martins, o líder da bancada parlamentar do PS, leu à plateia uma declaração de Manuel Alegre que estava ausente por motivos de saúde. Na mensagem, o deputado recordava a lei da paridade, a despenalização voluntária da gravidez e a procriação medicamente assistida, como medidas emblemáticas legadas pelo Partido Socialista. Alegre escreveu ainda que o grupo parlamentar deverá sempre "apoiar o que deve ser apoiado, criticar o que deve ser criticado, corrigir o que deve ser corrigido".