São uns belos rapazinhos. Menores na idade. Maiores na pulhice. Constituem-se em bando de rua. E competem entre si. São biltres de alta competição. Contra alguém ou alguma coisa. Destroem estabelecimentos, espancam pessoas, espetam a navalha em quem tenha o azar de lhes aparecer pela frente.
Não se julgue que estes grupos não têm regras. Têm-nas e muito estritas. Ponto por ponto. Ganha mais pontos quem for mais violento. Sobe na hierarquia do bando quem tiver mais pontos.
A lei da malta é inspirada nas regras do jogo de vídeo "Grand Thef Auto". O jogo, importado dos Estados Unidos, pode inculcar enorme sentido de destruição e de violência nos jovens que o praticam. Cada crime, quanto maior for, mais pontuação confere. Assaltos à mão armada, homicídios garantem os melhores prémios. Mas uma tareia em qualquer personagem que se mova já dá merecida pontuação.
No ecrã a coisa é pacífica. Os estabelecimentos destruídos regeneram-se a um passe de mágica. As navalhadas são virtuais. Não há sangue quente a verter dos bonecos agonizantes. Mas cá fora a coisa é mais complicada. Em Faro, sobretudo aos fins-de-semana, tem sido uma animação. Assaltos e agressões nas ruas. E pancadaria agendada com grupos rivais. A velha rivalidade entre Olhão e Faro, que se resumia a canelada no pelado e escaramuça na bancada, está a dar lugar a combates de wrestling sanguinário na noite da capital algarvia.
A polícia, quando não está a facturar a coima do estacionamento, como prefere, age como pode. Faz detenções. Acompanha os jovens a tribunal. E o tribunal faz o que deve. Face a uma lei iníqua, liberta-os. A justiça em Portugal promove um jovem saudável, até aos 16 anos, a irresponsável. Completa a boa educação familiar.
Os pais não são tidos. Nem comprometidos. E, em muitos casos, os treinos começam cedo lá em casa. Aos cinco ou seis anos de idade, perante o embevecimento paterno. "O Ruben é uma máquina na consola!" E consola ignorar que a ambição legítima (julgará o Ruben) de um grande jogador é saltar alegre do virtual para o real. E estar, aos 13 ou 14 anos, a afinar punho e naifa em bonecos de carne e osso.
As vítimas indefesas que se seringuem. Há, entre o hospital e o instituto de medicina legal, um vasto leque de oportunidades. E o tribunal, a apurar indemnizações por morte ou invalidez, nem sempre será incompetente. Esperemos.