A ILGA entregou no Parlamento uma petição para instituir um dia contra a homofobia. A petição foi arquivada pelo fadista-deputado Nuno da Câmara Pereira, que juntou à recusa uns acordes ridículos e até absurdos: aceitar a petição seria discriminar os homofóbicos. Infelizmente, perdeu-se uma oportunidade para, aceitando ou recusando a petição (é-me indiferente), formular uma questão mais interessante: como começou esta era da histeria em que vivemos? Talvez a queda do Muro, e a ruína das grandes utopias, tenha dado uma ajuda preciosa. Durante o século XX, as pessoas crescidas tinham mais em que pensar. Como, por exemplo, preservar a liberdade contra ditaduras de todo o tipo. Tempo passado. Hoje, não há semana em que um grupo qualquer (pretos, homossexuais, mulheres, ambientalistas, anões) não apareça por aí a queixar-se contra a 'intolerância' dos outros. A ideia destes grupos não é combater actos objectivos de discriminação ou brutalidade, para os quais já existem tribunais. A ideia é outra: entrar nas cabeças alheias e remover o lixo mental que por lá existe.
Assim se entende a luta contra a 'homofobia'. Mas, afinal, o que é a 'homofobia'? De acordo com o dicionário, trata-se de uma "aversão a homossexuais ou ao homossexualismo'. Tão-só. Podia ser a pretos. A mulheres. A ambientalistas. A anões. A estupidez humana é infinita. Mas uma aversão é uma aversão. E no mundo imperfeito em que vivemos, é perfeitamente legítimo sentir aversão por homossexuais. Por heterossexuais. Por bissexuais. Por transexuais. E por todas as variantes possíveis ou imaginárias, incluindo ambientalistas bissexuais e anões transexuais. E quando a aversão se converte em acção, a justiça que trate do assunto. O que não é legítimo é incomodar o parceiro só porque os outros não gostam do que somos, a menos que estejamos a falar de crianças, e não de adultos. Com petições deste tipo, as associações histéricas que pululam por aí, longe de lutarem pelo 'respeito', apenas 'desrespeitam' quem acreditam defender. Nenhum adulto desata a berrar em público quando os outros meninos não querem brincar com ele.
Mau ambiente
Nunca entendi a simplificação ideológica que atribui o 'ambiente' ao monopólio da esquerda. Desde quando? Curiosamente, as primeiras preocupações 'ambientalistas' até nasceram à direita: quando 'conservar' modos de vida tradicionais era o programa dos 'tories' face ao 'progressismo' industrial. Um pormenor, porém, afastava os 'conservadores' de ontem de muitos 'ambientalistas' de hoje: os primeiros entendiam que o desafio estava em conseguir um certo equilíbrio entre o homem e a natureza e não, como se pressente agora, cultivar uma certa inumanidade. E é precisamente essa inumanidade que Bento XVI se prepara para criticar no Ano Novo. Segundo o 'Daily Mail', o Papa tenciona denunciar os extremismos ideológicos que, avessos à discussão racional, muitas vezes subjugam o homem à restante matéria. Uma boa denúncia. E, já agora, uma boa pergunta: de que vale conservar a Terra quando se despreza até à insanidade aqueles que a habitam?
João Pereira Coutinho