O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, acusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Nuno Crato, e políticos, nomeadamente da área do PSD, de fazerem "considerações vagas, baseadas em preconceitos e acções políticas" quando apontam um suposto facilistismo existente nos exames nacionais dos últimos anos.
Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados da 1ª fase das provas nacionais, realizada hoje, Valter Lemos disse mesmo que a mensagem passada - "a de que não vale a pena os alunos trabalharem nem estudarem porque alguém vai resolver os problemas por eles" - induziu os estudantes em "erro".
"Usou-se a Matemática para fazer política, com efeitos sobre os alunos e as famílias, que provavelmente foram prejudicados, sem que os autores dessas considerações retirassem daí consequências. Não sabemos a dimensão do efeito, mas foi uma agressão agratuita a alunos e famílias", declarou Valter Lemos.
Em relação ao exame de Matemática A deste ano, a Sociedade Portuguesa de Matemática considerou no seu parecer
que a prova do 12.º era "mais razoável que a do ano anterior". "Sem ser difícil, não é escandalosamente fácil, ao contrário da prova equivalente de 2008 e da prova do 9.º ano [de 2009]", lia-se no documento,
Mas as críticas já vinham de trás, aponta o secretário de Estado da Educação, dizendo que antes mesmo de as provas ocorrerem já se falava num suposto facilitismo, incentivando-se assim os alunos a não estudar.
Valter Lemos fez mesmo questão de recuar no tempo e lembrar o trabalho da comissão para a promoção da Matemática criada pelo ex-ministro David Justino e que integrava diversas personalidades, entre elas Nuno Crato. "O que fizeram então para resolver os problemas? Não conheço nenhum resultado dessa comissão", afirmou o secretário de Estado.
Os resultados nas várias provas de Matemática voltaram este ano a ser positivos. No entanto, a Matemática A, realizada pelos alunos de Ciências, a média caiu 2,5 valores (situou-se nos 10 valores) e a percentagem de negativas à disciplina duplicou: passou de 7 para 15%.