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Caso Optimus: o que a publicidade devia saber sobre blogues

18:31 Sexta-feira, 8 de Fev de 2008
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Paulo Querido - Caso Optimus: o que a publicidade devia saber sobre blogues

Os danos infligidos pelas opiniões negativas expressas nos blogues acerca dos defeitos da campanha de mudança de imagem da Optimus podem ser avaliados sob dois prismas.

O primeiro prisma considera-os rigorosamente irrelevantes uma vez que partem de umas dezenas de pessoas estranhas que, pelo seu nível cultural, não são o target da Optimus. Em conformidade, o decisor - da empresa em causa ou das suas contratadas para efeitos de imagem - encolhe os ombros pois a sua atenção deve centrar-se na coluna onde "o target" se encontra aos milhões.

O segundo atribui-lhes alguma importância, reconhecendo que são originadas por:
a) pessoas com alguma capacidade de influência no presente e directa - no conjunto, chegam a audiências que em muitos casos superam a dos jornais e canais de cabo; com a particularidade de serem audiências importantes por também elas deterem alguma influência sobre as tendências de consumo, pois que englobam um grande número de jornalistas, publicitários, professores, universitários;
b) pessoas capazes de indirectamente, ou a prazo, condicionarem escolhas de consumo, em particular no complexo negócio das comunicações.

Em conformidade, os decisores desviam por um instante os olhos dos resultados em bruto e tomam uma decisão rápida numa perspectiva de cut the damage (é assim que se percepcionam tais opiniões negativas quando vistas com pressa e sem compreensão do meio).

Os decisores da campanha da Optimus olharam pelo segundo prisma. Em má hora, pois os resultados consistiram na amplificação dos danos de imagem e não na sua redução.

As débeis tentativas de contra-marketing foram feitas de forma ingénua, tomando a blogosfera como um conjunto de imbecis sem meios de identificar a acção e se protegerem dela. Julgar iguais duas audiências tão distintas como são a dos mainstream media (MSM), que são one way, e a da Internet (two ways), bem como as suas capacidades reactivas, é um erro frequente - e por isso mesmo já considerado sem desculpa, numa altura em que está claramente identificado.

Os comentários de resposta aos textos que criticavam a campanha no seu todo ou em particular eram ridículos no texto, assinados por fantasmas anónimos que não respondiam, sequer, aos mails, e pioraram as coisas - indispondo ainda mais os autores contra a marca que passaram a desconsiderar, devolvendo a atitude, e as respectivas audiências, que riram da infantilidade da "resposta" da Optimus.

Exemplos das duas respostas-tipo copi-coladas um pouco por todo o lado podem ser vistos aqui , assinados por "New mix" e "jack Sparow" - dois nomes falsos operando dentro da rede da holding proprietária da empresa de publicidade que fez a campanha da Optimus.

As agências de comunicação e as empresas de publicidade parecem continuar a olhar exclusivamente para a blogosfera através de uma representação do quadro etário, tratando cada indivíduo como se fosse a massa.

Isto resultava parcialmente nos MSM. E resultava sobretudo enquanto não existia alternativa, deixando de resultar mal as tecnologias possibilitaram o investimento nos canais cabo e na segmentação do produto jornalístico em papel, através das revistas.

Abordar a Internet da mesma forma é um erro. Não há massas na blogosfera nem comunicação vertical: há indivíduos que conversam. Ou se conversa com eles, ou não - a escolha é esta. Se se decide conversar, não se tratam todos por igual, dirigindo-se-lhes por tu e com uma linguagem infantil - sem reparar sequer que o blogger em questão tem mais de 30 anos, um ou dois graus académicos e alguns milhares de textos publicados.

Os blogues mais versados em comunicação, e entre eles os que dão mais atenção à publicidade e ao marketing, já descascaram o assunto, sempre com péssimos resultados para a Optimus e quem lhe tratou a campanha.

O PubAddict, de Bruno Ribeiro (licenciado em Psicologia, com pré-especialização em Psicologia Social da Política e da Economia e que tem pela Optimus um carinho particular pois trabalhou lá um ano), publicou 6 Conselhos Para um Bom Relacionamento entre Empresas e Blogs .

Sem prejuízo da leitura integral na fonte , aqui ficam os seis pontos de partida para reflexão antes que alguém (em Portugal) volte a cometer o mesmo erro -- seja empresa a lidar directamente com os blogues, seja a agência intermediária da praxe.

1. Se não conhece as regras do jogo, fique de fora a assistir.
2. Seja honesto e transparente.
3. Converse, não venda.
4. Relevância é a palavra-chave.
5. Os blogs não são mais um canal de marketing.
6. Respeite e será respeitado.

A EuroRSCG não entendeu um único. O que, para mim pelo menos, é surpreendente numa agência deste calibre.

E quando não se entende a onda, mais vale passar ao largo do que querer surfá-la.

Paulo Querido , jornalista

14 comentários
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+ informacao sff
odagrom (seguir utilizador), 1 ponto , 10:52 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Caro Paulo Querido,

O titulo do seu artigo chamou-me a atencao, mas como nao estava por dentro do assunto, nao percebi quase nada do que escreveu. Da proxima vez seria bom situar os leitores sobre aquilo que vai falar antes de dissertar sobre o assunto. Em particular, neste caso deveria ter citado alguns dos blogs em questao e ilustrado com alguns exemplos os disparates que diz a Optimos ter feito.

Cumprimentos
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Publicidade e blogues
Cynicus (seguir utilizador), 1 ponto , 12:30 | Domingo, 10 de Fev de 2008
De facto o texto é um pouco críptico e não corresponde à habitual clareza do autor. Mas os reais destinatários da mensagem devem ter entendido...
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Viver nos Social Media
dofundodacomunicacao (seguir utilizador), 1 ponto , 15:28 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Viva, discordo dos anteriores comentários. Achei o texto claro, embora seja condição necessária ter acompanhado nos Media a mudança de imagem da Optimus. Penso que a leitura de dois ou três textos anteriores a este, na Net, possa ajudar. Este texto abre a porta do que deve ser o comportamento nos Social Media. cpts aos leitores e ao autor. jd
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De facto ja houve melhor
note (seguir utilizador), 1 ponto , 18:41 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Acho de facto interessante como é que alguém é pago para ter este tipo de preocupações.
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Ora pois!
kayatronic (seguir utilizador), 1 ponto , 18:58 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Parece evidente que esta prosa não foi antecipadamente lida pelas mesmas sumidades que recusaram a prosa da Dóris Graça Dias. Senão a gente percebia o enredo; ou seja, o referente; ou seja, sabíamos de que é o Querido está a falar.
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A preguiça dos portugueses continua...
Nando Teixeira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:46 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Se não fossem tão obtusos e lessem 5 minutos os blogues que o Paulo Querido referenciou e pôs links, iriam perceber. Mas eu explico: A Optimus através da sua agência de comunicação fez um péssimo papel que em nada abona para a sua credibilidade. Ou seja funcionários da sua agência cada vez que viam posts sobre a nova imagem do seu cliente, ponham comentários com nomes falsos, fazendo publicidade pura e dura, querendo se passar com clientes satisfeitos para convencer potenciais clientes. As agências de comunicação ainda não perceberam que é uma má estratégia ver a blogosfera como uma massa homógenea, foi desmontada facilmente e que só traz prejuízos para os seus clientes.

Espero ter contribuido para acabar com essa ignorância preguiçosa.
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O meu nome é Fernando Teixeira
Nando Teixeira (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Domingo, 10 de Fev de 2008
Ainda não tinha actualizado o nick, aqui fica rectificação e o identidade de quem escreveu o comentário anterior, eu não sou nenhum funcionário da TMN ou da Vodafone!;)
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Respostas
PauloCarreirQuerido (seguir utilizador), 1 ponto , 13:49 | Segunda-feira, 11 de Fev de 2008
Caro odagrom,
o título do seu comentário chamou-me a atenção, mas como sei o sentido da sua "crítica" não percebi quase nada do que escreveu. Para a próxima -- isto partindo do princípio que pretende efectivamente saber do que se trata -- leia o texto completo. Lembre-se que isto não é um jornal em papel: é um jornal online.

Caro Cynicus,
este texto será tudo menos críptico. Na opinião do autor, claro.

Caro dofundodacomunicação,
não diria que é condição necessária, mas sim -- dá jeito ter um cérebro que acompanhe a realidade. Esta crónica dirigia-se a quem olhou para a campanha da mudança de imagem da Optimus. Este espaço não se costuma dirigir aos adeptos do futebol (já escrevi 20 anos sobre isso e btw ontem o Benfica teve um penalti a favor que não existiu) nem pretende explicar os acontecimentos políticos, ou internacionais, ou da economia, ou do caso Maddie.

Caro note,
acho de facto interessante como é que alguém não é pago para tecer esse tipo de comentários.

Caro kayatronic,
o que é isso da prosa da Dória Graça Dias? Desculpar-me-á a ignorância, mas não sei de todo do que é que está a falar, pelo que não me sinto à vontade para emitir uma opinião.

Caro Nando Teixeira,
há casos de ignorância preguiçosa como há casos de ódio militante como há casos de defesa do emblema. Na Internet como na vida há casos para tudo!

Um resumo para os preguiçosos e os desatentos, por quem tenho o maior respeito.

A Optimus está a levar a cabo uma gigantesca campanha de mudança da imagem da empresa. É gigantesca no tempo, no espaço, no meios. É, por isso, mais agressiva do que a normalidade dos anúncios.
Na web a campanha foi quase só agressiva, usando e abusando dos formatos mais intrusivos e usando e abusando da paciência dos leitores de media.
Além do meu caso, que por diversas vezes deixei de ler o jornal que ia ler, Expresso incluído, por causa da mancha amarela da Optimus com um botão de fechar escondido, optando por procurar a informação em sítios mais agradáveis, recebi relatos de pessoas a quem sucedeu precisamente o mesmo.
Eu volto ao Expresso, mas há pessoas que não voltam: é o comportamento normal na web, procurar o mais fácil. Isso preocupa-me.
Várias vozes se levantaram nos blogues criticando estas opções da Optimus. A reacção da empresa foi: ir às caixas de comentários desses blogues e contra-atacar com comentários que, ao contrário do que se passa nesta página, pareciam escritos por crianças e débeis mentais, incensando a empresa e glorificando a mudança, com links para os videos da propaganda no YouTube.

Serve a presente crónica em jeito de reportagem para explicar que este último movimento da Optimus não foi o mais inteligente, e porquê. Contém, nomeadamente, os links para os comentários em questão. Contém, nomeadamente, links para o follow-up do assunto. Não contém uma descrição pormenorizada sobre a Optimus, a RSCG, a publicidade e seus efeitos, as mudanças de imagem e os factos da vida. Lamento. Talvez noutra altura.
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Publicidade. Ponto.
Guimasio (seguir utilizador), 1 ponto , 23:04 | Sexta-feira, 15 de Fev de 2008
Caro Paulo Querido,

Quantas vezes escreveu a palavra "Optimus" neste seu artigo? Quantos bloggers escreveram sobre "a nova campanha da Optimus"? Acha mesmo que a agência de Publicidade da Optimus não sabia onde se estava a meter? Será que quem está detrás do nickname não sabe que vai ser "apanhado" pelo IP? Será que após ser apanhado, isso não daria azo a mais uns quantos posts e comentários? A Optimus é uma marca. Desde que não falem mal do serviço que presta aos seus clientes, está tudo bem. Quanto mais publicidade, melhor! Boa ou má, o importante é que se fale. Bem-vindos à Publicidade 2.0.

Nota: não sou funcionário da agência de Publicidade nem cliente da Optimus :-)
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    Re: Publicidade. Ponto.    Ver comentário
PauloCarreirQuerido (seguir utilizador), 1 ponto , 17:57 | Sábado, 16 de Fev de 2008
    Re: Publicidade. Ponto.    Ver comentário
Guimasio (seguir utilizador), 1 ponto , 22:25 | Sábado, 16 de Fev de 2008
    Muito obrigado!    Ver comentário
legoboy (seguir utilizador), 1 ponto , 10:27 | Quinta-feira, 18 de Set de 2008
Revisão de artigo de opinião
jpferreira123 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:45 | Quarta-feira, 20 de Fev de 2008
Caro Paulo Querido, o meu nome é João Paulo Ferreira e represento a EuroRSCG 4D, a empresa de marketing digital e relacional da EuroRSCG.

Li o seu artigo de opinião sobre a Optimus e não posso deixar de comentar que não contém os factos exactos. Não foi a EuroRSCG que agiu nos blogs referidos, nem em nenhuns, para o nosso Cliente Optimus. Aliás, posts referem mesmo um IP que pertence a uma empresa detida pela Havas, a Media Planning, empresa que detém a EuroRSCG também. Gostaria que revisse este ponto numa próxima oportunidade.
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Réplica
PauloCarreirQuerido (seguir utilizador), 1 ponto , 17:13 | Quarta-feira, 20 de Fev de 2008
Caro João Ferreira, deixe-me ver se o percebi.
Na sua qualidade de managing director de "marketing digital e relacional" (aspas minhas), começou por:
1. invocar por e-mail o direito de resposta para uma opinião publicada num meio online que disponibiliza um formulário para as respostas dos leitores;
2. enviar esse mail para a editoria do Expresso online;
3. em seguida, usar o formulário para exercitar o seu direito de resposta (entretanto reduzido a "revisão de artigo de opinião" e a "comentário"), no qual:
a) afirma que o artigo não contém os factos exactos sem informar quais são os factos inexactos;
b) pretende repor a verdade sobre um facto que não consta do artigo;
c) argumenta em suma que não foi do seu computador (EuroRSCG), foi do computador do seu "pai" (Media Planning).

Sobre 1 e 2, nada a responder, os seus actos são eloquentes.

Sobre a): a sua afirmação é gratuita e não está fundamentada.
Sobre b): apontei a EuroRSCG como agência responsável pela campanha de mudanças de imagem da Optimus e disse que a EuroRSCG não entendeu um único dos seis conselhos para um bom relacionamento entre empresas e blogues. Mantenho a indicação e a afirmação.
Sobre c): se quer a minha opinião, é um péssimo argumento.

Gostaria que revisse os capítulos sobre a comunicação web numa próxima oportunidade.
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