O primeiro juiz de instrução do caso Freeport considera que "o processo que conduziu à construção e funcionamento do complexo industrial apresenta várias irregularidades e um andamento inusitado".
De acordo com a edição de hoje do Diário de Notícias, esta opinião consta de um despacho do Tribunal do Montijo, datado de Fevereiro de 2005. No documento, o magistrado do Tribunal do Montijo realçou que o projecto "foi alvo de dois pareceres desfavoráveis em estudos de impacto ambiental e quando foi, finalmente, obtido o parecer pretendido, o desenvolvimento do processo conheceu uma celeridade invulgar, decorrendo em 20 dias e não nos 100 dias usuais".
Segundo a mesma notícia, o despacho responde a um pedido do procurador Raul Farias, da comarca do Montijo, para se iniciarem escutas telefónicas a diversos suspeitos, entre eles autarcas e empresários: José Dias Inocêncio (ex-presidente da Câmara de Alcochete), Honorina Silvestre (ex-vereadora), Manuel Pedro (sócio da consultora Smith&Pedro) e José Manuel Marques (antigo consultor da Câmara de Alcochete).
Ao Diário de Notícias, o antigo presidente do Instituto de Conservação da Natureza Carlos Guerra afirmou estranhar a polémica, dizendo que só à terceira é que a Avaliação de Impacte Ambiental foi aprovada. "Não houve tratamento de favor, porque o projecto já era conhecido dos serviços".