O ano do tigre na China, que começou a 14 de Fevereiro, tem tendência a ser um ano dinâmico e expansivo, com resultados um tanto imprevisíveis. As características do "tigre" estão agora a alastrar para o mercado accionista chinês que já vinha ganhando contornos felinos desde o ano passado.
Depois do principal índice bolsista daquele país ter crescido 71%, nos últimos 12 meses, e da economia ter obtido um crescimento do PIB de 8,7% em 2009, superando largamente o abrandamento económico de muitas regiões do planeta, 2010 irá retomar o crescimento a dois digitos, algo que a China alcançou no período compreendido entre os anos de 2003 e 2007.
A tentar tirar proveito deste crescimento de 10% do produto, previsto para 2010 pelo Fundo Monetário Internacional, e do peso do novo campeão mundial de vendas ao exterior (superou a Alemanha como maior país exportador do mundo, em 2009), está uma larga legião de fundos de investimento que actuam no mercado chinês com resultados muito positivos. A rendibilidade média da classe de fundos que apostam na China é de 50,58%, nos últimos 12 meses, ainda que a forma das carteiras asiáticas se veja no longo prazo, período em que alguns fundos se destacam, como o Fidelity Funds - China Focus que além de fortes ganhos apresenta um risco mais baixo que a restante classe de fundos, tradicionalmente muito arriscada.
Fundos chineses
| Fundo |
Rendibilidade a 1 ano |
Rendibilidade a 5 anos |
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| CAAM Funds Greater China S |
57,42% |
14,07% |
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| Fidelity Funds - China Focus A USD |
55,52% |
17,00% |
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| Schroder ISF Greater China B Acc |
55,46% |
11,34% |
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| UBS EF - Greater China (USD) P-Acc |
69,85% |
15,88% |
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Fonte Bloomberg. Rendibilidades anualizadas em euros líquidas de impostos. 4 de Março de 2010.
Outras carteiras de acções do mais populoso país do mundo apresentam também relações risco/retorno mais favoráveis que as da concorrência, casos do CAAM Greater China S, do Schroder ISF Greater China e do UBS EF Greater China, em dólares. Os gestores dos fundos têm conseguido produzir rendibilidades anualizadas nos dois digitos nos últimos 5 anos e que superam os índices e a concorrência.
Futuro animador
Mas se até agora foi bom fazer parte dos investimentos chineses, como será o futuro numa altura em que começam a apontar aquele mercado como sobreaquecido?
Para a equipa de gestão do fundo chinês da sociedade gestora UBS, as notícias que têm surgido acerca do aumento dos preços das habitações não são preocupantes. "As medidas tomadas irão ajudar a estabilizar o mercado e não acreditamos que estejamos na iminência de uma bolha no mercado da habitação na China", revela a gestora. Nick Field, gestor de mercados emergentes da Schroders, acredita que "as autoridades chinesas ao analisarem o mercado imobiliário e ao verificarem o aumento dos preços, não estão tão preocupados com uma eventual bolha, mas sim com a maior dificuldade que os trabalhadores poderão sentir para mudar de residência".
Para as sociedades gestoras, o futuro pode ser tão brilhante com o passado. A equipa de gestão da UBS indica que "o mercado chinês irá ter desempenho a longo prazo bastante melhor que o dos mercados desenvolvidos, sendo que o mercado chinês ainda está a negociar abaixo dos valores médios dos seus rácios e o mesmo possui perspectivas de crescimento bastante positivas". Martha Wang, gestora do fundo Fidelity China Focus, é da opinião que "após a correcção que o mercado observou no ínicio do ano, existem várias acções que parecem bastante interessantes", justificando a relevância dos investimentos chineses face aos demais BRIC na medida em que "espera-se que a China, dado a sua aposta no crescimento do mercado doméstico, tenha uma boa diversificação dos factores nos quais está baseado o seu crescimento".
Com um crescimento elevado e maior rendimento no país, Nick Field acredita num cenário positivo para a economia chinesa. "Quando se atinge um estado em que as empresas pagam mais aos seus trabalhadores e as pessoas começam a trabalhar um período de horas menor, elas vão começar a ter condições para adquirir bens, o que vai levar a um aumento do consumo privado". Quanto à UBS, os gestores lembram que "a China tem a maior população e mercados dos BRICs, sendo que de acordo com muita estimativas irá tornar-se a maior economia até 2050".